Portugal | Um sistema não sistemático que talvez devesse sê-lo

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Anda decidir que decides bem, Roberto. Pelo menos desta vez foi o caso. O selecionador de Portugal decidiu alinhar com três centrais diante da Irlanda e decidiu bem. O plano individual, desvendou na conferência pós-jogo, era muito importante nesta última partida de preparação. E foi precisamente o plano individual que ganhou com o sistema de três centrais – com as naturais consequências coletivas.

Pepe como central do meio, ladeado de António Silva e Gonçalo Inácio, ficou menos exposto e pôde mais facilmente acompanhar os recuos dos avançados irlandeses quando estes procuravam dar apoio frontal. Os dois jovens centrais também se sentiram mais salvaguardados sem e com bola, em particular Inácio que encaixa melhor num trio de centrais do que numa dupla.

Gonçalo Inácio Ante Budimir Portugal Croácia
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Os laterais cresceram no ataque com outra propriedade e Cancelo até apareceu muitas vezes no meio-campo, algo a que já no Manchester City se tinha habituado. Bruno Fernandes e João Neves com João Félix na sua frente também saíram beneficiados com esta abordagem tática, usufruindo do maior equilíbrio defensivo português para se soltarem nas ações ofensivas e subirem na pressão no momento defensivo.

Por fim, Rafael Leão, mais colado à linha quando Cancelo aparecia por dentro, e com mais espaço para atacar a profundidade e o 1×1 pareceu mais confortável do que em partidas anteriores e Cristiano Ronaldo, fruto do suporte tático que tinha nas costas, integrou-se melhor nas tarefas coletivas e gozou de mais oportunidades para fazer o gosto ao pé – o que conseguiu por duas vezes.

Cristiano Ronaldo é candidato a melhor marcador do Euro 2024
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Porventura não será o sistema mais adotado por Roberto Martínez no Europeu, mas ficaram boas indicações individuais e coletivas nesta partida, sempre com a salvaguarda de que o adversário tinha, sim, as características ideais para esta experiência portuguesa, mas não tinha a qualidade necessária para colocar em teste de verdadeiro fogo a seleção lusa. Ainda assim, nota bastante positiva para a turma das quinas e para Martínez.

Márcio Francisco Paiva
Márcio Francisco Paivahttp://www.bolanarede.pt
O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.

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