Cristiano Ronaldo | O “Adeus” do Eterno Capitão

- Advertisement -

A qualificação para a fase final do Mundial não é apenas mais um carimbo no passaporte competitivo de Portugal. Representa, com grande probabilidade, o prólogo do adeus do maior futebolista que este país, e que o mundo, alguma vez produziu e que o mundo viu crescer num patamar quase inatingível. Cristiano Ronaldo não foi apenas um jogador de futebol. Foi a força quase sísmica que deslocou o eixo do futebol português e que o empurrou definitivamente para o centro do mapa global.

Portugal teve génios. Eusébio incendiou plateias inteiras, Futre desafiou gravidades, Chalana espalhou magia em cada toque e Figo ultrapassou fronteiras que pareciam intransponíveis. No entanto, nenhum deles reescreveu o ADN competitivo nacional como Ronaldo. Com Cristiano Ronaldo, Portugal deixou de ser uma seleção que poderia surpreender para se tornar numa seleção que tinha de vencer. A equipa passou de outsider a referência. Nada disto surgiu por acaso; durante quase duas décadas houve alguém a puxar a nossa ambição sempre para cima, sempre contra o impossível.

Cristiano Ronaldo Portugal
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

É por isso que o debate atual que atravessa cafés, estádios e redes sociais sobre se Ronaldo deve ou não manter a titularidade revela muito mais sobre nós portugueses do que sobre ele. No fundo, não estamos a discutir apenas rendimento, idade ou frescura física. Estamos a questionar a nossa relação com a memória, com a exigência e com a gratidão.

A minha resposta é clara. Ronaldo joga. E joga porque o mérito não é um título honorífico. É um legado construído com suor, sacrifício e resultados que mudaram a história da seleção. Joga porque continua a ser uma presença que altera mentalidades, que intimida adversários e que eleva colegas. Joga porque, mesmo quando já não é o cometa imparável de outrora, permanece um farol competitivo para quem veste as cores nacionais.

Recordo frequentemente o que ocorreu no Mundial de 2022. A Argentina percebeu algo essencial. Quando se possui um ícone que redefine fronteiras, a equipa deve carregá-lo e protegê-lo. Messi já não era o prodígio de outros tempos, mas os seus companheiros entenderam que ele continuava a ser o centro gravitacional da equipa. Foi pragmatismo e não nostalgia. Certas figuras são catalisadores e não meros números inscritos numa ficha técnica.

Cristiano Ronaldo Bruno Fernandes Portugal
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Desejo que Portugal demonstre a mesma maturidade. Que esta geração, que muitos consideram a mais talentosa de sempre, seja capaz de retribuir ao capitão uma parte mínima daquilo que ele lhes ofereceu. Que perceba que o mérito individual destes novos talentos não surgiu no vazio, mas numa cultura competitiva que Ronaldo ajudou a moldar como um arquiteto obsessivo que constrói um edifício sem permitir falhas na base.

É fácil tratar Cristiano como monumento histórico. É mais difícil reconhecê-lo como peça ainda útil no presente. Talvez por isso a discussão seja tão intensa. Ronaldo nunca foi consensual. Foi disruptivo, exigente, imperfeito no excesso, humano no brilho. Contudo, continua a ser a representação mais evidente da Portugal do século vinte e um: ambiciosa, inconformada e feroz.

Quando o adeus definitivo chegar ficará uma seleção mais completa e mais sólida. Mas não nos iludamos. Muito do que ela é deve-se a ele. E enquanto continuar a vestir a camisola das quinas, mesmo que por mais um sopro de tempo, Cristiano Ronaldo não é simplesmente um dos vinte e seis. É o nosso capitão.

Subscreve!

Artigos Populares

Arouca está a fechar médio da Serie A por empréstimo

Yellu Santiago está a caminho do Arouca. Médio de 21 anos deixa Hellas Verona e chegará a Portugal por empréstimo.

Onde ver o El Clásico entre Barcelona e Real Madrid na final da Supertaça de Espanha?

O Barcelona e o Real Madrid defrontam-se na final da Supertaça de Espanha. El Clásico joga-se na Arábia Saudita este domingo.

Wesley ganha força, André Luiz mais distante: eis as novidades no mercado do Benfica

O Benfica continua à procura de mais um extremo. Negócio por Wesley avança face aos entraves por André Luiz.

André Villas-Boas rendido a Victor Froholdt: «Foi um negócio difícil, porque o Copenhaga sabia que tinha um diamante nas mãos»

André Villas-Boas, presidente do FC Porto, deixou elogios a Victor Froholdt e falou sobre o negócio com o Copenhaga.

PUB

Mais Artigos Populares

Mikel Arteta sobre Viktor Gyokeres: «Poderia marcar mais golos, mas todos os outros aspetos são extraordinários»

Mikel Arteta falou sobre a adaptação de Viktor Gyokeres. Técnico do Arsenal deixa ainda elogios ao avançado sueco.

Borussia Dortmund segura Fábio Silva: «Neste momento não existe um cenário em que queiramos deixá-lo sair»

O Borussia Dortmund quer a continuidade de Fábio Silva. Diretor desportivo do clube falou sobre a situação do avançado português.

Santa Clara prepara-se para vender reforço do verão por 60 mil euros

Luquinhas está de saída do Santa Clara. O extremo vai regressar à Polónia e tem chegada ao Radomiak muito bem encaminhada.