cab serie a liga italiana

Provavelmente, se disséssemos ao mais desatento dos adeptos de futebol que o actual guarda-redes titular do Milan tem apenas 16 anos seríamos tidos como loucos, mas não existem razões para isso. Gianluigi Donnarumma, guardião italiano nascido a 25 de Fevereiro de 1999, é o dono da baliza dos rossoneri, tendo relegado para o banco de suplentes um tal de Diego López, “apenas” o homem que destronou Casillas da titularidade do Real Madrid. Donnarumma, que se estreou diante do Sassuolo no passado dia 25 de Outubro (vitória por 2-1), tornou-se no segundo jogador mais jovem da história do conjunto de Milão a estrear-se a titular, ficando a apenas dois meses da lenda Paolo Maldini, que debutou nos milaneses, em 1985, com 16 anos e seis meses.

E a decisão de colocar uma responsabilidade tão grande nos ombros de Donnarumma? Terá sido um capricho de Mihajlovic, técnico do colosso italiano? Olhando para o desempenho do jovem prodígio das balizas, depressa se constata que não. É verdade que estamos perante um jogador com apenas 16 anos, mas a qualidade do mesmo, que já apresenta com 1,96 metros de altura, é inegável. Aliás, bastou observar a sua exibição no empate caseiro (0-0) do Milan frente à Atalanta, na última jornada da Serie A: com um punhado de grandes defesas, Donnarumma garantiu um ponto para a sua equipa, que tarda em convencer os seus exigentes tiffosi. “Não vou tirar nada ao Donnarumma; dar-lhe-ei tudo o que puder. É o futuro do futebol italiano e tem estado bem.”, afirmou um rendido Mijahlovic após a partida de San Siro. Para se ter uma noção da valia deste guarda-redes, que ainda há pouco tempo era terceira opção nos rossoneri, Donnarumma foi convocado para o duplo compromisso da selecção italiana de sub-21, de qualificação para o Euro 2017, sendo que o jogador é o habitual titular dos… Sub-17.

Donnarumma promete ser sinónimo de grandes defesas Fonte:gazettaworld.gazetta.it
Donnarumma promete ser sinónimo de grandes defesas
Fonte:gazettaworld.gazetta.it

Num país conhecido pela sua escola de magníficos guarda-redes, como Dino Zoff, Pagliuca, Peruzzi, Toldo ou o ainda formidável Buffon (ídolo de Donnarumma), podemos estar na iminência de ter mais um craque para a posição. Para já, Donnarumma vai marcando o seu espaço, apesar de ainda ter muitos erros pela frente. Contudo, olhando para o jovem, espanta a agilidade entre os postes e a sua imponente envergadura, que poderá aumentar visto a idade ainda precoce do internacional transalpino. Mas, acima de tudo, importa estar atento à forma como Donnarumma conseguirá (ou não) lidar com a pressão de chegar tão cedo à baliza de um clube de tal dimensão. O Milan está muito longe dos seus tempos áureos – apesar do investimento feito no último defeso a equipa tarda em convencer, ocupando um modesto 8.º lugar decorridas 10 jornadas -, mas a responsabilidade num emblema tão titulado é sempre enorme.

Esta meteórica ascensão de Donnarumma não é um caso inédito no futebol. Já tivemos casos de sucesso, assim como já nos deparámos com saídas de cena sem glória de vários futebolistas que prometiam muito, mas do alto dos aninhos que levo disto arrisco-me a dizer: Donnarumma será um guarda-redes de topo mundial, titularíssimo do Milan ou doutros colossos europeus e peça-chave da squadra azzurra. As suas competências aliadas à sempre necessária paciência de treinadores e adeptos formatarão um magnífico guardião, mas também seria importante que o Milan voltasse à sua génese, à conquista frequente de títulos, para benefício da carreira de Donnarumma.

 

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