A CRÓNICA: INVENCIBILIDADE QUEBRADA

A cidade israelita de Telavive recebeu a grande decisão da Supertaça Francesa, entre LOSC Lille e Paris Saint-Germain FC, que procuravam iniciar a temporada da melhor forma. O duelo acabou por sorrir aos campeões nacionais, graças a um grande golo de Xeka à beira do intervalo, perante um PSG muito desfalcado.

O Lille conseguiu ser protagonista nos primeiros minutos, com destaque para a oportunidade madrugadora a partir de um livre direto cobrado por Yilmaz, enfrentando um Paris SG que até se apoderou da bola pouco depois, mas não conseguia encontrar o caminho da baliza adversária. Seguiu-se um período mais “amarrado” do jogo e só a pausa para hidratação permitiu afinar alguns pormenores, de parte a parte. Os parisienses ameaçaram Léo Jardim em duas investidas de Draxler e Hakimi e o Lille não tardou em responder a partir de transições rápidas, levando sempre mais perigo à baliza de Navas.

Quando já se perspetivava um nulo ao intervalo, eis que um momento de magia apareceu e mudou tudo. Na sequência de um lançamento lateral, Yilmaz soube proteger o espaço e temporizar a bola, entregou para Xeka e o português adiantou o Lille na frente do marcador, com um potente remate de fora da área. Um golo para ver e rever!

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No regresso dos balneários, os dogues sabiam da importância que teria o espírito de entreajuda para proteger o resultado (sempre com vista ao contra-golpe), enquanto que os parisienses não tinham outra alternativa senão a de correr atrás do resultado. Como seria expectável, a bola voltou a estar do mesmo lado durante grande parte do tempo, mas o Paris SG raramente soube o que fazer com ela.

Até ao último um quarto de hora (altura em que Icardi viu um golo ser-lhe invalidado por fora de jogo), a formação de Paris apenas tinha ameaçado num cabeceamento de Diallo, o que evidenciava as dificuldades sentidas para criar e finalizar jogadas. O duelo partiu-se nos últimos minutos e o PSG voltou a ameaçar da mesma forma, com os cabeceamentos de Danilo e Thilo Kehrer a serem travados por Léo Jardim.

O Lille repete o resultado da final da Taça de França de 2011 (novamente contra o mesmo adversário) e conquista a primeira supertaça francesa, quebrando uma série de oito anos consecutivos em que o troféu seguiu sempre para Paris. Desta vez, vai para a cidade de Lille.

 

A FIGURA

Xeka – Com muito poucos erros cometidos na construção, Xeka fez uma exibição consistente e acabou por marcar aquele que foi o único golo do encontro. O médio português revelou ser muito eficaz no passe, travou algumas das investidas do adversário no corredor central e ainda alcançou a proeza de ser feliz no único remate de que dispôs. Acaba por ficar ligado à História do jogo e, fundamentalmente, à História do clube.

O FORA DE JOGO

Abdou Diallo – Não foi um jogo feliz para o senegalês. O corredor esquerdo não foi propriamente a opção preferencial do Paris SG na hora de construir, mas nas vezes que foi solicitado, Abdou Diallo raras vezes correspondeu ao que era exigido. Falhou muitos passes, perdeu vários duelos e cometeu faltas desnecessárias. Beneficiou ainda de uma grande oportunidade para empatar o jogo, mas atirou ao lado quando se pedia muito melhor.

 

ANÁLISE TÁTICA – LOSC LILLE

Após uma temporada que coroou o Lille como campeão nacional de França, Jocelyn Gourvennec sucedeu a Christophe Galtier e manteve o 4-4-2 habitualmente usado. Ainda assim, procedeu a algumas alterações forçadas e com particular destaque para o facto de ter colocado todos os portugueses do lote de convocados no “onze” inicial (Tiago Djaló e José Fonte na defesa e Xeka no meio-campo).

Após uma entrada mais forte, o Lille atravessou alguns períodos do primeiro tempo com pouca bola, mas posicionou-se de forma letal para anular a criatividade das peças do PSG. A ideia passava claramente por recuperar a bola e sair rápido para o contra-ataque, de tal forma que, quando isso aconteceu, os campeões franceses sabiam sempre como visar a baliza contrária. Com o golo a fechar o primeiro tempo, a missão defensiva ganhou uma maior preponderância na estratégia para a segunda parte e isso ficou visível durante praticamente todo esse período, com um bloco mais baixo. As substituições mantiveram a frescura e ajudaram a equipa de Gourvennec a conservar a vantagem preciosa que traziam do primeiro tempo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Léo Jardim (8)

Reinildo Mandava (6)

Sven Botman (7)

José Fonte (7)

Tiago Djaló (7)

Jonathan Bamba (6)

Benjamin André (7)

Xeka (8)

Luiz Araújo (6)

Burak Yilmaz (7)

Jonathan David (5)

SUBS UTILIZADOS

Timothy Weah (6)

Yusuf Yazici (5)

Jonathan Ikoné (-)

Domagoj Bradaric (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – PARIS SAINT-GERMAIN FC

Apesar da ausência de vários nomes sonantes (Neymar, Marquinhos e Di Maria de férias, Mbappé regressou há poucos dias e Sergio Ramos e Sarabia ainda lesionados), Mauricio Pochettino manteve-se fiel ao habitual 4-3-3, recorreu a alguns atletas mais jovens para colmatar esses ausentes e incluiu ainda o português Danilo Pereira no setor intermédio.

A escassez de rotinas entre os jogadores que foram a jogo fez-se notar nos primeiros minutos, de tal modo que, na construção a partir de trás, as poucas linhas de passe impossibilitavam os parisienses de chegar mais rápido à baliza contrária. Hakimi projetou-se na ala direita e muito do jogo do PSG passou por lá, porém, quase sempre sem o devido seguimento no último passe. O golo do Lille obrigava a equipa de Pochettino a fazer mais e melhor para inverter a tendência do marcador, mas a falta de entrosamento voltou a ser nota dominante perante um adversário mais remetido à tarefa defensiva. Nem as substituições ao longo do segundo tempo conseguiram alterar o rumo dos acontecimentos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Keylor Navas (6)

Abdou Diallo (4)

Presnel Kimpembe (6)

Thilo Kehrer (5)

Achraf Hakimi (7)

Ander Herrera (6)

Danilo Pereira (6)

Eric Dina-Ebimbe (6)

Julian Draxler (7)

Arnaud Kalimuendo (5)

Mauro Icardi (6)

SUBS UTILIZADOS

Georginio Wijnaldum (6)

Ismael Gharbi (5)

Layvin Kurzawa (5)

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