Um dos períodos mais marcantes da história da Humanidade ocorreu em Itália entre os séculos XIV e XVI. Com base na região da Toscânia, nomeadamente nas cidades de Florença e Siena, o Renascimento foi um período de grandes mudanças na cultura, ciência, religião, política, economia e trouxe consigo nomes imortais como Leonardo Da Vinci, William Shakespeare e Galileu.

Cinco séculos depois, ainda em Itália, mas mais a Norte, assistimos a um diferente renascimento, um renascimento desportivo de uma velha senhora que parecia perdida e agarrada às memórias gloriosas do passado. Falo, concretamente, da Juventus.

Equipa mais titulada de Itália, com vinte e nove Ligas no seu museu, a formação bianconera está, nos dias de hoje, a voltar a dominar o futebol transalpino depois de ter atravessado o período mais negro da sua história, onde militou na segunda divisão. Um esquema de corrupção, que ficou conhecido como Calciocaos, levou à descida de escalão da Juventus no final da época 2005/2006, o que provocou a saída dalguns dos principais jogadores da equipa de Turim, como Ibrahimovic e Vieira. Com o nome do clube manchado, e a perder alguns dos seus principais activos, começou aqui o período mais complicado da Juventus, que só a partir da temporada 2011/2012, sobre o comando de Antonio Conte, começou a renascer.

A mudança começou, desde logo, pelo treinador, mas também pela mudança de Estádio, e do reforço claro do plantel. O novo Estádio é menos “frio” que o antigo Delle Alpi, onde os adeptos estavam longe do relvado, devido à pista de atletismo. Este recente reduto marca a nova vida da Juventus, em que os tiffosi apoiam “em cima” do relvado, criando um ambiente infernal para as formações visitantes. Este ano de renascimento trouxe ainda para o plantel da Juve aquele que é um dos mais geniais jogadores da actualidade, não obstante a veterania, Andrea Pirlo.

Pirlo tem sido decisivo na equipa da Juve / Fonte: www. planetf1.com
Pirlo tem sido decisivo na equipa da Juve / Fonte: www. planetf1.com

Este renascimento levou a Juve a conquistar dois campeonatos consecutivos, a recuperar a sua posição constante na Liga dos Campeões e a ser temida pelos principais adversários.

Hoje, está no segundo lugar da Liga, contando com dez vitórias, um empate e uma derrota nos doze jogos já disputados, o que permite estar a apenas um ponto da líder Roma.

Numa corrida ao título que conta, para além da Juve e da Roma, com o Nápoles o Inter e a Fiorentina, os bianconeri parecem, contudo, os mais fortes candidatos à revalidação do scudetto. Jogando essencialmente num esquema de 3-5-2, esta renascida Juve costuma actuar da seguinte forma:

Formação habitual da Juventus / Fonte: lineupbuilder.com
Formação habitual da Juventus / Fonte: lineupbuilder.com

Buffon, com 35 anos, parece eterno na baliza da equipa de Turim. Continua a dar sinais de que é um dos melhores jogadores na sua posição e é amado pelos tiffosi, já que não abandonou o barco, mesmo quando a Juve se afundou na segunda divisão.

Na defesa, Chiellini é um dos símbolos da Juventus e pode fazer o corredor esquerdo. Caceres toma conta do lado direito e é Andrea Barzagli a comandar na zona central.

Mais à frente, um meio-campo de luxo. Pirlo é genial no passe, na visão de jogo, na cobrança de livres; enfim, um autêntico fora de série, um puro génio, capaz de virar um jogo de pernas para o ar. Marchisio partilha com Pirlo as tarefas mais defensivas da zona intermediária e Pogba é a nova estrela de Turim. O jovem francês de apenas vinte anos de idade tem tudo para ser um dos melhores jogadores do mundo na sua posição, já num futuro muito próximo. Pogba tem força, velocidade, excelente posicionamento no terreno e uma facilidade de remate incrível. Nas alas, Asamoah e Vidal são os homens que dão velocidade e jogo exterior à vecchia signora.

Finalmente, no ataque, mais dois grandes jogadores: Tevez e Llorente. Para além do argentino e do basco, Conte tem ainda à disposição Vucinic, Giovinco e Quagliarella.

Um plantel de luxo, a fazer recordar os velhos tempos da toda poderosa Juventus. Um grupo capaz de dar alegrias aos seus tiffosi, um grupo capaz de continuar a perpetuar este “renascimento juventino” que nasceu em Agosto de 2011.

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