Cabeçalho Futebol InternacionalQuaresma é daqueles que integram o restrito lote de fantasistas que conseguem transformar um retângulo verde num romance em movimento.

Aquando da sua aparição na equipa principal do Sporting, o então treinador Laszlo Boloni instado a falar sobre o craque português foi claro: “É um pouco especial. Será sempre um jogador que tentará seguir o seu caminho, vai continuar sempre com os seus princípios”.

A caminhada deste predestinado começara em Israel. Corria a temporada de 1999/2000. Quaresma levou a sua varinha de condão na mala, e foi figura de proa da seleção portuguesa que conquistou o Campeonato Europeu de Sub-16, tendo marcado o golo solitário com que Portugal bateu a República Checa na final. Foi eleito o melhor jogador desse torneio!

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Rapidamente ascendeu à equipa principal do Sporting, e em tão tenra idade o seu talento era tema de conversa um pouco por todo o lado. Este não enganava. Dono de uma personalidade muito forte, o Mustang – alcunha dada por Boloni numa clara alusão ao seu espírito indomável em campo – enfrentava os “graúdos”, fintando-os, um, dois, e mais viessem, sempre com a postura “provocador”, e “arrogante” próprias de um talento invulgar.

A verdade é que o Sporting era demasiado pequeno para o seu talento e acabaria por rumar a Barcelona, onde recebeu a alcunha de Harry Potter. Depois de uma pré-época prometedora nos Estados Unidos, a verdade é que não conseguiu singrar na cidade Condal, tendo regressado a Portugal, para representar o FC Porto, num negócio que envolveu a saída de Deco para o Barça.

Herdou a camisola “10” do mágico, e recuperou a alegria na Invicta. O mundo do futebol voltou a poder disfrutar da sua magia. Conquistou a Taça Intercontinental, e três títulos de campeão nacional, tendo finalmente correspondido em campo com todo o talento que tinha.

Quaresma Intercontinental
Conquista da Taça Intercontinental, em 2004, contra o Once Caldas (8-7 após g.p.). Quaresma marcou o 3º penalti
Fonte: EPA

Antes de abandonar os azuis e brancos, Jesualdo Ferreira deu o mote para que qualquer treinador pudesse retirar o máximo rendimento de Quaresma, apesar de ninguém parecer estar interessado em tão sábias palavras: “Não quero que ele mude a sua personalidade e características individuais, caso contrário transforma-se num jogador mediano em vez do génio que é.”

Nem a propósito, à semelhança do que tinha sucedido em Barcelona, também não foi feliz em Milão, pese embora tenha conquistado a Liga dos Campeões. Depois da falta de paciência que evidenciou em Barcelona por acreditar que o seu talento era garante de um lugar no 11, as exigências táticas impostas por Mourinho não eram do seu agrado. Chegava a casa, revia os jogos, e não se identificava com o que via. Não se reconhecia em campo. Aquele não era Quaresma. Aquele era um jogador mediano. Voltou a sair, por empréstimo para outro gigante do futebol mundial: o Chelsea! E voltou a não correr bem. A sua varinha andava perdida algures num baú, longe dos grandes palcos.

Muitos foram aqueles que nesta altura vaticinaram o fim de Quaresma, e que não raras as vezes foram impiedosos no tom das críticas que lhe eram dirigidas. Mas o craque “Será sempre um jogador que tentará seguir o seu caminho, vai continuar sempre com os seus princípios”.