“Lewandowski merecia a bola de ouro”

Estas foram as palavras de Jerome Boateng, que não teve dúvidas em afirmar que Robert Lewandowski foi um dos principais afetados pelo cancelamento da entrega da Bola de Ouro em 2020. No fundo, o central alemão apenas verbalizou uma ideia que parece estar na cabeça de muitos adeptos.

Vamos por partes: a pandemia causada pelo Covid-19 cancelou o prémio da Bola de Ouro 2020, entregue pela France Football. Apesar de ainda existir o prémio “Best” da FIFA, que este ano não deverá fugir ao polaco, a verdade é que o prémio mais cobiçado do mundo do futebol não vai ser entregue pela primeira vez desde 1956. A revista francesa justificou a decisão referindo que não existem condições justas para a tradicional premiação acontecer. Imediatamente, a internet e as redes sociais reagiram de maneira negativa, instalando-se uma ideia de que alguns jogadores seriam bastante prejudicados, com especial enfoque no atacante Robert Lewandowski, do FC Bayern de Munique, apontado de forma quase unânime como o melhor jogador da temporada na Europa.

O jogador polaco, apesar de estar há vários anos ao mais alto nível e apresentar sempre números fantásticos, está claramente no auge da sua carreira. Não só por ser uma máquina goleadora, mas igualmente por trabalhar muito bem outros aspetos do jogo, como a abertura de espaços, assistências ou a leitura de jogo.

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O presidente do Bayern, Karl-Heinz Rummenigge, juntou-se ao clube de fãs do jogador, referindo que o polaco vive o melhor ano da carreira e por isso merecia ser coroado com uma Bola de Ouro. O presidente alemão afirmou ainda que pondera solicitar à Fifa o reconsiderar do cancelamento do evento. Também Hansi Flick, treinador dos bávaros, e Lothar Matthaus, lenda do clube alemão, alinharam no mesmo discurso.

A extraordinária temporada de Robert Lewandowski ao serviço do Bayern Munique – apontou 55 golos em 47 jogos – permite-nos dissipar dúvidas e afirmar que o dianteiro polaco é, nesta altura, o melhor jogador do mundo. Se os números em “bruto” já impressionam (mais golos do que jogos), percebe-se a magnitude dos feitos alcançados quando verificamos que além de ter conquistado os três principais troféus da época a nível coletivo (campeonato, taça e Liga dos Campeões), do ponto de vista individual foi o melhor marcador de todas as competições em que participou. Além disso, este ano ficou a apenas uma assistência de terminar a Liga dos Campeões como o jogador com mais assistências.

Lewandowski, que é o quarto maior artilheiro da história da Liga dos Campeões, com um total de 68 golos, quebrou o domínio do português Cristiano Ronaldo e do argentino Lionel Messi, ​​que foram dividindo o título de melhor marcador da competição nas últimas 12 temporadas.


Desculpem a insistência, mas o melhor jogador do mundo chama-se Lewandowski, ponto final. Se as competições quase todas terminaram, se os jogos foram feitos até ao final, não existe motivo para não atribuição do prémio por parte da France Football. Será receio de terminar com o domínio “Cristiano Ronaldo – Messi”?

Sou grato de ter assistido ao futebol que nos foi oferecido por dois monstros como Cristiano e Messi, mas está na altura de abrir a janela de oportunidades e olhar com outros olhos para jogadores como Lewandowski, De Bruyne ou Sadio Mané (já para não falar nos sempre esquecidos defesas) que há vários anos reivindicam um lugar dourado nos pódios do futebol.

Este deveria ser o ano ideal para isso, afinal de contas estamos em 2020, o ano em que tudo acontece.

Artigo revisto por Joana Mendes