Euro Sub-21 | Portugal quer finalmente ser feliz na montra de talento do Velho Continente

    Vem aí mais um Campeonato da Europa Sub-21. Na Geórgia e Roménia, 16 equipas vão a jogo e Portugal candidata-se a poder chegar a nova final da competição

    Dois anos depois de mais uma desilusão em finais do Europeu de sub-21, Portugal volta a uma fase final, com ambição renovada de poder repetir a presença no jogo decisivo da prova. O que se perdeu em 2021 em Ljubljana pode ser conquistado em 2023, ainda que a tarefa que se avizinha em solo georgiano não vá ser nada acessível.

    Face a essa derrota frente à Alemanha na Eslovénia, mudaram várias coisas em Portugal. Diogo Costa, Diogo Dalot, Vitinha, Rafael Leão ou Gonçalo Ramos deram o salto para a seleção principal, outros jogadores superaram o limite da idade e há uma ausência de última hora que pode ter um peso significativo na manobra ofensiva portuguesa: Fábio Vieira. O criativo do Arsenal fica de fora do Euro sub-21 por lesão e assim Portugal perde um dos elementos mais experientes, dinâmicos e irreverentes para um ataque ao título.

    Há ainda assim bons nomes na lista de Rui Jorge, com destaque para a experiência competitiva de I Liga nos elementos da linha defensiva. Os centrais André Amaro, Tomás Araújo e Bernardo Vital assinaram uma época de confirmação na elite do futebol nacional e parecem preparados para representar a equipa das Quinas numa competição desta envergadura. Para as laterais, destaca-se a experiência competitiva de alto nível de Nuno Tavares mas também o crescimento de Alexandre Penetra no Famalicão e de Leonardo Lelo ao serviço do Casa Pia. Na baliza, Celton Biai deverá ser o titular e há duas promessas dos «grandes» como alternativas (Samuel Soares e Francisco Meixedo).

    Portugal Seleção Nacional Sub-21 jogadores
    Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

    Para o meio-campo de Portugal, surpreende um pouco a baixa de Dani Silva (revelação do Vitória SC em 2022/23), ainda para mais tendo sido chamado para os compromissos de preparação em março. Tirando isso, há qualidade evidente nas opções: André Almeida rubricou uma época de estreia auspiciosa na La Liga, João Neves firmou-se como titular do Benfica de Roger Schmidt no fecho da temporada (tudo apontava para que fosse jogar no Euro sub-19) e elementos como Tiago Dantas ou Afonso Sousa foram mostrando criatividade e arrojo no passe em campeonatos como o grego ou o polaco. Samuel Costa vem com muitos minutos no principal campeonato espanhol e pode servir como o «farol defensivo» do meio-campo se Rui Jorge entender jogar com um trinco mais puro. Perfilam-se ainda como hipóteses Paulo Bernardo, José Carlos ou Vasco Sousa, médios de perfil distinto mas que acrescentam competitividade à lista portuguesa.

    No setor mais adiantado, foi chamado Diego Moreira para o lugar de Fábio Vieira, numa decisão que pode ter causado alguma estranheza em primeira instância, mas que se justifica com o facto do extremo do Benfica (autor de uma época periclitante, depois de um exercício luxuoso em que foi o melhor jogador da Youth League) ter permanecido a trabalhar, com vista à participação no Europeu da categoria abaixo. Veremos qual o peso que o jogador encarnado terá nas opções de Portugal, sendo certo que Pedro Neto deve ser um dos titulares no ataque, restando dúvidas quanto aos acompanhantes. Francisco Conceição é uma potencial opção para uma exploração do 4-3-3, com dois extremos, e surgem Vitinha, Fábio Silva e Henrique Araújo como soluções para a zona central do ataque. De resto, esse sistema pode ser privilegiado pelo selecionador, dada a ausência de Vieira, embora também possa voltar ao 4-4-2 losango, podendo atuar com dois dos três avançados-centro chamados para o torneio.

    A abrir a campanha, Portugal vai defrontar uma das seleções anfitriãs, a Geórgia. Com a «boa nova» da ausência de Kvaratskhelia (abdicou da presença depois de uma época longa no Napoli e na seleção principal georgiana), a equipa lusa vai ter ainda assim de tomar atenção a um adversário que até goleou num particular recente (vitória por 4-1, na Covilhã, em setembro do ano transato). O selecionador Ramaz Svanadze tem alternado de esquema na preparação para o torneio e até pode iniciar a competição com uma linha de três atrás. Sem Kvaradona – como é conhecido para os lados de Nápoles – o sólido guarda-redes Giorgi Mamardashvili (Valencia) assume-se como um dos porta-estandartes da antiga república soviética, que tem vários nomes interessantes noutras posições: os laterais Giorgi Gocholeishvili (Shakhtar) e Irakli Azarovi (Estrela Vernelha) mostram argumentos no apoio ofensivo, o central Saba Sazonov já tem rotinas de liga russa no Dinamo Moscovo (assim como o médio Luka Gagnidze) e os extremos Zuriko Davitashvili (Bordeaux) e Giorgi Tsitaishvili (Lech Poznań) prometem criar agitação na zona ofensiva. Dos jogadores que ainda militam no campeonato local, os médios Gabriel Sigua e Giorgi Moistsrapeshvili podem ser duas das maiores revelações, pelo bom toque de bola, capacidade de envolvimento na segunda linha e visão de jogo.

    A segunda adversária portuguesa neste Campeonato da Europa vai ser a seleção dos Países Baixos, que pelo nível do plantel pode ser considerada uma potencial candidata ao título, ainda que algumas das últimas exibições tenham deixado dúvidas quanto às sinergias entre alguns dos jogadores em campo. Semifinalista derrotada pela Alemanha na edição passada, a turma neerlandesa tem qualidade em todos os setores. Começando pela baliza, há dois fortes candidatos à titularidade entre Bart Verbruggen (autor da uma época fantástica no Anderlecht e já associado a emblemas da Premier League) e Kjell Scherpen (Vitesse). No setor defensivo, o teórico titular Sepp van den Berg lesionou-se e foi substituído por um lateral-direito (Shurandy Sambo, do Sparta Rotterdam), o que leva a crer que Erwin van de Looi vai escolher entre três opções para o centro da defesa: Micky van de Ven (Wolfsburg), Jan Paul van Hecke (Brighton) e o multifuncional Devyne Rensch do Ajax. Para as laterais, há também opções de nível. À direita, deve morar Milan van Ewijk (associado ao Sporting), enquanto que para a esquerda surgem duas figuras da última época – Ian Maatsen, lateral potente e ofensivo que esteve no Burnley de Vincent Kompany e Quilindschy Hartman, campeão pelo Feyenoord.

    Do meio-campo para a frente, temos mais uma autêntica constelação de estrelas jovens: Quinten Timber (Feyenoord), Ryan Gravenberch (Bayern), Ludovit Reis (Hamburgo), Jurgen Ekkelenkamp (Antwerp), Kenneth Taylor (Ajax), Sven Mijnans (AZ Alkmaar) e Wouter Burger (Basel). Veremos se irá optar por dois médios ou se avança para um trio de jogadores neste setor, depois de ter terminado o período de testes a desviar Taylor para a esquerda (ainda que procurando sempre movimentos interiores). Gravenberch e Reis foram titulares no derradeiro duelo de preparação (face ao Japão), mas Timber pode também merecer consideração como escolha inicial para o Europeu.

    Para o ataque, ganha corpo a possibilidade de aposta num duo de avançados. Depois de ter testado soluções com uma referência na zona central e dois homens a partir da faixa (van de Looi chegou a apostar até num 3-4-3), utilizou Joshua Zirkzee (Bologna) e Thijs Dallinga (Toulouse) de início nos últimos jogos particulares. Só que a presença do possante Brian Brobbey (Ajax), servido por extremos de boa técnica, associativos e potentes como Crysencio Summerville (Leeds United), Elayis Tavsan (NEC) ou Million Manhoef (Vitesse) pode levar a um esquema distinto, quer como ponto de partida, quer servindo de alternativa no decorrer dos encontros.

    O grupo A tem ainda a participação de outro plantel jovem de alto nível, o da Bélgica. Jacky Mathijssen tem rodado de sistema no último ano e meio, mas no último jogo-teste (vitória frente a Israel, por 2-0) apostou numa linha de quatro homens na defesa. Começando pelo setor mais recuado, há alguns jogadores multifuncionais na seleção dos Diabos Vermelhos, como Ignace Van der Brempt (Salzburgo) ou o candidato a titular Louis Patris (lateral-direito do Leuven, que também pode atuar mais por dentro). Zeno Debast, revelação notável da época do Anderlecht, será um nome indiscutível no centro da defesa, tendo em Ameen Al-Dakhil (Burnley) ou Koni De Winter (Empoli) os candidatos maiores a fazerem-lhe companhia no onze. À esquerda, o ofensivo Maxim De Cuyper – autor de uma época superlativa na ala do Westerlo, cedido pelo Club Brugge – apresenta-se como o mais do que provável titular, numa linha recuada que apresenta dúvidas quanto a quem vai ocupar a baliza: Senne Lammens (Club Brugge) ou Maarten Vandevoordt (Genk).

    Do meio-campo para a frente, não faltam opções de qualidade indiscutível para o selecionador belga. Mandela Keita pode vir a assumir o papel de trinco da equipa, depois de uma época de afirmação no campeão da Bélgica, Antwerp. Junto a ele, Eliot Matazo e Nicolas Raskin assumem o papel de candidatos a médios-interiores com chegada à segunda linha, tendo ainda Arne Engels e também Olivier Deman e Aster Vranckx (que têm estado ao serviço da seleção principal) como principais alternativas. Charles De Ketelaere vai servir como uma espécie de elemento de ligação ao ataque, inserindo-se com facilidade em zona de remate. Procura recuperar de uma primeira época intermitente no AC Milan e terá a companhia de outros criativos irreverentes como Michel-Ange Balikwisha ou Largie Ramazani. Na frente de ataque, destaca-se a figura goleadora de Lois Openda, que terá como substitutos/acompanhantes Yorbe Vertessen e Anthony Descotte.

    Os restantes grupos e os principais nomes a acompanhar

    O grupo B vai ser disputado em solo romeno, mais em concreto na capital Bucareste e terá como protagonistas a outra anfitriã do torneio, a sempre poderosa Espanha, a Ucrânia e a Croácia. Começando pela equipa da casa, há fortes expectativas para perceber como se vai comportar perante uma oposição tão exigente. A Roménia, que perdeu em março frente a Portugal num jogo particular, por 2-0, é uma equipa com algumas inseguranças na zona defensiva e Emil Sandoi tem vindo a procurar o equilíbrio entre setores para competir melhor no Europeu. Em termos individuais, há que seguir com a maior atenção o criativo Octavian Popescu (fortíssimo a procurar zonas interiores), que estará bem acompanhado na zona ofensiva por elementos como Alexi Pitu, Mihăilă ou Claudiu Petrila. Como oportunidades de mercado, o talentoso trio do campeão romeno Farul Constanța (de Gheorghe Hagi) constituído pelo lateral-esquerdo Andrei Borza, pelo médio Constantin Grameni e pelo extremo Adrian Mazilu pode sair altamente valorizado desta prova.

    Já a Espanha, primeira adversária da seleção da casa, tem de ser sempre encarada como uma das candidatas à conquista do troféu. Santi Denia assumiu o lugar de Luis de la Fuente, já com o estatuto de campeão da Europa de sub-17 e sub-19. Está desde 2010 na federação espanhola e ajudou em equipas de escalão mais baixo a impulsionar alguns dos talentos que agora vai orientar neste campeonato. A convocatória apresenta como principais figuras Gabri Veiga, um dos médios ofensivos mais cobiçados da Europa depois da temporada monumental no Celta, Oihan Sancet, outro médio com muita chegada à área, o valencianista Hugo Guillamón (já internacional A) e ainda Álex Baena, uma das revelações da época no Villarreal. Vão estar presentes também os bracarenses Victor Gómez (que irá discutir a presença na lateral direita com o «diamante» Arnau Martínez) e Abel Ruiz, referência de culto das seleções jovens espanholas nos últimos anos. E atenção ainda a outros jogadores-revelação da temporada na La Liga que podem vir a aproveitar o palco do Europeu para se destacar (Manu Sánchez, Aimar Oroz, Rodrigo Riquelme ou Sergio Camello).

    A Ucrânia de Ruslan Rotan promete ser outra das equipas divertidas de acompanhar neste Campeonato da Europa. Equipa de cariz ofensivo, ainda que com alguns problemas no processo defensivo, tem na base de jogadores do Shakhtar Donetsk uma das razões para a competitividade alta. Só nesta convocatória há seis elementos do plantel do clube do este ucraniano, com destaque para o guardião Anatoliy Trubin, para os médios Artem Bondarenko e Georgiy Sudakov e ainda para o ponta-de-lança Danylo Sikan. Sem esquecer, a grande estrela da companhia, Mykhailo Mudryk, que passou na formação do emblema de Donetsk e valeu 70 milhões de euros aos cofres do Shakhtar com a transferência para o Chelsea. Todos estes jogadores destacados já passaram pela seleção principal, mas há nomes interessantes que ainda procuram lá chegar como Maksym Talovierov, possante central que esteve cedido pelo Slavia Praga ao LASK Linz, Kostiantyn Vivcharenko, lateral-esquerdo do Dinamo Kiev ou Oleksiy Kashchuk, extremo goleador emprestado pelo Shakhtar aos azeris do Sabah em 2022/23.

    Temos também uma sempre apelativa seleção croata, dotada de um plantel muito homogéneo e competitivo. O experiente Dragan Skočić assumiu em abril o comando técnico de forma a potenciar uma candidata a surpresa neste torneio. Do ponto de vista qualitativo, sobressai a técnica dos médios de características ofensivas (Martin Baturina, Gabriel Vidović, Luka Stojković ou Lukas Kačavenda) e também a mais valia física e técnica dos avançados (muita atenção à mobilidade e sentido de baliza de Matija Frigan e aos argumentos na área de Roko Šimić e Dion Drena Beljo). Quanto a possíveis revelações entre (outros) jogadores que ainda atuam na liga local, atenção ao central Mauro Perković (Dinamo Zagreb), ao lateral do Hajduk Split Niko Sigur (que também pode atuar na zona central) e aos médios Jurica Pršir (Gorica) e Veldin Hodža (Rijeka).

    O grupo C vai ser jogado nas cidades georgianas de Batumi e Kutaisi. A Inglaterra é a grande favorita e olhando para os jogadores convocados percebemos a razão. Há vários nomes com experiência de Premier League e outros elementos que já acumularam muitos minutos no Championship, também. Lee Carsley deverá apresentar uma formação entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3, embora já tenha experimentado os três centrais num particular no ano passado. Tirando a baliza, em que não existe um nome indiscutível com experiência ao mais alto nível, os setores têm ótimas opções. Na defesa, há um central construtor bastante promissor (Levi Colwill, que esteve cedido pelo Chelsea ao Brighton), outros dois que evoluíram bastante bem por empréstimo no segundo escalão (Taylor Harwood-Bellis e Charlie Cresswell) e ainda Jarrad Branthwaite, que soube aproveitar o empréstimo ao PSV. À direita, Ben Johnson e Max Aarons vão disputar a titularidade, enquanto do lado esquerdo parece certa a presença no onze de Luke Thomas, do Leicester.

    Para a zona intermediária, não faltam perfis distintos, de grande valor. Desde os mais posicionais Oliver Skipp ou James Garner até jogadores de elevado nível criativo como Morgan Gibbs-White, Emile Smith Rowe, Harvey Elliott ou Cole Palmer, passando por elementos que desequilibram como interiores (Curtis Jones ou Jacob Ramsey), existem soluções para procurar o domínio perante qualquer adversário. Em termos ofensivos, destaca-se a presença de apenas um ponta-de-lança de raiz (Cameron Archer, autor de uma segunda volta excecional no Middlesborough, por cedência do Aston Villa), com Noni Madueke e Anthony Gordon a poderem assegurar o desequilíbrio a partir da faixa (Angel Gomes ou até mesmo Elliott também podem derivar para uma posição mais aberta na ala).

    No mesmo grupo, encontra-se a atual campeã em título, a Alemanha. As expectativas para a presença nesta fase final, contudo, são distintas de 2021. A fase de qualificação foi positiva, exceção feita a uma escandalosa derrota caseira frente à Polónia (0-4). Só que os últimos resultados e exibições em jogos de preparação deixaram algumas dúvidas no ar. Há dois anos, a equipa campeã apresentava craques como Wirtz, Nmecha, Adeyemi, Schlotterbeck ou Raum. Havia qualidade e mais experiência de alto nível em todos os setores. Ainda assim, há que destacar vários jogadores convocados para a edição de 2023. No ataque, Kevin Schade (desequilibra no ataque ao espaço) e Youssoufa Moukoko (canhoto que passou por uma época difícil), já internacionais A, são as figuras maiores. Para o meio-campo, há boas opções, com andamento de Bundesliga. O capitão Yannik Keitel (Freiburg), garantia de estabilidade com e sem bola, deve ser titular e poderá ter a boa companhia de jogadores como Tom Krauß, Angelo Stiller ou Denis Huseinbašić. No setor mais recuado, mora uma peça que pode sair valorizada deste torneio: Yann Bisseck. O possante central dos dinamarqueses do Aarhus vem de duas temporadas consistentes e tem sido associado a clubes das principais ligas europeias. Não vai ter Jordan Beyer ao lado na defesa, no que será uma baixa relevante para o selecionador Antonio di Salvo. Nas laterais, Josha Vagnoman e Luca Netz prometem dar conta do recado e, na baliza, Noah Atubolu quer mostrar que tem nível para assumir o lugar de Mark Flekken na baliza do Freiburg na próxima época.

    Além de ingleses e alemães, este grupo conta ainda com as presenças da República Checa e de Israel. A formação do centro da Europa chega a esta competição numa sequência negativa (cinco desafios consecutivos sem vencer, entre jogos oficiais e de preparação), sendo que o último triunfo valeu precisamente para conquistar o apuramento via play-off (face à Islândia). A base da fase de qualificação mantém-se, com destaque para jogadores como os médios de características ofensivas Kryštof Daněk e Adam Karabec (ambos do Sparta Praga), o cerebral Lukáš Červ (com boa meia-distância), os centrais Martin Vitík (Sparta) e Robin Hranáč (Pardubice) ou os atacantes Daniel Fila e Václav Sejk, que estiveram emprestados pelos rivais de Praga a clubes de primeiro escalão esta temporada (Teplice e Jablonec, respetivamente) e se destacaram pelos golos na fase qualificatória – oito apontados, entre ambos. Já a turma israelita, que eliminou a República da Irlanda no play-off, aproveita uma geração de ouro, finalista vencida do Euro sub-19 no ano passado e terceira classificada do recente Mundial sub-20. O talentoso Oscar Gloukh (Salzburgo) é a figura de uma equipa completa e recheada de jogadores que têm mostrado argumentos entre seleções e futebol de clubes. Dos craques que estiveram no Campeonato do Mundo, muita atenção ao central Stav Lemkin (Hapoel Tel Aviv), ao lateral-esquerdo Roy Revivo (Hapoel Jerusalém) e aos avançados Dor Turgeman (Maccabi Tel Aviv) e Anan Khalaili (Maccabi Haifa). De resto, nomes como o guardião Daniel Peretz, o central Gil Cohen, os médios Eden Karzev e Omri Gandelman ou o ala Hisham Layous merecem também acompanhamento durante o torneio. O selecionador Guy Luzon pode apostar num sistema com três centrais (fê-lo por exemplo no play-off), sendo essa uma das dúvidas que se mantém para o arranque da participação no Euro.

    O grupo D vai ter sede em Cluj-Napoca, na Roménia, e junta duas potenciais candidatas ao título, França e Itália e ainda dois conjuntos bastante atrativos como a Suíça e a Noruega. Começando pelos gauleses, fica a impressão de que têm andado aquém do potencial exibido pelos jogadores. Na última fase final, em 2021, saíram derrotados nos quartos de final pelos Países Baixos, com uma geração que juntava, entre outros, Camavinga, Koundé, Upamecano, Konaté, Diaby, Aouar, Tchouaméni ou Kamara (para não ir mais longe). A França nunca conseguiu obter resultados assinaláveis nesta categoria (apenas uma conquista, em 1988 e a última final foi jogada em 2002) e procura inverter essa tendência negativa na presente edição.

    Noruega Sub-21 jogadores
    Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

    Sylvain Ripoll levanta dúvidas enquanto técnico desta geração estelar, mas a verdade é que prossegue no comando dos jovens gauleses desde 2017. A lista de jogadores convocados do meio-campo para a frente impõe verdadeiramente respeito e inclui nomes como Khéphren Thuram, Manu Koné, Maxence Caqueret, Enzo Le Fée, Michael Olise, Amine Adli, Rayan Cherki, Amine Gouiri, Arnaud Kalimuendo ou Elye Wahi. O setor defensivo também não está nada mal servido, entre a baliza (Illan Meslier ou Lucas Chevalier) e o eixo (Pierre Kalulu, Loïc Badé, Mohamed Simakan e Castello Lukeba). Mesmo nas laterais, nomes como Valentin Gendrey ou Niels Nkounkou podem reivindicar um espaço como protagonistas neste plantel de luxo. Veremos se o nível exibicional vai acompanhar as expectativas.

    A Itália também aposta forte neste Europeu e Paolo Nicolato dá-se ao luxo de poder contar com internacionais A como Sandro Tonali, Wilfried Gnonto ou Giorgio Scalvini. A lista conta com cinco centrais, o que faz adivinhar a manutenção da aposta no 3-5-2. Raoul Bellanova deve ocupar a faixa direita e Destiny Udogie e Fabiano Parisi devem discutir o lugar à esquerda. O meio-campo tem excelentes opções e junto a Tonali podem aparecer nomes como Fabio Miretti, Samuele Ricci, Nicolò Rovella ou Edoardo Bove. Resta saber qual o encaixe para Gnonto, habituado a partir da esquerda no Leeds. Será que Nicolato vai abdicar dos dois avançados ou irá colocar a coqueluche atacante desta equipa numa dupla de ataque à baliza contrária? Para o último terço, o treinador conta ainda com Matteo Cancellieri (autor de uma época desapontante na Lazio), Lorenzo Colombo (marcou cinco vezes pelo Lecce na Serie A) e Pietro Pellegri (Torino), além do versátil Nicolò Cambiaghi (seis golos no campeonato, cedido pela Atalanta ao Empoli). Muitas e boas opções para uma equipa que na última edição do torneio saiu derrotada nos quartos-de-final por Portugal, na sequência de um épico jogo de 120 minutos (5-3).

    Suíça e Noruega vão tentar a surpresa neste grupo D. Os helvéticos, orientados desde há um ano por Patrick Rahmen, contam com uma geração bem apetrechada de experiência, sobretudo no escalão máximo do futebol suíço. Os craques ofensivos da temporada de luxo do Basel prometem ser destaques da competição. Zeki Amdouni é já perseguido por meia Europa e aos 22 golos apontados na temporada, juntou cinco tentos nas primeiras quatro partidas da qualificação para o Euro 2024. Técnica de finalização não lhe falta, com mérito para quem muitas vezes o serviu também no clube: Dan Ndoye e Darian Males – os mais que prováveis acompanhantes nas alas. O meio-campo tem também opções de alto nível, sendo que Ardon Jashari (Luzern) deve ter lugar assegurado como médio mais recuado, junto ao duo do Young Boys (Kastriot Imeri e Fabian Rieder). No setor defensivo, atenção principalmente aos centrais, com Leonidas Stergiou (St. Gallen), Bećir Omeragić (Zürich) e Marco Burch (Luzern) a assumirem-se como os principais candidatos a ocupar os lugares de referência no centro da área.

    Já os nórdicos juntam um grupo de convocados com nomes particularmente apelativos, até a pensar numa eventual aposta de mercado por parte de clubes portugueses. Há capacidade para competir, sobretudo a partir do nível alto dos médios, no trabalho com bola mas também na marcação defensiva. Sivert Mannsverk (Molde), Johan Hove (Groningen), Markus Solbakken (Viking) ou Christos Zafeiris (Slavia Praga) já justificam a passagem para outros patamares competitivos, seguindo os passos do criativo Osame Sahraoui, que seguiu recentemente para o Heerenveen da Eredivisie, do avançado Erik Botheim (Salernitana) ou de Emil Konradsen Ceide, que atua no Sassuolo. Este Europeu vai servir também para acompanhar a evolução de David Møller Wolfe (substituto de Kerkez na lateral esquerda do AZ Alkmaar) ou de dois jovens muito apelativos que já moram no campeonato belga (o central Jesper Daland e o atacante Antonio Nusa).

    De 21 de junho a 8 de julho, esperam-se grandes espetáculos entre Geórgia e Roménia, numa das competições mais divertidas de acompanhar no panorama do futebol europeu. Veremos se é desta que Portugal acaba com a maldição das finais perdidas (três no total, duas delas nas últimas quatro edições).

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    Francisco Sousa
    Francisco Sousahttp://www.bolanarede.pt
    Licenciado em jornalismo, o Francisco esteve no Maisfutebol entre 2014 e 2017, ano em que passou para a A BOLA TV. Atualmente, é um dos comentadores da Eleven.