Eduardo Camavinga | Uma pérola no centro do terreno

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Eduardo Camavinga acaba de ser confirmado como reforço do Real Madrid CF e eu quis contar-vos a história que “inventei” sobre ele.

Já dizia Jean-Claude Carrière que as histórias são moedas que passam de uma pessoa para a outra e que, no fim, reúnem um tesouro. O mundo é feito de histórias e o Futebol, esse fervoroso inquietador de corações sensíveis, não poderia ser exceção. 

Imagino uma mãe dura, mas carinhosa, em mais um dia em que o sol, quando nasce, é para todos. É com uma força indestrutível que se obriga constantemente a recordar isso e é assim que, lutando contra um quase perpétuo cansaço, salta repentinamente da cama e dirige-se para o quintal onde muito há a fazer. O sol vai começando a acordar, abrindo timidamente os olhos esbugalhados por detrás daquela montanha. Cheira à chuva da noite passada e a brisa gelada, cortante, é típica das zonas rurais do noroeste francês. Não faz mal. É com o trabalho que se esquentam o corpo e a mente.

Dentro de casa, no balcão da cozinha, vai acompanhando pela janela a ascensão gloriosa do ainda pequeno sol que já a conforta, enquanto prepara as refeições para os seis filhos que, à partida, ainda dormem tranquilamente. Perde-se entre pensamentos cruzados de sonhos e do que ainda lhe falta fazer naquela manhã.

O marido levanta-se todos os dias antes dela sem nunca a acordar. Escuta atentamente o bater de pés, a abertura da porta e o pousar do casaco desgastado pelos dois tempos. Sorri ao de leve e fica à espera de vê-lo entrar na cozinha para lhe desejar os bons dias e ouvir que o cheirinho a café está particularmente bom, hoje. De repente, distraída, esquecendo até que tem a água ao lume, dá um pequeno grito tosco. Mais um estrondo na sala. O marido, sabendo o que aí vem, dirige-se para o fogão.

Imagino que exclama um profundamente exaltado “Ça suffi, Eduardo! C’est fini!” ao ver que o terceiro mais velho da equipa está novamente a praticar os seus dotes de judoca, o que implica mais uma peça de loiça partida. É de cabeça baixa que o petit garçon admite o erro e, respeitador, parte de imediato para a limpeza do aparato.

Consta que Eduardo Camavinga era até bastante bom no Judo, influenciado pelo pai que também praticou a modalidade. Contudo, a derradeira efervescência da mãe teve com toda a certeza uma grande influência no percurso do filho, pois foi com o medo de que partisse a casa toda que o convenceu a dedicar-se ao Futebol. Realmente, mais valia partir tudo dentro de campo. 

Filho de refugiados congoleses, o pequeno sorridente nasceu a 10 de novembro de 2002, em Angola, e a família mudou-se para França aos seus dois anos. Fora o episódio “inventado”, houve um outro indubitavelmente determinante para o desenvolvimento da narrativa. 

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