Lazio: Sem loucuras mas com vontade de regressar ao passado

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cab serie a liga italiana

Há 15 anos, na viragem do século, a Lazio sagrou-se campeã italiana pela última vez na sua História. Nessa equipa, para além dos portugueses Sérgio Conceição e Fernando Couto, estavam nomes como Nedved, Nesta, Marcelo Salas, Ravanelli, Verón, Simeone, Mancini ou Mihajlovic. Longe vão os tempos em que o clube romano era um dos mais poderosos da Serie A e tinha capacidade de reunir tantos craques no mesmo plantel. Sem o mesmo fulgor financeiro e o prestígio de outrora, o emblema laziale tenta recuperar o estatuto de grande num campeonato que também vai lutando para chegar ao nível de competititividade que tinha na década de 90.

Até ao momento, a época da Lazio tem superado as expectativas. Na luta pelo “primeiro dos últimos”, logo atrás de Juventus, Roma e Nápoles (têm plantéis superiores e por enquanto estão um degrau acima), a equipa de Stefano Pioli segue na frente, com um ponto de vantagem sobre a Fiorentina e quatro sobre a Sampdoria, estando a apenas dois pontos do terceiro lugar. Para além disso, está nas meias-finais da Taça de Itália, onde empatou com o Nápoles na primeira mão (1-1). Mais do que pelos bons resultados, o clube da capital italiana tem dado nas vistas pela qualidade do futebol praticado, um dos mais atractivos do campeonato e até mesmo do continente europeu.

Apesar de não ter a qualidade de outros tempos, a Lazio tem um plantel homogéneo e que mescla a experiência de elementos como Mauri, Lulic, Cana ou Klose com a juventude e irreverência de potenciais craques como Felipe Anderson ou Keita. Juntando a valia indiscutível de nomes como Biglia, Candreva, Parolo ou De Vrij, o técnico Stefano Pioli não se pode queixar do leque de opções que tem à disposição. Contudo, o treinador italiano tem tido azar com as lesões ao longo da época, sendo obrigado a lidar com a ausência de vários elementos do sector defensivo (assim se explica a contratação de Maurício) e principalmente das estrelas Candreva e Felipe Anderson.

Felipe Anderson
Felipe Anderson tem sido o melhor jogador da equipa
Fonte: Facebook da Lazio

 

Sem Candreva no seu melhor, sobretudo devido a problemas físicos, tem sido Felipe Anderson a assumir a batuta da equipa. Não é Neymar, mas é mais um produto do “aquário” do Peixe que pode vir a ser uma figura do futebol mundial. O brasileiro tem realizado uma temporada fantástica, de forma algo surpreendente até, e é um dos principais responsáveis pela qualidade de jogo da equipa. Criativo, forte no drible e no último passe, dá um perfume muito agradável ao conjunto laziale. Tem uma leitura de jogo bastante superior a Keita, que, apesar de ter um enorme potencial técnico e muita facilidade na criação de desequilíbrios, é um pouco displicente e revela algumas dificuldades na tomada da melhor decisão para os lances. Os dois jovens costumam partilhar o ataque com os “veteranos” Mauri, que está a fazer uma época excepcional (tem 8 golos no campeonato), e Klose, o eterno goleador alemão.

O meio campo é um sector que tem carburado de forma bastante eficaz, ou não fosse a Lazio uma das equipas que pratica um futebol mais agradável na actualidade. Biglia, depois de muitas temporadas no Anderlecht, chegou a Roma na época passada – estranho que só tenha dado o salto para um dos “Big 5” aos 27 anos – e está a provar, agora num nível competitivo mais elevado, que é um médio defensivo bastante completo. Parolo, outro jogador que apareceu tarde, viu premiada a sua excelente temporada ao serviço do Parma com a transferência para o Olímpico, onde pegou de estaca. Danilo Cataldi, jogador com bom toque de bola e uma excelente capacidade de passe, completa o trio habitual de meio campo. Formado no clube, tem apenas 20 anos e é um projecto interessante para o futuro.

O emblema onde actuam Maurício e Pereirinha conseguiu atingir a estabilidade que lhe vinha faltando em anos anteriores, e isso reflecte-se nos resultados. Havendo continuidade, o clube pode voltar a lutar regularmente pelo acesso à Liga dos Campeões. Pioli, para além de ter posto a equipa a praticar um bom futebol, está a aproveitar a experiência dos mais velhos e a conseguir potenciar os mais novos, construindo uma base sólida para as próximas temporadas. O plantel tem qualidade (ainda mais se o compararmos com o de anos anteriores) e necessita apenas de alguns ajustes, especialmente no eixo defensivo. Contratar um ponta-de-lança, já que Klose não dura para sempre, também deve ser uma prioridade. A forma como a Lazio irá terminar esta temporada deverá definir a forma como abordará a próxima; se conseguir o apuramento para a Champions, certamente será mais ambiciosa no mercado e tentará reforçar-se com jogadores de grande nível; caso não consiga chegar à liga milionária, é provável que não entre em loucuras e se preocupe principalmente em manter a base do plantel. Em qualquer dos casos, os responsáveis do clube terão de ter em mente o que qualquer adepto laziale deseja: voltar, a longo prazo, aos êxitos do passado.

Foto de Capa: Facebook da Lazio

Tomás da Cunha
Tomás da Cunha
Para o Tomás, o futebol é sem dúvida a coisa mais importante das menos importantes. Não se fica pelas "Big 5" europeias e tem muito interesse no futebol jovem.                                                                                                                                                 O Tomás não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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