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Uma das tendências que se tem vindo a acentuar nos últimos anos é o facto de os jogadores oriundos do Norte de África optarem por representar as selecções europeias. A escolha é legítima, já que muitos deles nascem no Velho Continente e completam a sua formação futebolística em países como França, Holanda ou Bélgica, mas deixa os países do Magrebe – que têm, como é natural, muito menor capacidade de persuadir estes jogadores – com equipas bastante debilitadas em comparação com aquilo que poderia ser a sua realidade se não houvesse tantos “fugitivos”.

O exemplo mais mediático de magrebinos que preferiram jogar por selecções europeias é Munir El Haddadi, jogador de que falei no início da temporada e que recentemente se tornou internacional AA pela Espanha. Del Bosque, percebendo o potencial do avançado descendente de marroquinos, fez aquilo que promete tornar-se uma prática bastante comum: deu minutos ao jovem do Barça para assegurar que este não terá hipóteses de representar outra selecção. E assim os espanhóis garantem um jogador que pode vir a estar entre os melhores do mundo.

O Norte de África é uma região onde o futebol é vivido de uma forma muito intensa e onde os jogadores parecem nascer com um talento inato. Madjer ou Zidane são nomes que deixaram a sua marca no desporto rei, mas actualmente há inúmeros jogadores magrebinos que vão brilhando por essa Europa fora. Um desses casos é Wissam Ben Yedder, uma das principais figuras da Ligue 1 até ao momento. O craque do Toulouse, que há poucos dias rejeitou a selecção da Tunísia por tencionar representar a França, já leva 6 golos marcados e tem dado continuidade à veia goleadora que mostrou na última temporada (16 golos no campeonato). O avançado de 24 anos tem grande mobilidade, é bastante oportuno e destaca-se pela qualidade técnica, poder de desmarcação e agressividade em zonas de finalização. Está a pedir outros voos.

Ben Yedder já representou as selecções francesas de sub-21 e de... futsal!
Ben Yedder já representou as selecções francesas de sub-21 e de… futsal!
Fonte: L’Equipe

Na Holanda, há dois jogadores oriundos do Norte de África que têm dado nas vistas. Curiosamente, ambos vão defrontar Portugal no play-off de apuramento para o Euro Sub-21: Hakim Ziyech e Anwar El Ghazi, ambos descendentes de marroquinos (no futuro ainda poderão optar pela selecção africana). Depois de ter brilhado ao serviço do Heerenveen, clube habituado a revelar grandes talentos, o médio ofensivo esquerdino deu o salto para o Twente e tem sido um dos melhores jogadores do campeonato. Com apenas 21 anos, Ziyech tem muito perfume no seu futebol; é um criativo, capaz de fazer a diferença a qualquer instante. Tem uma qualidade técnica extraordinária, uma excelente visão de jogo, uma capacidade finalizadora bastante interessante e é forte na marcação de bolas paradas. Um jogador muito completo e ainda com grande margem de progressão.

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O mesmo se pode dizer de El Ghazi, talvez a maior revelação do Ajax nesta temporada. Ainda com poucos jogos na equipa principal (já foi titular algumas vezes mas nos últimos encontros tem sido apenas suplente utilizado), o extremo tem impressionado pela sua potência. Para um jogador de 1,88m é muito ágil e sobretudo muito dotado tecnicamente, tendo capacidade de desequilibrar no 1×1. A facilidade de remate é outra das suas principais qualidades e uma séria ameaça para Portugal, embora seja provável que El Ghazi fique no banco, bem como Ziyech (o que mostra a quantidade absurda de talento às ordens do técnico holandês).

Nos países escandinavos também se nota a forte influência dos futebolistas norte-africanos. Tarik Elyonoussi, marroquino que representa a selecção da Noruega, está em grande forma no sensacional Hoffenheim (joga descaído sobre o lado esquerdo do ataque) e já leva 4 golos no campeonato. Nabil Bahoui, originário do mesmo país, é internacional AA pela Suécia e um dos jogadores mais interessantes a actuar no campeonato local. O avançado do AIK é muito versátil (pode actuar como extremo ou como referência ofensiva) e, apesar de ter 1,88m, é rápido e bastante forte no 1×1. Tem muita espontaneidade no remate e é especialista em lances de bola parada. Aos 23 anos, já merece dar o salto e tem condições para se afirmar numa liga mais competitiva.

Nabil Bahoui já fez companhia a Zlatan no ataque sueco  Fonte: fotbolltransfers.com
Nabil Bahoui já fez companhia a Zlatan no ataque sueco
Fonte: fotbolltransfers.com

A prospecção ao nível das selecções é cada vez maior, o que significa que esta tendência deve continuar nos próximos tempos. É certo que há e haverá excepções (uma delas é Brahimi, que foi internacional jovem pela França), mas parece claro que grande parte dos jogadores preferirá representar os países onde evoluíram futebolisticamente e não os países de onde são originários, sendo certo que a concorrência é muito mais apertada e que isso pode levar a que caiam no esquecimento.

Munir e Bakkali (escolheu a Bélgica em detrimento de Marrocos) são os nomes mais sonantes da nova geração de futebolistas magrebinos. Como Benzema, Nasri, Khedira, Ben Arfa, Chadli, Affelay, Maher, Fellaini e muitos outros, também não vão jogar por selecções do Norte de África, que está a tornar-se num “mercado” muito apetecível para os países europeus se “reforçarem”.