Todos nós estamos familiarizados com o slogan da Red Bull, marca austríaca de bebidas energéticas, que afirma que “Red Bull dá-te asas”. O grupo que detém, entre outros, vários clubes de futebol por este mundo fora, mais do que asas vai estendendo os seus tentáculos neste desporto, que são o produto do seu projeto para o futebol.

Já muito se escreveu sobre este projeto da Red Bull no mundo do futebol, que inclui clubes na Alemanha (RB Leipzig), Áustria (RB Salzburg), Estados Unidos da América (New York Red Bulls) e Brasil (RB Brasil, em 2020 passará a chamar-se RB Bragantino).

No entanto, o que neste momento salta mais à vista é o facto de quatro dos cinco primeiros classificados da Bundesliga serem treinados por alguém com ligações, diretas ou indiretas, aos clubes da Red Bull. Ora vejamos: o líder da liga alemã, Borussia M’gladbach, é orientado por Marco Rose, ex-treinador do RB Salzburg; o segundo classificado VfL Wolfsburg é orientado pelo ex-treinador adjunto do RB Salzburg, Oliver Glasner; a completar o pódio está o gigante FC Bayern München, cujo treinador atual, Niko Kovac, foi anteriormente treinador da equipa B do RB Salzburg; o quarto lugar é ocupado pelo SC Freiburg e em quinto está o outro clube do “conglomerado” Red Bull, o RB Leipzig, treinado por Julian Nagelsmann.

E não é só até aqui que os “tentáculos” da Red Bull se estendem, com outros alumni a terem-se catapultado após a experiência nos clubes do grupo. Recentemente, Ralph Hasenhuttl foi apontado como treinador do Southampton e Richard Kitzbichler seu adjunto, assim como Andrew Sparkes assumiu o cargo de treinador de guarda-redes do clube. A Red Bull incutiu um princípio de unidade na cultura dos seus clubes, que tem possibilitado a passagem de jogadores e treinadores por entre os diferentes emblemas detidos pela marca austríaca e facilitado a sua adaptação e integração no projeto. A exportação de elementos do seu corpo técnico é só mais uma prova de que a cultura da Red Bull está a dar frutos e é reconhecida pelos outros elementos do ecossistema futebolístico.

Julian Nagelsmann é o atual treinador do RB Leipzig
Fonte: Bundesliga

Um dos principais responsáveis por dar asas a este projeto é Ralf Rangnick, diretor desportivo dos clubes do grupo. A estratégia subjacente aos clubes do continente europeu passa, não pela aquisição de nomes sonantes do futebol, mas sim pelo desenvolvimento de academias e de uma extensa rede de observação de forma a captar os melhores talentos jovens e desenvolvê-los no clube. Não é por acaso que o RB Leipzig apresenta o 11 com a média de idades mais baixa da Bundesliga e que o RB Salzburg conquistou a UEFA Youth League em 2016/2017. Estes factos sustentam a visão a longo prazo e a aposta nos jovens que a marca pretende incutir nos seus clubes, como parte integrante de um projeto sustentado e duradouro.

Os clubes da Red Bull têm também como imagem de marca a exportação de jogadores que, até chegarem aos seus quadros, eram relativamente desconhecidos, mas que acabaram por voar para o topo da Europa, casos como os de Naby Keita e Sadio Mané para o Liverpool FC ou Joshua Kimmich para o FC Bayern München. Os emblemas detidos pela Red Bull têm, também, revelado jogadores bastante interessantes ao longo deste ano e do ano transato, como o caso recente do ponta-de-lança Haaland do RB Salzburg, mas também Timo Werner, Nkunku e Upamecano do RB Leipzig, apenas para citar alguns.

Este projeto futebolístico da marca austríaca começou há 14 anos e já alcançou sete subidas de divisão, e mais de 20 títulos oficiais. O RB Salzburg, comprado pela Red Bull em 2005, é a equipa de maior sucesso do grupo uma vez que foi a única que já se sagrou campeã nacional, tendo-o conseguido por 11 vezes, seis das quais consecutivas. O RB Leipzig, fundado em 2009 quando a Red Bull comprou uma vaga na quinta divisão, subiu à Liga Alemã em 2016/17 depois de conquistar quatro promoções em sete anos. No ano seguinte à estreia na principal divisão da Alemanha o clube alcançou um histórico segundo lugar, tendo sido o primeiro debutante na Bundesliga a conseguir uma qualificação europeia e assumindo-se atualmente como a terceira maior potência alemã.

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por Joana Mendes

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