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Espanha: sangue novo (e velho)

Rafael Simões · 2 min

Espanha: sangue novo (e velho)

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Cabeçalho Futebol Internacional

Estupefacção. Foi isto o que a maior parte dos amantes do desporto rei em Portugal sentiram quando receberam a notícia de que Julen Lopetegui, ex treinador do Futebol Clube do Porto, era o novo selecionador da Espanha, a seleção mais dominadora do futebol mundial deste milénio.

A verdade é que foi mesmo o treinador basco, que saiu de Portugal com a imagem bastante desgastada – com muito exagero à mistura, refira-se -, o escolhido para orientar a seleção de nuestros  hermanos, também ela com a imagem algo desgastada num passado recente, no Mundial 2018 a realizar na Rússia. Pode-se dizer que se juntou o útil ao agradável. Lopetegui estava claramente a precisar de um projeto que lhe desse reais possibilidades de limpar a sua imagem e melhorar o seu currículo, e a seleção espanhola desespera por encontrar novamente os trilho da glória, que tão bem lhe assentou entre 2008 e 2012. Apesar de à primeira vista a escolha não parecer a mais óbvia, sou obrigado a concordar com a opção da Federação Espanhola. O ex guarda-redes já tem alguma experiência no que toca a orientar seleções – foi campeão da europa com as seleções sub 19 e sub 21, mostrando ter qualidade no trabalho com jovens valores -, adapta-se ao estilo de jogo dominador e de posse que la roja pratica e é a pessoa indicada para fazer a renovação de uma seleção outrora brilhante, mas que está claramente a precisar de sangue novo.

Depois dos sub21, conseguirá Lopetegui ter sucesso na selecção principal? Fonte: Federação Espanhola de Futebol
Depois dos sub21, conseguirá Lopetegui ter sucesso na selecção principal?
Fonte: Federação Espanhola de Futebol

Mantendo a espinha dorsal da seleção campeã europeia em 2012 – Iniesta, Sergio Ramos, Piqué, David Silva, Jordi Alba, entre outros, continuam a merecer a confiança do selecionador espanhol – e introduzindo novos elementos, com jogadores mais jovens a serem opções mais regulares como Morata, Saúl Ñiguez, Marco Asensio, Sergio Roberto, e aproveitando alguns jogadores mais experientes mas que nunca tinham tido uma verdadeira oportunidade na seleção como Nolito, Vitolo e Aduriz, a verdade é que Lopetegui tem-se dado bem no novo desafio, tem gerido da melhor maneira a mudança, aproveitando o que de bom a equipa já tinha e dando o seu cunho pessoal naquilo que considera que necessita de ser melhorado e, mais importante que isso, tem apresentado bons resultados e ainda não conheceu o sabor da derrota.

Mantendo a filosofia de jogo que tantas alegrias deu à nação espanhola no passado recente – a equipa continua, e bem, com um futebol de posse muito apoiado, requintado e com segurança defensiva -, o selecionador espanhol vai mostrando que houve alguma injustiça na forma como foi tratado nos últimos tempos do seu reinado no dragão e devolveu a esperança aos espanhóis que tiveram prestações muito aquém daquilo que podem fazer nas duas últimas competições internacionais.

Com uma nova conquista no horizonte no Mundial 2018, espera-se que Julen Lopetegui continue a dar seguimento ao bom trabalho, fazendo uma campanha de qualificação tranquila, gerindo da melhor forma  as velhas raposas da seleção e trabalhando a evolução dos jovens que começam a ganhar o seu espaço na Seleção A, ajudando a dar o tal sangue novo que esta equipa tanto precisa.

 

Imagem de capa: Federação Espanhola de Futebol

Rafael Simões

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