Publicidade

Portugal 1-3 Polónia (Sub-21): O sonho português termina da pior forma

Afonso Viana Santos · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Foi em Chaves que se decidiu o play-off de apuramento para o Campeonato Europeu de Sub-21. Portugal desperdiçou a vantagem que trazia da primeira mão e quando foi preciso arriscar, não o soube fazer, acabando por jogar sem cabeça e somente com o coração.

Começando pelas equipas iniciais, Rui Jorge decidiu não fazer alterações em relação à primeira mão, pretendendo jogar em 4-4-2 losango, sem um ponta-de-lança “de raiz” em campo. Já o seleccionador polaco queria controlar o meio-campo com a formação de 4-5-1.

No início do jogo, a Polónia tentava controlar o esférico e surpreendeu o público português ao abrir o marcador aos cinco minutos. O central Bielik respondeu da melhor forma a um canto, sem oposição da defesa portuguesa.

E sem dar tempo a Portugal para assentar, aos oito minutos, Kownacki apareceu sozinho na área a cabecear para o fundo das redes. Portugal entrava de maneira terrível e, num instante, via-se a correr atrás do resultado e da eliminatória.

Aos poucos, a nossa Selecção aproximava-se da área adversária, mas nunca criou realmente perigo. Tanto a finalização como o último passe estavam a falhar e parecia necessário mexer na equipa ainda antes do intervalo.

Até que, aos 24 minutos, a Polónia festejou de novo, desta vez por intermédio de Szymański. A jogada começou numa perda de bola a meio campo e a defesa lusa não acertou com as marcações, facilitando assim a tarefa dos polacos.

Os polacos vieram com a sua estratégia bem montada
Fonte: Sportowefakty

A substituição há muito desejada chegou ao minuto 38, com a entrada de Rafael Leão. No entanto, este foi movido para o flanco esquerdo. Confesso que não compreendi esta estratégia, uma vez que Portugal continuava a insistir nos cruzamentos para a área, onde Diogo Jota se encontrava sozinho, perante os centrais polacos.

O intervalo foi uma pequena bênção para os pupilos portugueses. Entraram muito bem na segunda parte, com a intenção de aumentar o ritmo e chegar rapidamente ao golo.

Nos primeiros momentos, valeu o guarda redes Grabara para manter a baliza dos polacos inviolável, mas Portugal finalmente marcou, à passagem do minuto 52. Bom cruzamento de Diogo Gonçalves, na direita, que Diogo Jota aproveitou com um excelente remate de cabeça. A esperança aumentava um pouco.

Após o golo, Portugal tentou manter o mesmo ritmo. No entanto, com o passar do tempo, as oportunidades iam escasseando e a defesa polaca controlava muito bem o resultado.

Não ajudou o facto de a estratégia portuguesa consistir em cruzamentos para a área, onde só estavam Diogo Jota e João Félix. A defesa polaca não dava hipóteses e fazia uso do seu físico para se impor perante os adversários.

Era óbvio o cansaço português e as entradas em campo de Xadas e Heriberto Tavares não surtiram o efeito desejado. Apesar da vontade, a última ocasião de perigo ocorreu após uma boa combinação entre Leão e Jota, quando ainda faltavam vinte minutos para o fim da partida.

Terminou assim o sonho português de chegar ao Europeu. O que devia ter sido um jogo calmo e que evidenciasse as qualidades da equipa, começou da pior maneira e foi impossível para a Seleção recuperar dos erros iniciais.

Onzes iniciais:

Portugal: Joel Pereira; Diogo Gonçalves, Jorge Fernandes, Diogo Leite, Yuri Ribeiro; Stephen Eustáquio, André Horta (Heriberto Tavares 77’), Gedson Fernandes (Xadas 68’), João Carvalho (Rafael Leão 38’); João Félix, Diogo Jota.

Polónia: Grabara; Gummy, Wieteska, Bielik, Pestka; Kapustka, Jagiello (Michalak 55’), Dziczek, Zurkowski, Szymański (Józwiak 68’); Kownacki (Swiderski 90+4’).

A FIGURA

Fonte: Onet Sport

Zurkowski – O centrocampista fez um grande jogo. Foi o principal motor do ataque da Polónia, parecia que estava em todo o lado. Contou com uma bela assistência para o segundo golo e ainda ameaçou Joel Pereira antes do intervalo. Na segunda parte, deixou de dar nas vistas, muito por culpa da estratégia da Polónia. O seu contributo foi essencial e conseguiu evidenciar toda a sua qualidade.

O FORA DE JOGO

Fonte: FPF

Rui Jorge – O selecionador português não entendeu as dificuldades que a equipa estava a passar. Tardou nas substituições, mas o pior de tudo foi a maneira como a equipa atacou. Mais de 50 cruzamentos, que apenas resultaram num golo. Foi, sem dúvida, uma péssima forma de abordar o jogo e acabou por ser a sentença de Portugal na eliminatória.

Foto de capa: UEFA

 

Afonso Viana Santos

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quando a tática explica tudo e, mesmo assim, passa para 2.º plano | Torreense

Não é que a tática não seja importante. Ela é, aliás, crucial para entender o jogo e o seu caminho. Ainda assim, depois de dois golos dos descontos e de uma nova vitória - a primeira em casa - do Torreense, qualquer pensamento, qualquer sentimento, qualquer nota sobre o jogo tende a lembrar a magia de, não um, mas dois golos anotados nos descontos para mudar completamente o resultado e o apelo de um clube a uma prova. Só a tática, na forma como o Torreense se organizou 11x10, 10x11 e 10x10, explica uma vitória construída com base em pensamento, em estrutura e em alterações constantes, num dinamismo tal que precisa de múltiplos cantos para escrever uma epopeia. Mas também só a emoção ou, pelo menos, a capacidade de a exteriorizar, explica a forma como, quando todos já poderiam deitar a toalha ao chão, um clube da Segunda Liga se consegue superiorizar na Europa e, depois de sofrer uma reviravolta, responder na mesma moeda, depois de, em casa, perder pontos nos descontos, recuperá-los e triplicá-los. 

Diogo Ribeiro · 9 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.