Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Para os leitores mais confusos, o titulo em polaco tem uma explicação. Vou falar obviamente neste artigo sobre os irmãos Paixão, que estão na Polónia já há seis temporadas, e são ambos considerados estrelas do campeonato local. Não conheço nenhum dos irmãos pessoalmente, mas visto que a esmagadora maioria da sua fan base corresponde a adeptos polacos penso que nesta altura haja um pouco de polaco dentro de cada um deles, dai eu ter optado pela apresentação “nós somos os irmãos Paixão’’, mas na língua que eles certamente estarão fartos de ouvir (e provavelmente de não entender metade das coisas que são ditas, a língua polaca tem destas coisas).
Naturais da vila de Sesimbra, a carreira dos irmãos Paixão tem sido pautada pelo acompanhamento que fazem um ao outro, poderemos mesmo dizer que para além de gémeos são inseparáveis. Depois de terem feito toda a formação no clube local, Grupo Desportivo Sesimbra, ambos se transferiram para o Futebol Clube do Porto em 2005/2006 onde jogaram uma temporada na equipa B, esta seria também a última temporada que ambos jogariam em Portugal até agora.
Em 2006/2007 e após o termino das equipas B ambos embarcaram na primeira experiencia no estrangeiro em conjunto, o destino seria a Espanha. Flávio Paixão seguiu para o CF Villanovense e Marco para o Club Deportivo Guijuelo. Ficariam três temporadas em Espanha, Flávio após se destacar no extinto clube espanhol, Club Deportivo Benidorm, na terceira divisão espanhola e Marco no Cultural Leonesa da mesma divisão, seguiriam ambos para o clube escocês da primeira divisão, o Hamilton Football Club.

Fonte: Willie Vass
E é na Escócia que podemos dizer que os irmãos Paixão dão definitivamente o “salto” para a ribalta, onde passam a ser mais reconhecidos pelos media portugueses, onde começam por tomar contacto com a primeira liga de um país e acima de tudo onde voltaram a jogar em conjunto depois de três temporadas no mesmo país, mas separados. Duas épocas tranquilas na Escócia, onde o Hamilton andou sempre pelo meio da tabela, e nova aventura em conjunto para o estrangeiro, desta vez o destino seria o Irão. Flávio Paixão mudava-se para o Tractor Club e o Marco Paixão para o Naft Tehran.
Flávio Paixão dava-se melhor por terras iranianas e iria mesmo encontrar na sua segunda temporada no Tractor Club um treinador português, o “grande” Toni, figura celebre benfiquista, que trouxe consigo o avançado Anselmo e o médio João Vilela, certamente que este foi um fator importante para se causar a primeira “separação” dos irmãos gémeos, visto que Marco Paixão seguiu para o Chipre após uma temporada no Irão, o avançado português mudou-se para o Ethnikos Achnas. Pela primeira vez nas suas carreiras estes irmãos jogavam em países diferentes, estávamos na temporada 2012/2013. A aventura no Chipre não seria nada boa para Marco Paixão que se viu metido num “imbróglio” que só foi resolvido na FIFA por causa de salários em atraso.
Mas não seria para durar esta separação e apenas após uma temporada separados os dois irmãos acabaram por se juntar outra vez. Marco Paixão depois de deixar o Ethnikos Achnas juntou-se ao Slask Wroclaw no inicio da temporada, clube que lhes abriu as portas do futebol polaco, depois de fazer meia-época “sozinho” na Polónia o ano 2014 abria com o anuncio da contratação do outro irmão, Flávio Paixão. Estava então assim consumado o regresso da dupla e outra vez para jogarem no mesmo clube. Os dois irmãos rapidamente iriam demonstrar a este clube que não foram uma aposta em vão e logo na primeira temporada Marco Paixão marca um total de 22 golos no campeonato polaco, o mesmo número de golos que o melhor marcador dessa temporada Marcin Robak.
A reputações destes dois jogadores crescia muito na Polónia, após diversas grandes exibições, e se tinha sido Marco Paixão a destacar-se individualmente na época de 2013/2014 ,pelo número de golos marcados, na época seguinte seria a vez do seu irmão conseguir o segundo lugar na tabela dos melhores marcadores da liga polaca com 19 golos, apenas menos um golo do que o melhor marcador, Kamil Wilczek. Coletivamente o Slask Wroclaw acabava a temporada em quarto lugar.
Após duas épocas individualmente bem conseguidas chegava a hora de uma nova separação ocorrer, uma oportunidade impossível de dizer-se que não surgia a Marco Paixão, o clube histórico checo Sparta de Praga estava interessado nele, era a oportunidade de se impor num clube grande do país onde joga, era a importante de jogar as competições europeias. Marco Paixão partiu para esta aventura sozinho deixando o seu irmão Flávio no Slask Wroclaw.

Fonte: AC Sparta Praga
Mas estava visto que os dois irmãos não se dão bem separados e a experiencia de Marco Paixão na República Checa revelou-se um fracasso. Apenas três jogos na Liga Checa e após meia época no Sparta de Praga o avançado português regressou para onde tinha sido mais feliz na sua carreira, para o futebol polaco. Marco Paixão ingressava no Lechia Gdansk e desde o momento da sua assinatura que na Polónia se falava que o seu irmão iria (novamente) juntar-se a ele, pois o contrato entre Flávio Paixão e o Slask Wroclaw expirava em seis meses pelo que o jogador português era livre para negociar com quem quisesse, não é por isso de estranhar que as noticias veiculadas pela imprensa polaca de um suposto pré-acordo entre Flávio Paixão e o Lechia de Gdansk tivessem veracidade.
A separação entre o extremo-direito português e o Slask Wroclaw não se augurava fácil, e o clube polaco após ter conhecimento deste pré-acordo colocou o jogador português a treinar à parte exigindo uma compensação financeira para libertar o jogador no imediato. Após um período de alguma indecisão o Lechia de Gdansk e o Slask Wroclaw chegavam a um acordo e Flávio Paixão iria juntar-se ao seu irmão em Gdansk, o Lechia pagou uma verba a rondar os 800 mil euros para ter o jogador no imediato.
A época passada marcaria o percurso dos irmãos Paixão na Liga Polaca, Marco Paixão ficaria, outra vez, em segundo lugar da tabela de melhores marcadores com 17 golos e coletivamente estiveram mais perto do que nunca de se sagrarem campeões, é que o Lechia Gdansk terminou a temporada em segundo lugar com 42 pontos apenas menos dois do que o campeão, Legia de Varsóvia.
Os irmãos Paixão mudaram um paradigma na liga Polaca e abriram a porta aos jogadores portugueses para este país. Desde que os dois se mudaram para a Polónia já passaram inúmeros jogadores português por lá, destacando desde logo Orlando Sá que esteve uma época e meia no Legia de Varsóvia onde conquistaria uma Liga Polaca e uma Taça da Polónia. O próprio Lechia Gdansk é neste momento uma equipa com bastantes caras conhecidas do futebol português, para além dos já referidos Marco e Flávio Paixão, fazem parte do plantel ainda: Romário Balde, João Nunes e Steven Vitória.

Fonte: Facebook Oficial de Marco Paixão
Este clube polaco estabeleceu uma parceria com o Benfica que já se concretizou pelas transferências de João Nunes e Steven Vitória em definitivo e de Mato Miloš por empréstimo, em sentido inverso vieram Przemyslaw Macierzynski por empréstimo e Pawel Dawidowicz em definitivo.
No meio de tudo há uma coisa que falta na carreira dos gémeos Paixão: os títulos. Apesar de já ambos se terem destacado individualmente dentro da Liga Polaca, ainda não foi possível “transportar” este destaque para o coletivo e os irmãos apesar de uma carreira muito movimentada não conseguiram ser campeões em nenhum lado.
Estando já ambos com 33 anos de idade começam a entrar naquela fase do “ é agora ou nunca” e após seis temporadas no futebol polaco já mereciam definitivamente algum titulo coletivo, mas as coisas não estão fáceis, após o segundo lugar da época passada o Lechia Gdansk ocupa neste momento o 11ª lugar da Liga Polaca, lugar esse que não dá acesso ao play-off de campeão, mas sim ao play-off de despromoção. Vamos esperar para ver o que a carreira destes dois irmãos lhes reserva e se será possível ainda um regresso a Portugal para jogar na nossa Primeira Liga, onde eles nunca jogaram.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Marco Paixão














