O Rangers FC foi este domingo consagrado campeão escocês pela 55ª vez na sua história, reforçando o estatuto de clube com mais títulos nacionais no mundo. O clube volta a alcançar assim o patamar mais alto do futebol nacional, dez anos depois da última conquista. Esta conquista sabe ainda melhor se tivermos presente o delicado momento que viveu o clube.

A época de 2010/2011 marca a última vez que os “Gers” celebraram o título escocês. No ano seguinte, em 2012, a direção, envolvida em polémicas devido a contratos de jogadores na década anterior, viu-se proibida de se inscrever em competições profissionais. Foram relegados para a quarta divisão nessa temporada e aos graves problemas financeiros acresceram os desportivos. Abriu falência, vários jogadores rescindiram e a crise estalou de forma definitiva. O clube mais titulado do mundo estava agora fora da elite. Era necessária uma mão firme e os adeptos foram parte integrante do processo de reestruturação, nunca abandonando o clube e sem perder a esperança de que era possível dar a volta.

As dificuldades foram evidentes, mas a reestruturação foi ganhando forma e em 2016/17 o Rangers FC voltou a estar na Primeira Liga Escocesa. A adaptação foi bastante complicada e o domínio continuava a ser do Celtic FC, que aproveitou a falta de concorrência para somar nove (!) títulos consecutivos. Para se perceber a força destes dois clubes, é preciso recuar até à temporada de 1984/85 para ver um outro campeão: o Aberdeen FC.

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Em 2018/19, Steven Gerrard, figura e lenda do Liverpool FC, assumiu o comando técnico, naquela que seria a sua primeira experiência como treinador principal de uma equipa sénior, depois de abandonar o cargo de treinador dos sub-18 do Liverpool FC. Gerrard tinha a possibilidade, pela sua reputação no futebol mundial, de começar em clubes certamente melhores. Mas a verdade é que preferiu traçar o seu percurso, começando por baixo, e tem todo o mérito exatamente por isso. Depois de duas épocas a ser “vice”, é campeão com um registo verdadeiramente impressionante. São nove golos sofridos e 77 marcados em 32 jogos. Pelo caminho, e este é outro dos méritos de Steven Gerrrard, conseguiu a valorização de atletas como Alfredo Morelos, Ryan Kent, James Tavernier, Goldson, Ianis Hagi, entre outros, que tiveram espaço para brilhar apoiados pela experiência e veterania de Allan McGregor, Steven Davies ou Jermain Defoe.

Desengane-se quem achar que o trabalho do treinador inglês termina com a conquista do título. Fora de portas, a passagem pela Liga Europa tem sido um sucesso, tendo-se qualificado em primeiro lugar do grupo D, onde encontrou o SL Benfica, por exemplo. Na fase a eliminar, já deixou pelo caminho o Royal Antuérpia FC e segue-se agora o SK Slavia Praga. O foco será agora total nesta competição e tem tudo para continuar a surpreender.

Para a semana temos novamente dérbi do Old Firm, um dos maiores e mais entusiasmantes confrontos do futebol mundial, ainda que sem adeptos. Desta feita, o vencedor vai ser outro que não o Celtic FC, para variar. O futebol escocês, e não só, precisa de um Rangers FC forte e capaz de lutar por objetivos maiores, como manda a sua história.

1 COMENTÁRIO

  1. Comentário muito competente, que faz corar de inveja muitos “jornalistas desportivos consagrados” do mundo futebolístico. Agora, é com expectativa muito elevada, que ficamos a aguardar os próximos artigos! Votos de muito sucesso na difícil carreira da profissão abraçada!

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