Cabeçalho Liga ItalianaNo seu livro, Diego Maradona conta que chegou um dia a Nápoles e construiu uma equipa que viria mais tarde a vencer duas Série A e uma Taça UEFA. Por isso e por tudo o que a história lhe reconhece, foi idolatrado naquela cidade. Só para se perceber como aquela cidade vive os seus jogadores, num Itália-Argentina do Mundial de 1990, em pleno San Paolo, a certa altura do jogo, gritava-se mais pela Argentina de Maradona do que pela anfitriã Itália.

Em 2013/2014 chegava ao sul de Itália  outro argentino, que se viria a tornar na bandeira da cidade nos três anos seguintes. ‘El pepita’ Higuaín vinha de um Real Madrid onde alternava a titularidade com Benzema, mas o faro pelo golo estava intacto. Hoje, depois de fazer a sua melhor época a nível pessoal, o avançado trai um clube, uma claque, uma cidade e sai para o principal adversário na luta pelo scudetto, numa transferência envolta em polémica e que envolve 90 milhões de euros. Por estes dias, por toda a cidade, multiplicam-se as camisolas queimadas com o nome de Gonzalo Higuaín.

Com uma média de quase um golo por jogo (0,90) e 35% dos tentos dos napolitanos em toda a época, o argentino foi crucial para o segundo lugar dos azul celeste. Prova disso é a pior série de resultados da equipa, entre Série A e Liga Europa, que apareceu quando o avançado andou arredado dos golos. Será inevitável perceber como irá o Nápoles suprimir esta perda e até que ponto o bom futebol que a equipa vem apresentando será afetado.

Para já, parece estar encontrado o substituto natural do pepita. Aos 22 anos, Arkadiusz Milik chega a Nápoles depois de duas épocas recheadas de golos no Ajax e de um Europeu igualmente em bom plano. A qualquer hora surgirão as inevitáveis comparações, mas, para já, parece que o polaco tem características que servem de feição ao estilo de jogo da equipa:  capacidade de segurar a bola e aguentar os defesas nas suas costas, enquanto espera pelo apoio frontal dos médios bastante criativos; profundidade atacante e velocidade na transição defesa-ataque – a maior arma dos napolitanos  – e bom jogo aéreo, com enorme capacidade de resposta a cruzamentos dos excelentes extremos que o irão acompanhar.  Contudo, a tenra idade e alguma inexperiência do dianteiro deixa no ar a questão sobre se será suficiente para todas as competições.