Após a eliminação precoce da Juventus FC nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões pela mão do Olympique de Lyon, bastaria um dia para a direcção do clube bianconero anunciar o despedimento de Maurizio Sarri, apenas um ano após a sua chegada a Turim.

Sob a sua orientação técnica, a Juventus viria a conquistar o Scudetto pela oitava época consecutiva. Porém, as derrotas na Supertaça para a Lazio, na final da Taça de Itália para o Nápoles e a eliminação nos oitavos da Champions, bem como o futebol praticado pela equipa, acabariam por ditar o despedimento do treinador de 61 anos.

A verdade é que o futebol praticado pela Vecchia Signora esteve longe de convencer. Não se assistiu ao “Sarriball” com o qual o ex-bancário atingiu os seus tempos áureos no Nápoles. Muitos consideraram este despedimento uma decisão precipitada por parte do clube, devido ao envelhecimento de alguns jogadores-chave do plantel, bem como pelo facto de Sarri se ter estreado numa nova realidade.

No entanto, tendo verificado alguns exemplos ao longo desta época, chego à conclusão de que, apesar de gostar muito de Maurizio Sarri, este não é o homem certo para conduzir a Juve até ao topo da Europa. Num clube que atravesse um ciclo de vitórias, ter uma boa ideia de jogo não basta. Também é preciso mostrar as qualidades mentais e de liderança necessárias para gerir um balneário que está habituado a ganhar e que está repleto de egos fortes.

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Para a sua sucessão, foram apontados alguns nomes como Zinedine Zidane e Sérgio Conceição. No entanto, a escolha acabaria por surpreender tudo e todo, ao recair para Andrea Pirlo, que ainda há semanas atrás tinha sido apresentado como o treinador da equipa sub-23 bianconera.

A lenda do futebol italiano na altura, tinha mesmo declarado que tinha recebido propostas de clubes da Série A e da Premier League, mas optou por treinar os sub-23 da Juventus porque entendia que deveria começar a carreira de treinador por baixo.

No entanto, será que Andrea Pirlo vai ser capaz de trazer o troféu europeu mais desejado para Turim? Bem, tendo em conta o seu estilo enquanto jogador, provavelmente enquanto treinador irá procurar implementar um estilo de jogo atractivo e com muita posse de bola.

O principal ponto de interrogação em relação a Andrea Pirlo resume-se à capacidade de liderança. Nesse aspecto, a vantagem que Pirlo tem em relação a Sarri é que este já partilhou balneário com alguns jogadores e poderá usá-los para conquistar a confiança dos restantes jogadores.

Porém, sendo um treinador em início de carreira, também será necessário perceber se terá capacidade para se ambientar uma nova realidade num clube que tem a ambição para ganhar em todas as frentes, e se a partir do banco terá estofo para lidar com essa pressão.

Vejo em Andrea Pirlo alguém com potencialidades para se tornar num grande treinador, mas um passo destes no início da carreira, num clube que não possui o melhor contexto neste momento, tem tudo para correr mal. Veremos os próximos episódios em Turim.

Artigo revisto por Mariana Plácido

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