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Penso ser unânime a opinião de que Paulo Bento falhou redondamente na abordagem ao jogo contra a Alemanha. É também minha convicção pessoal que o seleccionador errou igualmente na convocatória que fez, levando jogadores que pouco se destacaram e abdicando de atletas que se exibiram a grande nível. Seja como for, tudo isso agora é passado, e não quero ser mais uma pessoa que critica tudo e todos a posteriori. Face a todas as condicionantes que resultaram do primeiro jogo (lesões, más exibições, expulsão de Pepe e a habitual descrença que uma goleada provoca), ofereço a minha visão daquilo que seriam as melhores opções a tomar para o encontro de hoje com os EUA.

Justifica-se uma mudança de esquema táctico?

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Na minha opinião, não. 90 minutos desastrosos não devem pôr em causa o trabalho desenvolvido nos últimos anos. E se o amigável com a Grécia serviu para alguma coisa foi para perceber que Portugal não está minimamente preparado para jogar em 4-4-2. Poderá fazê-lo em caso de necessidade, mas não como plano A. Dito isto, o que a meu ver se justifica, muito mais do que o abandono do 4-3-3, é a rectificação de quase tudo o que se fez contra a Alemanha, nomeadamente a nível posicional. Os erros clamorosos da selecção portuguesa estão bem explícitos nesta página (sobretudo nas imagens, mais ainda do que no texto).

Quem deve assumir as redes da selecção?

Em circunstâncias normais Patrício devia continuar. Não se pode querer fazer do guarda-redes o maior alvo de críticas num jogo em que todos jogaram pessimamente. Patrício fez um dos piores jogos da sua carreira, é verdade. Mas não merece servir de bode expiatório, sobretudo porque só tem culpas evidentes no último golo alemão e, ainda assim, não no lance em si – a bola era mais difícil do que se diz, quem já foi guarda-redes sabe do que falo – mas sim no pontapé rasteiro que originou a jogada. Contudo, a lesão – partindo do princípio de que existe mesmo – impede-o de actuar. Assim sendo, a aposta mais segura é Beto: um guarda-redes que está motivado após uma das suas melhores épocas a nível individual, coroada com a conquista da Liga Europa. Não havendo Patrício, a escolha é clara.

Face à ausência de Pepe, qual a melhor dupla de centrais?                               

Partindo do princípio de que Bruno Alves não terá uma recaída da sua lesão, penso que o melhor será uma dupla entre ele e Neto. Ricardo Costa é mais experiente mas o jogador do Zenit complementa melhor Bruno Alves, uma vez que é um atleta mais ágil e mais capaz nas dobras. As suas boas exibições pela selecção até ao momento também dão confiança.

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Numa selecção demasiado dependente de Ronaldo, o contributo do melhor jogador do mundo é fundamental. Será que o extremo já ultrapassou definitivamente a lesão?
Fonte: Fifa.com

Será André Almeida a opção certa para substituir Coentrão?

É evidente que não, mas não é menos evidente que é por ele que Paulo Bento vai optar. A convocatória deste jogador foi incompreensível do ponto de vista desportivo, não só porque ele apenas começou a jogar em Abril mas também porque tinha, pelo menos, três laterais claramente à sua frente: Antunes, Cédric e Miguel Lopes (e ainda Sílvio, que se lesionou). De tanto se temer o facto de só haver João Pereira para a direita (e não era verdade, porque também há Ruben Amorim – a capacidade de jogar a defesa-direito foi inclusivamente um dos argumentos que pesaram na hora de o chamar em 2010), acabou por não se questionar muito a ausência de Antunes, uma vez que André Almeida seria, alegadamente, uma boa solução de recurso para as duas laterais.

O problema é que, ao segundo jogo, o recurso passou a ser necessário. E André Almeida não é de todo a opção mais óbvia para uma partida decisiva. A segurança defensiva – o seu ponto forte – ainda não apareceu na selecção: contra a Irlanda entrou muito nervoso e contra a Alemanha repetiu a dose, dividindo com Patrício as culpas no quarto golo e tendo ficado a milímetros de fazer um penálti por mão na bola. A nível ofensivo, receio que não se consiga soltar tanto como Portugal precisa. É certo que estou a torcer por uma grande exibição de André Almeida, mas manteria a minha opinião mesmo se fosse dele o eventual golo da vitória. Penso, portanto, que Veloso é uma solução mais sólida. Apesar de não ser rápido, tem mais experiência, é canhoto, conhece a posição tão bem ou melhor do que Almeida e oferece à equipa a vantagem de bater bolas paradas.

Qual o meio-campo que deve actuar?

Com a derivação de Veloso para defesa-esquerdo, o trio do meio-campo seria óbvio: William Carvalho mais recuado (seria a sua prova de fogo, porque tem ainda pouca experiência internacional e jogar num Mundial não é igual a jogar no campeonato português), João Moutinho e Raul Meireles. Este último está em clara quebra física, mas é ainda um jogador capaz. Terá, contudo, de ligar o meio-campo e o ataque de forma muito mais eficiente do que no jogo inaugural. Já Moutinho, talvez o jogador mais nuclear a seguir a Ronaldo, precisa de exibir-se ao nível a que nos habituou: exige-se lhe critério no passe e inteligência nas decisões. Num jogo em que Portugal vai ter muita bola, todos os lances de ataque organizado terão de passar pelos seus pés, pois é ele quem melhor define as jogadas.

william veloso
Miguel Veloso e William Carvalho: o primeiro a lateral-esquerdo, o segundo a médio defensivo – seria este o maior garante de sucesso para a selecção
Fonte: miamiherald.com

O que fazer com Ruben Amorim?

Ora aqui está uma opção válida e verdadeiramente polivalente. Não chega jogar em várias posições, é preciso fazê-lo bem, e Amorim pode ser solução para vários postos (mesmo a lateral-esquerdo a sua entrada no onze seria mais compreensível do que a de André Almeida). Não acho que se justifique colocá-lo a titular – isso significaria a saída de Meireles e o jogador do Fenerbahçe encaixa melhor no futebol de ataque que Portugal terá, forçosamente, de mostrar frente aos EUA. Mas o atleta do Benfica é, sem dúvida, uma boa opção para segurar o meio-campo durante a segunda parte, caso se justifique.

E qual o trio atacante a utilizar frente aos EUA?

Não sou um particular apreciador das qualidades de Hélder Postiga, que vem de uma época complicada. Mas, para este jogo, apostaria nele. Hugo Almeida está lesionado e, contra a Alemanha, nem ele nem Éder conseguiram segurar a bola e permitir a penetração dos extremos. Postiga não é um goleador mas está mais rotinado nessa função de servir os companheiros. Caso seja necessário, Éder é sempre um jogador a ter em conta para lançar na segunda parte, uma vez que a sua envergadura física sobrecarrega as defesas. Quanto aos extremos, Ronaldo e Nani estão de pedra e cal. Uma excessiva concentração do adversário na marcação ao primeiro pode contribuir para que o segundo se liberte.

Uma outra solução seria colocar Varela à esquerda, Nani à direita e Ronaldo mais solto no meio. Por um lado seria uma alternativa a considerar mas, por outro, perder-se-ia a tal referência no centro – se Ronaldo jogasse fixo seria mais facilmente anulado e, se viesse de trás tal como gosta, não teria ninguém com quem combinar, para além de que levaria com os dois centrais e ainda com os dois pivots defensivos norte-americanos.

O meu onze seria, portanto, algo do género:

ptfinal

É preciso ter a noção de que, na partida frente à Alemanha, tudo o que podia ter corrido mal correu, de facto. Duvido que isso se repita. Mas, se defendo que não se deve colocar tudo em causa, também sou da opinião de que qualquer resultado e exibição positivos terão de passar pela correcção de quase tudo o que se passou no primeiro jogo: maior rigor defensivo, mais critério ao nível do posicionamento com e sem bola, maior exploração das alas (com a consequente subida dos laterais), apresentação de um futebol fluido e, sobretudo, muita paciência. Portugal é melhor do que os EUA, mas vai ter de prová-lo em campo. Não pode mastigar o jogo em demasia mas também não se pode precipitar. Acredito que esta selecção continua a ser favorita para garantir a passagem à fase seguinte. Nada está perdido, apesar das várias decisões discutíveis que têm sido tomadas.

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