Genoa, onde os grandes tombam

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Estar em 10º lugar no campeonato italiano não deve ser motivo de vergonha. Afinal, apesar de tudo, a Serie A ainda é um dos principais campeonatos do panorama europeu. O Genoa, ou Génova se preferir, equipa do português Miguel Veloso, não está a ser propriamente a equipa-sensação, aquela que surpreendentemente “morde os dentes” aos grandes. Apesar disso, despachou em poucas semanas, Milan e Juve com resultados claros (3-0 e 3-1 respectivamente) e pretende continuar a fazer cair os gigantes do futebol italiano.

Muito se tem falado no aparecimento de Giovani Simeone, filho do técnico do Atlético de Madrid. O elogio ao jovem avançado é justo. Afinal, ele tem mostrado, além de mobilidade e intensidade, um faro de golo impressionante – veja-se os dois golos à vecchia signora. Porém, esgotar a equipa do Genoa no argentino é redutor. A equipa, não sendo poderosa, é equilibrada em termos defensivos, e, nomeadamente nestes jogos, materializa em resultados práticos, uma das suas maiores qualidades: as transições ofensivas.

Simeone,com dois golos, fez cair a Juventus no Luigi Ferraris Fonte: Genoa C.F.C.
Simeone, com dois golos, fez cair a Juventus no Luigi Ferraris
Fonte: Genoa C.F.C.

Não sendo uma equipa puramente italiana, se pensarmos nas conotações mais exageradas que se atribuem às equipas deste país – demasiada importância dada ao processo defensivo -, é uma equipa que se sabe comportar nos diferentes momentos do jogo. Não tem problemas em recuar (demasiado) no terreno, desde que isso lhe traga o espaço que necessita para atacar nas transições. Este recuo estratégico, permite depois, que alguns jogadores possam destacar-se. Laxalt, recém internacional pelo Uruguai, tem uma grande capacidade de acelerar o jogo, vindo de trás, como se viu nos lances dos golos frente à Juve. A equipa tem intensidade e critério no meio-campo – veja-se o rendimento de Rincón, supostamente alvo de Inter e Juve -, mas é nas alas que a criatividade existe. Ocampos e Lazovic são os responsáveis pelos desequilíbrios e por fornecer jogo aos dois avançados (que nem sempre jogam juntos) – Simeone, mais móvel e rápido e Pavoletti, mais fixo e posicional.

O retrato é positivo. O lugar na tabela, não sendo pujante, reflete uma certa competência, num campeonato competitivo. Os avisos estão feitos. Ninguém marca 6 golos, aos dois primeiros classificados do campeonato, por acaso. Os grandes tombaram. E isso não se explica com azar ou menor intensidade da equipa grande. Reflete também a qualidade de jogo do Genoa.

 

Imagem de capa: Genoa C.F.C.

Jorge Fernandes
Jorge Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
O futebol acompanhou-o desde sempre. Do amor ao Benfica, às conquistas europeias do Porto, passando pelas desilusões dos galácticos do real Madrid. A década continuou e o bichinho do jornalismo surgiu. Daí até chegarmos ao jornalismo desportivo foi um instante Benfiquista de alma e coração, pretende fazer o que mais gosta: escrever e falar sobre futebol. Com a certeza de que futebol é um desporto e ao mesmo tempo a metáfora perfeita da vida.                                                                                                                                                 O Jorge não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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