Real Madrid: O grande mérito de Zidane

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Há um ano atrás, dia 21 de novembro 2015, o Real Madrid CF era humilhado em casa pelo FC Barcelona, que nem precisou de Messi para ir ao Santiago Bernabéu golear os blancos por 0-4. Dois golos de Suárez, um de Neymar e outro de Iniesta expressaram no marcador a diferença de qualidade que se viu em campo. O Real Madrid de Rafa Benítez batia no fundo.

O contraste com a atual situação não podia ser maior. Se há um ano o Real era goleado em casa, no sábado passado foi ao Calderón vencer o Atlético de Madrid por claros 0-3. Se há um ano estava em terceiro lugar, a seis pontos do líder Barcelona e a dois do Atlético, hoje o Real Madrid é líder isolado, com quatro pontos de avanço sobre o Barça e nove sobre o Atlético (que é sexto classificado), acumulando já trinta jogos consecutivos sem derrotas. Entretanto, o Real Madrid foi campeão europeu, venceu a Supertaça Europeia e, no campeonato passado, disputou o título até à última jornada, terminando a apenas um ponto do campeão Barcelona.

Benítez nunca conseguiu conquistar os seus jogadores Fonte: Real Madrid C.F.
Benítez nunca conseguiu conquistar os seus jogadores
Fonte: Real Madrid C.F.

É que houve uma mudança importante desde há um ano: na altura, Benítez era treinador do Real e Zidane treinava o Castilla, nos escalões secundários. Agora, Zidane treina o Real Madrid e Benítez treina o Newcastle, na segunda divisão inglesa. O destino de Benítez no Real Madrid ficou traçado no dia da goleada com o Barcelona, ainda que a sua agonia no comando técnico do clube tenha durado até janeiro. Ainda antes da troca de treinadores, escrevi aqui no Bola na Rede sobre Zidane: “se é bom treinador ou não, ninguém sabe ainda, mas, pelo menos, tem carisma e boa imagem, que parece ser o mais importante no Real Madrid.” Ora, hoje já podemos dizer mais coisas.

Mantenho que ter boa imagem e estatuto é fundamental para um treinador neste tipo de equipas, porque, frequentemente, os jogadores têm mais poder do que o treinador. Zidane tomou algumas decisões iguais às de Benitez, mas que foram recebidas de forma completamente diferente pelo público e, mais importante, pelos próprios jogadores. Por exemplo, quando Benítez deixava James no banco, era criticado por estar a desaproveitar o talento do colombiano. Quando chegou Zidane e James passou a jogar ainda menos, as críticas que antes eram dirigidas ao treinador, passaram a ser dirigidas ao jogador: James é que é visto agora como o culpado por estar a desaproveitar o seu talento e até já tem fama de treinar mal. Outro exemplo é a utilização de Casemiro. Quando Benítez o colocava em campo, era acusado de ser um treinador defensivo e medroso. Quando Zidane fez do brasileiro uma peça chave na sua equipa, essa aposta passou a ser considerada inteligente e corajosa.

Eduardo Botelho
Eduardo Botelhohttp://www.bolanarede.pt
Se os passes de letra existissem literalmente, o Eduardo talvez tivesse dado jogador de futebol. Assim, limita-se às reviengas literárias. A viver em Barcelona, tem vista privilegiada para a melhor liga do mundo.                                                                                                                                                 O Eduardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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