Quando falamos do SSC Nápoles há um nome incontornável que, por tudo aquilo que representa para o clube, lhe é indissociável. Esse nome é Diego Armando Maradona. Afinal foi com ele que, na década de 1980, a equipa italiana conseguiu vencer os seus dois únicos campeonatos nacionais e o seu único título europeu, a chamada Taça UEFA, atual Liga Europa.

O clube do sul de Itália tem já 93 anos de história e apenas arrecadou 12 taças para o seu museu. O seu ADN nunca foi o de equipa vencedora, mas nos últimos anos tem vindo a conseguir boas performances, principalmente no que diz respeito às provas internas.

No entanto, este ano a situação parece um pouco diferente, uma vez que a equipa não está a ter os resultados esperados, encontrando-se já no sétimo lugar do campeonato, com o risco de ver fugir o acesso à Europa pelo qual há sempre uma grande disputa, particularmente em Itália onde existem sete ou oito equipas muito competitivas.

A nível europeu a posição é um pouco mais confortável. Contando com oito pontos nos primeiros quatro jogos, a equipa de Carlo Ancelotti depende de si própria para avançar para os oitavos de final da Liga dos Campeões, faltando apenas uma vitória para deixar para trás a equipa do RB Salzburg, que se encontra no terceiro lugar do grupo. Quase apurado está o Liverpool FC, atual detentor da competição.

O comando técnico da equipa foi assumido pelo treinador italiano em maio do ano passado, pelo que esta é a sua segunda época na liderança da turma Azzurri. Carlo Ancelotti encontra desta vez um desafio diferente, que parece não estar a correr da forma que pretendia. A equipa ainda não conseguiu impor o seu futebol, o que faz com que só no campeonato levem já quatro empates e três derrotas em apenas 12 jogos realizados.

Regularmente distribuída num 4-4-2 clássico e caracterizada por ter uma coesão defensiva acima da média, a equipa mostra ser um conjunto recheado de bons jogadores, razão pela qual há uma grande rotação de jogo para jogo. Ainda assim é de destacar que o plantel é formado com base em alguns pilares fundamentais que estão quase sempre presentes no 11 inicial. É o caso de Di Lorenzo, Koulibaly, Zielinski, Fabián Ruiz e das três setas da frente de ataque, Lorenzo Insigne, Dries Mertens e José Callejón.

A equipa do Nápoles não ganha já há cinco jogos, tendo a última vitória sido contra o Salzburg a 23 de outubro, a contar para a Liga dos Campeões
Fonte: SSC Napoli

Falando um pouco da época em si, a equipa napolitana teve um arranque bastante positivo, arrecadando nos primeiros seis jogos 12 dos 19 pontos que tem atualmente. Verdade seja dita, a realidade podia ser um pouco diferente.

Se recuarmos até à segunda jornada do campeonato, com certeza nos iremos lembrar daquele autogolo de Koulibaly aos 92 minutos frente à Juventus FC que, nesse jogo, havia permitido uma recuperação de três golos à equipa visitante em apenas 15 minutos. Efetivamente, isto representaria apenas mais um ponto na tabela classificativa, mas é certo que, arrecadando esse empate, o nível anímico da equipa seria muito mais elevado, podendo, ou não, fazer com que os jogos seguintes fossem diferentes.

Até aí tudo bem. Mas os alarmes começam a soar quando se constata que nos últimos cinco jogos para todas as competições apenas amealharam quatro pontos. A contar para o campeonato, a última vitória foi no Estádio San Paolo, quando derrotou o Hellas Verona FC por 2-0 e se encontrava no quarto lugar da competição. A partir daí foi sempre a descer, contando agora com três empates e uma derrota.

Talvez a isso se deva o momento de intranquilidade que o clube agora atravessa. A direção, a equipa técnica e os jogadores parecem ter aberto uma pequena guerra, depois do dirigente máximo do clube ter pedido que estes ficassem concentrados no centro de estágio “Castel Volturano” até ao jogo seguinte, que seria com o Génova. Acontece que os jogadores decidiram desrespeitar as ordens do presidente, e seguiram diretamente para casa nas suas viaturas particulares. Por sua vez, o treinador não compareceu na conferência de imprensa depois da partida frente aos austríacos do Salzburg. A direção já disse que iam ser tomadas medidas e a saída de Ancelloti do clube é também uma possibilidade.

Apesar de toda esta instabilidade creio que todos temos a convicção de que a equipa não se vergará. Meios não faltam, e tempo para remediar a situação também não. A caminhada é longa e há ainda 26 novas oportunidades para chegarem ao patamar que pretendem. O primeiro e o segundo lugar são já difíceis, uma vez que parecem estar confinados às turmas de Murizio Sarri e Antonio Conte, que prometem uma disputa acesa pelo título até ao fim. Sobram ainda dois lugares de acesso à Liga dos Campeões, e esse será o grande objetivo traçado para o final da época.

No que diz respeito à Europa, a meta de alcançar os oitavos de final da grande competição mundial de clubes parece estar muito perto de ser alcançada. Resta-nos agora esperar, ver até onde conseguem chegar, e que alegrias conseguem dar aos seus adeptos que são conhecidos pela sua imensa paixão e fanatismo.

Foto de Capa: SSC Napoli

artigo revisto por: Ana Ferreira

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