A CRÓNICA: SOFRER, ESTABILIZAR E MARCAR

As seleções de sub-21 de Portugal e Espanha encontravam-se em Maribor, na Eslovénia, com o mesmo objetivo: chegar à final do Europeu. E se é verdade que os espanhóis procuravam defender o (quinto!) título conquistado em 2019, não é menos verdade que a equipa de Rui Jorge tentava repetir a final de 2015 para tentar sonhar com algo que nunca conquistou. Tentava…e conseguiu. Num jogo em que a sorte esteve do lado de Portugal, um autogolo nos últimos minutos do encontro foi crucial para eliminar a vizinha Espanha nas meias-finais.

Numa primeira parte com muita circulação e pouca execução, a bola acabou por andar mais tempo pelo meio-campo e não tanto junto às grandes áreas. Dentro dos primeiros 15 minutos, a seleção espanhola esteve perto de abrir o marcador num cabeceamento de Brahim Díaz, ao que Portugal respondeu com um remate de Vitinha a testar as luvas do guardião adversário. Os pupilos de Luis de la Fuente apoderaram-se da bola e fizeram-na circular de forma articulada, sempre à espera dos desequilíbrios que abrissem brechas na defesa lusa. Ainda assim, até ao intervalo, nota para uma ocasião de perigo para cada lado: uma investida de Rafael Leão pelo corredor esquerdo e a resposta imediata numa nova tentativa de Brahim Díaz.

Anúncio Publicitário

Os primeiros minutos do segundo tempo trouxeram mais oportunidades do que em toda a primeira parte…e todas elas protagonizadas pela Espanha. Com uma entrada completamente fulgurante, Cucurella começou por atirar a bola ao poste esquerdo, Cuenca cabeceou solto à figura e Brahim Díaz e Manu García atiraram a bola a rasar o poste da baliza de Diogo Costa. Sim, tudo isto num espaço de quinze minutos! Pelo meio, Rui Jorge colocou Florentino em jogo para dar mais músculo ao meio-campo, mas nem isso foi suficiente para travar as incursões do adversário.

A tripla alteração sensivelmente a meio da segunda parte trouxe uma ligeira estabilidade ao conjunto luso, que revelou ter a concentração e a paciência desejadas para enfrentar as vicissitudes causadas pelo adversário. Numa fase de maior equilíbrio, a dez minutos do fim, Fábio Vieira recebeu uma bola de Vitinha na direita do ataque e, com a intenção de cruzar para o recém-entrado Tiago Tomás, viu a bola entrar na baliza de Álvaro Fernández após um desvio crucial de Cuenca quando tentava cortar a bola. Estava feito o primeiro e único do encontro com muita sorte à mistura e que anulou toda a inspiração que restava ao conjunto espanhol até ao final do encontro.

Com este resultado, Portugal atingiu um recorde absoluto com a 12.ª vitória consecutiva e quebrou a série invencível da vizinha Espanha, que já não perdia há quase dois anos. Mas mais importante que isso, a equipa de Rui Jorge consegue, assim, eliminar a campeã em título e segue para a final do Europeu de sub-21 pela terceira vez, onde irá defrontar o vencedor do encontro entre Holanda e Alemanha.

 

A FIGURA

Diogo Leite – Nomes como os de Cucurella, Zubimendi ou Bryan Gil podiam perfeitamente ter entrado nesta equação, mas o destaque principal vai para o central português Diogo Leite. O defesa do FC Porto revelou ser letal no processo defensivo da seleção portuguesa, afirmando-se como uma autêntica parede para os espanhóis, mesmo nos momentos de maior aflição no início de segundo tempo catastrófico. Aliás, foi precisamente aí que fez cortes cruciais para que Portugal não sofresse e tivesse estofo suficiente para sonhar com o triunfo.

O FORA DE JOGO


Primeiros 15 minutos de Portugal no segundo tempo – Uma autêntica entrada em falso! Os pupilos de Rui Jorge não regressaram dos balneários com a postura desejável e permitiram que a Espanha conseguisse criar perigo em cada aproximação que tinha à baliza defendida por Diogo Costa. Mesmo nos poucos momentos com bola nesse período, foram evidentes as dificuldades em segurá-la para chegar com critério à área contrária. Em apenas um quarto de hora, a Espanha rematou meia dúzia vezes e assustou verdadeiramente o golo em quatro dessas ocasiões.

 

ANÁLISE TÁTICA – ESPANHA

Luis de La Fuente fez quatro mexidas no “onze” que tinha eliminado a Croácia (após prolongamento), duas das quais nas laterais do setor defensivo: Marc Cucurella ocupou a vaga deixada por Adrià Pedrosa na esquerda, enquanto que Óscar Gil jogou no lado oposto, relegando Óscar Mingueza para o eixo da defesa para render o castigado Hugo Guillámon. Além destas alterações, Gonzalo Villar entrou para o lugar de Fran Beltrán no meio-campo, enquanto que, na frente de ataque, Fer Niño foi substituído por Javi Puado.

A seleção espanhola organizou-se em 4-2-3-1, com o duplo pivot (formado por Gonzalo Villar e Martín Zubimendi) a revelar ser preponderante na construção a partir de trás e na circulação de bola entre setores. As investidas de Cucurella e Bryan Gil foram as maiores dores de cabeça para a equipa portuguesa ao longo de todo o primeiro tempo. Já na segunda parte, as rotinas ofensivas mudaram e os primeiros minutos dominadores evidenciaram a facilidade com que os espanhóis chegavam à área, com a lição vinda do balneário bem estudada. Contudo, quem não marca, arrisca-se a sofrer e a equipa de Luis de La Fuente teve a infelicidade de sofrer num lance fortuito.

No processo defensivo, a Espanha posicionou-se grande parte das vezes com um 4-1-4-1 à zona, com as linhas baixas e compactas, dificultando os momentos e a criatividade com que Portugal tentava furar a organização espanhola. A juntar a isso, os momentos de pressing foram muito bem definidos e as perdas de bola colocaram, por vezes, a seleção de Portugal em apuros nas transições.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Álvaro Fernández (6)

Marc Cucurella (8)

Jorge Cuenca (5)

Óscar Mingueza (5)

Óscar Gil (6)

Gonzalo Villar (7)

Martín Zubimendi (7)

Manu García (7)

Bryan Gil (8)

Javi Puado (5)

Brahim Díaz (6)

SUBS UTILIZADOS

Juan Miranda (6)

Yéremi Pino (5)

Oihan Sancet (6)

Abel Ruiz (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Apesar de Portugal também ter jogado trinta minutos adicionais três dias antes, Rui Jorge procedeu a apenas duas alterações em relação à equipa inicial que apresentou no duelo com a Itália: Rafael Leão rendeu Gonçalo Ramos na frente de ataque e Abdu Conté entrou para o lugar de Tomás Tavares na ala esquerda, juntando-se ao trio de “Diogos” no quarteto defensivo (um setor que precisou de limar todas as arestas para evitar os erros frente à Itália).

A seleção portuguesa alinhou em 4-3-1-2, com Dany Mota e Rafael Leão a formarem a dupla da frente e Fábio Vieira, por vezes, como a unidade mais adiantada do meio-campo. Abdu Conté foi preponderante a travar boa parte das investidas dos espanhóis pelo seu corredor direito, assim como a combinar com Rafael Leão no primeiro tempo. Já Daniel Bragança e Vitinha assumiram-se como o “cérebro” das construções, com colocações de bola nas costas da defesa contrária a criar desequilíbrios – neste capítulo, a bola de Vitinha aos 80 minutos foi mesmo crucial para o desfecho do encontro.

Após a entrada em falso no segundo tempo com muitos desequilíbrios na hora de defender, as substituições nem sempre protagonizaram os ajustes totalmente necessários, mas ajudaram a estancar o poderio ofensivo da Espanha a determinado momento. Aí, a equipa de Portugal teve a paciência e sorte necessárias para se adiantar na frente do marcador.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (7)

Abdu Conté (7)

Diogo Leite (8)

Diogo Queirós (7)

Diogo Dalot (6)

Daniel Bragança (6)

Gedson Fernandes (6)

Vitinha (7)

Fábio Vieira (7)

Rafael Leão (6)

Dany Mota (5)

SUBS UTILIZADOS

Florentino Luís (7)

Tiago Tomás (5)

Romário Baró (6)

Jota (5)

Pedro Pereira (-)

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome