Ao fim de doze jornadas de Serie A pode ser difícil reunir consenso para designar qual a melhor equipa, o melhor jogador ou a grande surpresa, mas ninguém tem dúvidas que a maior decepção se chama AC Milan.

Depois do ano passado ter assegurado o terceiro lugar, mesmo nos últimos minutos da Liga, o Milan está nesta temporada bem longe do pódio. Chega a ser chocante olhar para a tabela e ver os rossoneri na décima primeira posição já a dezanove pontos da liderança. Com apenas três vitórias no principal escalão transalpino, o Milan regista um saldo negativo de golos, já que marcou dezassete mas concedeu um total de dezanove.

O cenário é ainda mais estranho se considerarmos que a formação do Norte de Itália manteve o treinador e viu “apenas” sair Kevin Prince Boateng do lote dos jogadores mais influentes no seu plantel. É verdade que o ganês era um jogador muito importante na equipa rossonera, mas a sua saída não pode justificar por completo os péssimos resultados.

Massimilliano Allegri cumpre a quarta temporada à frente dos destinos do Milan, mas depois de ter vencido o título em ano de estreia, o técnico, nascido em Livorno, tem tido dificuldades crescentes com o passar das épocas.

Em termos de jogadores, o último defeso fica marcado, indiscutivelmente, pelo regresso do Kaká, mas também pela contratação de Matri à Juventus. Por outro lado, a equipa manteve nomes importantes, nomeadamente no ataque, com a permanência de Balotelli, Robinho e El Shaarawi.

Balotelli e El Shaarawi. Dupla jovem, irreverente e muito talentosa / Fonte: forzaitalianfootball.com
Balotelli e El Shaarawi. Dupla jovem, irreverente e muito talentosa / Fonte: forzaitalianfootball.com

Jogando preferencialmente num esquema de 4-3-3, Allegri tem optado por colocar, na zona mais recuada, Abbiati na baliza e uma defesa composta por Abate, Mexes, Zapata e Constant. Mais à frente, o meio-campo é normalmente ocupado por Montolivo, De Jong e Muntari, ao passo que no tridente ofensivo, Allegri escolhe de entre o lote formado por: Robinho, Kaká, Matri, Balotelli e El Shaarawi.

Se o cenário interno é negro, não se pode dizer que a nível europeu as coisas estejam muito melhores. No Grupo H da Liga dos Campeões, o Milan tem apenas cinco pontos em quatro jogos, ocupando a segunda posição com apenas mais um ponto do que o Ajax, mais dois do que o Celtic e já a cinco de distância do Barcelona. Resumindo, a formação milanesa tem claramente em risco a passagem aos oitavos de final da prova e mesmo o lugar na Liga Europa não é um dado adquirido.

Longe vão os gloriosos anos do início da década de 90, onde Fabio Capello comandou um Milan arrasador que contava com Maldini, Baresi, Costacurta, Donadoni, Gullit, Boban, Van Basten, Rijkaard, Papin, entre outros.

Trio holandês de luxo formado por Gullit, Van Baten e Rijkaard / Fonte: posterfutebol.wordpress.com
Trio holandês de luxo formado por Gullit, Van Baten e Rijkaard / Fonte: posterfutebol.wordpress.com

Os sinais de intranquilidade estenderam-se já do relvado de San Siro para a tribuna presidencial, onde Adriano Galliani e Barbara Berlusconi, filha do carismático Silvio Berlusconi, têm demonstrado falta de entendimento na estratégia que querem conferir ao clube. As últimas notícias dão conta que Galliani poderá mesmo vir a sair da direcção do clube, depois de vinte sete anos de ligação à formação de San Siro.

Depois de no dia de ontem o Milan ter voltado a marcar passo, devido ao empate em Verona frente ao lanterna vermelho Chievo, chegam rumores que este poderá ter sido mesmo o último jogo de Allegri à frente da equipa.

Sentenciada a hipótese do título logo em Novembro, resta agora ao Milan pensar num possível lugar europeu e numa prestação digna na Liga dos Campeões… mas não vai ser nada fácil.

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