Na supertaça inglesa deste ano, os citizens, que na época passada atingiram 100 pontos no campeonato – um recorde absoluto na Premier League – defrontaram uns blues no processo de adaptação às ideias de jogo do novo treinador, Maurizio Sarri.

Com a equipa londrina a jogar com uma linha defensiva de quatro homens – ao contrário da linha de cinco que apresentava com Antonio Conte -, os atacantes do City encontraram muitas facilidades: aos 12 minutos, Phil Foden, o médio de 18 anos, pegou na bola ainda a 25 metros da baliza e, perante David Luiz e Marcos Alonso, pareceu ter todo o espaço que quis para progredir. À entrada da área, deu o esférico a Sergio Aguero e o argentino fez o sabe fazer melhor, tirando Rüdiger da frente e batendo o seu antigo colega de equipa, Wilfredo Caballero, para fazer o 1-0.

Com a primeira experiência do 4-3-3 de Sarri frente a uma equipa inglesa, o Chelsea via-se incapaz de segurar a bola durante muito tempo, cedendo perante a pressão alta e o ritmo intenso característicos do futebol britânico – e, especialmente, deste City de Guardiola. O destaque do lado dos blues nos primeiros 45 minutos acabou por ir para Callum Hudson-Odoi. Com apenas 18 anos, o extremo inglês protagonizou um excelente duelo com Kyle Walker, e podia, pelo menos, gabar-se de ter levado várias vezes a melhor sobre o lateral direito.

De resto, pouco mais se passou na primeira parte, a não ser um lance caricato de Claudio Bravo. Após um passe longo, o guardião chileno calculou mal a trajetória da bola, deixando que o esférico saltasse por cima de si, o que o obrigou a uma recuperação rápida, para o salvar da humilhação e do possível golo de Morata, que tentava aproveitar o lapso. Atento a isto estava Ederson Moraes, o habitual titular, cuja imagem no banco de suplentes a direção televisiva fez questão de mostrar prontamente.

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Calor intenso deu direito a três paragens ao longo da partida, para os jogadores se refrescarem
Fonte: FA

Após o intervalo, os citizens, que haviam perdido algum gás – mas não o controlo da partida – no final do primeiro tempo, voltaram à carga. E com resultados quase imediatos: aos 58 minutos, Sergio Aguero, que momentos antes tivera uma chance para bisar na partida, faz mesmo o 2-0. Numa jogada em que o destaque vai para a excelente assistência de Bernardo Silva, que viu a movimentação do avançado argentino e conseguiu tirar David Luiz da jogada com um passe em profundidade, Aguero punha a sua equipa numa posição privilegiada para gerir o resto da partida sem problemas.

Aos 70 minutos, surge uma imagem que, de certa forma, ilustra o que é este Manchester City de Pep Guardiola. John Stones, Laporte e Claudio Bravo formam um triângulo em frente à sua própria baliza, trocando o esférico com tranquilidade, mesmo sob a pressão de Tammy Abraham (que acabara de entrar para o lugar de Alvaro Morata) e Willian (que substituíra Hudson-Odoi). Ainda que o extremo brasileiro quase tenha aproveitado um erro de John Stones, a esta troca de bola seguiu-se um passe fulminante para a frente, lançando um contra ataque que Antonio Rüdiger apenas conseguiu travar com recurso à falta.

Até ao fim do jogo, anda houve mais uma oportunidade para cada lado, mais em virtude da displicência decorrente do cansaço do que propriamente do mérito dos atacantes.

Após uma pré-época relativamente positiva, o Chelsea FC deparou-se hoje com um reality-check da autoria do Manchester City. A ausência de alguns jogadores chave não invalida um fator muito importante: Maurizio Sarri ainda tem muito trabalho pela frente para deixar esta equipa à sua imagem. Já os azuis de Manchester mostraram que, mesmo sem Kevin De Bruyne, conseguem manter os padrões de futebol extremamente elevados que estabeleceram na época passada.

Onzes iniciais:

Chelsea – W. Cabballero; C. Azpilicueta; A. Rüdiger; David Luiz; Marcos Alonso; Jorginho; C. Fabregas (D. Drinkwater 59’); R. Barkley; Pedro (V. Moses 80’); C. Hudson-Odoi (Willian 59’); A. Morata (T. Abraham 69’)

Manchester City – C. Bravo; K. Walker; J. Stones (C. Gomes 94’); A. Laporte (N. Otamendi 87’); B. Mendy; Fernandinho; B. Silva; P. Foden (B. Diaz 75’); L. Sané (I. Gundogan 45’); R. Mahrez (G. Jesus 68’); S. Aguero (V. Kompany 80’)