Conhecido pela sua postura irreverente, frontal e polémica, José Mourinho tem sido decisivo nos clubes por onde passa, não só pelas variadas conquistas, mas também pelo impacto que a sua figura tem nas estruturas do futebol.

O técnico português ganha uma notoriedade que se sobrepõe à do próprio clube onde trabalha, seja em Portugal, Inglaterra, Itália ou Espanha. O Special One logrou conquistar a Liga Inglesa por um clube que já não vencia a competição há cinquenta anos, venceu campeonato e Liga dos Campeões no Porto e no Inter e foi ainda capaz de bater o histórico Barça de Guardiola, ao vencer a Liga Espanhola na temporada 2011/2012. Ao todo são já vinte os títulos conquistados por Mourinho enquanto treinador.

Mas, se é um sonho para os adeptos tê-lo no clube (a maior parte dos do Real Madrid constituem a excepção), a verdade é que se torna um pesadelo vê-lo partir para outras paragens. A ressaca pós-Mourinho é particularmente visível em Milão, onde o Inter nunca mais conseguiu ser o mesmo após a saída do técnico português.

A final da Champions frente ao Bayern em Madrid foi o último jogo de Mourinho no banco do Inter. Conquistou a competição, festejou no relvado, mas não seguiu com a comitiva de regresso ao Norte de Itália para festejar com os inúmeros tiffosi que inundaram as ruas milanesas. O abraço de Mourinho a Materazzi, já no exterior do Barnabéu, em que ambos se desmancham em lágrimas, foi o ponto de partida para um deserto de títulos e bons resultados para os nerazzurri.

Mourinho erguendo o troféu da Liga dos Campeões perante os seus jogadores / Fonte: espnfc.com
Mourinho erguendo o troféu da Liga dos Campeões perante os seus jogadores / Fonte: espnfc.com

Desde aí, o Inter terminou os campeonatos em segundo, sexto e nono, num percurso em que participaram cinco treinadores. É verdade que da equipa de Mourinho muitos jogadores saíram, mas muito dinheiro foi gasto em contratações falhadas. Ver o histórico Zanetti capitanear uma equipa que termina em nono é particularmente chocante.

Falhadas as passagens de Gasperini, Leonardo, Ranieri, Benítez e Stramaccioni, Moratti apostou esta temporada em Walter Mazzarri para orientar a sua equipa. Técnico experiente de cinquenta e dois anos, fez quatro épocas excelentes no Nápoles e é a esperança dos tiffosi nerazzurri para acabar com o trauma pós-Mourinho.

Para já, a equipa está no quarto lugar, a apenas dois pontos de um lugar de Liga dos Campeões, mas já a oito pontos da líder Juventus. Sinal positivo é o facto de a equipa ainda não ter perdido fora de portas e só ter mesmo uma derrota em treze jornadas já disputadas. Bons sinais também a nível ofensivo, uma vez que o Inter é a equipa com mais golos na prova. O esquema, em 3-5-1-1, explora a velocidade das laterais – de jogadores como Nagatomo e Álvaro Pereira -, aliando a isso um meio-campo musculado onde Cambiasso continua a ter um papel fundamental. Na frente, os argentinos Palacio, Icardi e Milito lutam por um posto à frente de Guarin.

Cambiasso cumpre a décima primeira época no Inter / Fonte: focuscalcio.it
Cambiasso cumpre a décima primeira época no Inter / Fonte: focuscalcio.it

Os sinais vindos de San Siro dão conta de uma equipa mais coesa e aparentemente mais fiável. Veremos se Mazzarri terá a capacidade para a fazer crescer e a levar para patamares mais altos, fazendo esquecer de uma vez por todas o fantasma Mourinho, que ainda paira em Milão.

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