O grande momento de 2019 não podia ser outro. A dupla conquista de Jorge Jesus em menos de 24 horas, ao serviço do Flamengo, deu muito que falar nos corredores do futebol mundial. Sim, leu bem. Mundial! Vencer a Copa dos Libertadores e o Brasileirão num curto espaço de tempo é um feito louvável.

23/11/2019 : Frenético, Esplêndido e Remontada

(21:56 em Portugal, 16:56 em Lima):A capital do Peru foi o palco que acolheu a sempre empolgante e vibrante final da Libertadores, disputada entre River Plate e Flamengo, ambos com percursos interessantes até à grande decisão da competição. Já era do conhecimento público que Jorge Jesus, enquanto treinador, perdera várias finais, nomeadamente ao cair do pano.

Desta vez, tudo foi diferente. A perder desde cedo, a formação brasileira nem fez uma exibição por aí além, mas revelou ter a eficiência necessária para alcançar a glória. E imagine-se só…tudo aconteceu ao cair do pano: Gabigol empatou a partida aos 89’ e tratou de assinar a reviravolta no mítico minuto 90’+2’ para euforia de todos os adeptos do Mengão.

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Festejou JJ, festejaram os flamenguistas e festejaram ainda milhares de portugueses que vibraram com a tremenda conquista do técnico português. A América do Sul estava aos pés do treinador de 65 anos e os festejos apoderaram-se das ruas do Rio de Janeiro durante umas boas horas, até que…

Momento em que o Flamengo ergueu a sua segunda Copa dos Libertadores
Fonte: CONMEBOL Libertadores

24/11/2019: História, Formidável e Inigualável

(20:55 em Portugal, 17:55 no Rio de Janeiro): …a festa subiu de tom, com a já esperada conquista do Brasileirão. Parecia predestinado, embora o timing não tivesse sido unânime entre toda a nação flamenguista. Havia quem (JJ inclusive) preferisse esperar mais quatro dias para poder festejar novamente outro título na receção ao Ceará, mas também havia quem preferisse um resultado negativo do Palmeiras diante do Grêmio naquele fim de semana, podendo, assim, festejar-se dois títulos em menos de 24 horas.

E assim foi…o segundo classificado foi derrotado em casa e perdeu toda e qualquer possibilidade matemática de chegar à liderança do campeonato, entregando o título ao Flamengo bem antes de voltar a entrar em campo. A partir daí, o objetivo passou a ser encarar todos os jogos com a máxima seriedade e tentar bater os recordes até então estabelecidos. E claro, sempre com o Mundial de Clubes em mente. Não fosse JJ um técnico tão ambicioso…

Jorge Jesus não esqueceu as suas origens no momento da glória
Fonte: CONMEBOL Libertadores

É certo que o treinador português não é propriamente alguém que seja adorado por todos no mundo do futebol, muitas vezes com o ego no seu auge e capaz de irritar os adversários, mas o seu trabalho no Brasil merece o máximo respeito possível. A juntar a todo o mérito que possui, Jorge Jesus, desta vez, soube como responder aos críticos, tendo-o feito dentro das quatro linhas. Com resultados, não com palavras.

A felicidade que não tinha estado com Jesus noutras ocasiões da sua carreira – as duas finais europeias consecutivas ao serviço do Benfica são exemplo disso – apareceu na altura em que todos já o julgavam, mais uma vez, como derrotado. Houve, por isso, uma vingança aos célebres tempos de compensação que o atormentaram por diversas vezes, podendo então premiar o “seu” Flamengo com a segunda Copa dos Libertadores da História.

A qualidade exibicional aliada aos resultados estrondosos que o técnico foi conseguindo guiou também o Mengão ao sétimo Brasileirão, precisamente dez anos depois do último campeonato. E tê-lo feito, na prática, num curto espaço de tempo, ficará para sempre na história do Flamengo. Com 65 anos, Jorge Jesus deixou a sua marca no Brasil e isso pode não ficar por aqui.

Foto de Capa: CONMEBOL Libertadores