Passamos por tempos difíceis, o Mundo está a mudar e ninguém sabe quando isto irá passar. O coronavírus “entrou” por nossa casa através das televisões, da internet, da rádio. Tudo gira à volta dele, mudou os nossos dias, a nossa rotina. Parou escolas, universidades, lojas, comércios inteiros. Parou a economia. Parou o Mundo.

Mil preocupações giram na nossa cabeça, todas elas legítimas. Temos de ter cuidado. Temos de ficar em casa. Temos de lavar as mãos. Mil e uma coisas. Todas elas muitíssimo importantes, muitas vidas dependem delas. Mas, e apesar de tudo, a vida continua e, na sequência disto, serve este artigo para olharmos para a coisa mais importante, das coisas menos importante – leia-se Futebol.

A generalidade dos campeonatos europeus estão suspensos e com a impossibilidade de, neste momento, recomeçar – ou de ter ideia de quando e se será possível recomeçar –, surgem dúvidas quanto ao desfecho das várias competições ainda em aberto. Vou então expor aqui algumas possibilidades que têm sido colocadas em cima da mesa e referir aquela que, para mim, seria a mais correta de acontecer.

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Uma das possibilidades que surge é a de cancelar as competições em aberto. Bem, acho que esta é capaz de ser a pior solução, primeiro porque eliminaria todo o esforço que milhares de pessoas fizeram ao longo de meses, nas suas respetivas equipas; segundo porque significaria um elevado rombo nas contas dos clubes, que perderiam grandes volumes de receitas, o que poderia levar a algumas falências e a vários clubes – e consequentemente jogadores, equipas técnicas, staffs, (no limite famílias inteiras) – a ter problemas financeiros; e por último porque deturparia a verdade desportiva do que já aconteceu (muitos dos campeonatos europeus parados já tiveram mais de dois terços dos seus jogos disputados), o que levaria a injustiças como a não atribuição de títulos quase certos, pela vantagem pontual que já levavam clubes como o Liverpool e o PSG.

Outra possibilidade falada é a de dar por terminados os campeonatos dos países e homologação das respetivas classificações. Mais uma hipótese que não considero correta, nem uma outra derivada desta que é a de homologar os campeonatos com as classificações do final da primeira volta, ambas por razões semelhantes como a falta de verdade desportiva, uma vez que na primeira situação ainda faltariam jogar jogos importantes entre equipas a lutar pelos mesmos objetivos e onde tudo poderia mudar, e na segunda situação, além desta mesma razão, existe ainda o fator de que já existiram mudanças significativas na classificação desde o final da primeira volta até à interrupção dos campeonatos, como por exemplo o que aconteceu no campeonato português, onde o SL Benfica liderava confortavelmente no final da primeira metade da época e, neste momento, já tudo mudou, liderando o FC Porto após uma troca de posição entre os dois clubes. Além disso, e mais uma vez, são possibilidades com implicações ao nível da tesouraria dos clubes, um pouco por toda a Europa.

A hipótese talvez mais apoiada na generalidade, inclusivamente pela UEFA, é a de acabar as competições. Eu concordo. É a única que anula (ou, pelo menos, atenua) os problemas financeiros dos clubes, que dá verdade desportiva – e justiça – ao trabalho já realizado, e a que mais satisfaz os adeptos da bola, porque traz a emoção que ficou a meio, porque volta a trazer a luta acesa que se sentia em vários campeonatos por essa Europa fora – seja pelo título de campeão, pela luta do apuramento para as competições europeias ou pela fuga à despromoção -, porque devolve a esperança que algumas equipas tinham em fazer alguma gracinha, tanto no “consumo” interno, como nas competições europeias, porque devolve a esperança, o sonho, a alegria, a emoção.

Com esta última hipótese surgem algumas questões. Quando deve recomeçar a época? Até quando? Será preciso uma “mini pré-época”? De quanto tempo? E como será a época seguinte? Haverá menos tempo de paragem entre épocas? Começará mais tarde? Será possível realizar os jogos à porta aberta? É certo que são perguntas pertinentes, mas acho que mais que pensar nas implicações que isto trará à próxima época, temos de perceber, que, aconteça o que acontecer, essas implicações vão existir, como já aconteceu com o adiar do Euro 2020 para 2021 – que permite dar mais tempo para acabar a presente época e, portanto, “apoia” esta última hipótese.

A verdade é que vão continuar a existir “ses” e, neste momento, não temos respostas às perguntas anteriores. Mas podemos (e devemos) dizer que a época deve acabar, mais cedo ou mais tarde. Não devemos deixar nada a meio na vida, tudo deve ter um fim, mais demorado, mais tardio, mais difícil, mais complicado. Não interessa! O que interessa é que no final estejamos todos juntos, num estádio ou no café da esquina, a festejar um golo do nosso jogador favorito, o triunfo da nossa equipa, ou então, “simplesmente”, a vitória perante um adversário que abalou a Vida Humana, mas que no fim, tal como todos os outros, sucumbiu perante a (nossa) Humanidade.

 

Artigo revisto por Joana Mendes