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O fim era inevitável, a relação estava sensível ao ponto de uma brisa leve de problemas ser suficiente para a atirar ao chão, mas havia (houve sempre) a esperança de que ainda se pudesse alcançar algo único na vida de ambos.  Que se pudessem dar alegrias, não só a eles, mas a tudo o que os rodeava.

A lei da probabilidades, porém, vingou sobre o romantismo. Ashley Williams, Robson-Kanu e Simon Vokes tarablharam para o “destino” e terminaram a destruição de uma relação já em cacos. A Bélgica era eliminada dos quartos-de-final do Euro 2016 pelo País de Gales, e confirmou-se a saída de Marc Wilmotts do comando técnico. Terminara uma relação com mais ódio (o ínafme episódio de um churrasco “mal organizado” e de segurança extrema com os jogadores belgas) que amor. E ficou a sensação de que ficou muito para dar.

Basta olhar para o onze-tio desse Europeu para o entender – Carrasco, De Bruyne e Hazard eram os elementos de apoio ao ataque, onde a referência era Romelu Lukaku, o duplo pivô tinha Wistel e Naingollan, a baliza era guardada por Courtois, que chefiava um quarteto defensivo com nomes como os de Alderweireld, Vermaelen ou Vertonghen e no banco havia “titulares” como Mertens, Benteke, Batshuayi, Origi, Fellaini ou Dembélé. Esta era uma selecção que, ainda por cima com o agrupamento que lhe calhou em sorte, tinha condições para estar na final do Euro 2016. Mas não aconteceu. Wilmotts tem responsabilidades, sobretudo pela insistência num meio-campo muito povoado que castrava o que esta equipa tem de melhor (processo ofensivo), mas a culpa não cai só para um dos lados e, convenhamos, faltou profunidade defensiva a esta equipa para poder ter sustentabilidade de campeã, e o quarteto defensivo do último jogo do Euro 2016, com jogadores como Denayer ou Jordan Lukaku, reflete isso mesmo. Não foi por acaso que todos os golos (o primeiro através de um canto, sim, mas com ponto de partida na direita do ataque) do País de Gales tenham tido o lado esquerdo (J. Lukaku na ala, Denayer com esse lado do miolo) como via de acesso.

Golo de Nainggollan de pouco serviu à Bélgica nos quartos-de-final do Euro 2016 Fonte: Belgian Red Devils
Golo de Nainggollan de pouco serviu à Bélgica nos quartos-de-final do Euro 2016
Fonte: Belgian Red Devils

Olhando para os dados classificativos da qualificação para o Mundial, parece que o problema estará resolvido – apenas 1 golo sofrido, numa goleada por 8-1, em quatro jogos disputados. Alderweireld e Vertonghen tem sido a dupla de centrais contra equipas mais competitivas e trazem com eles a sinergia de White Hart Lane, onde são, também, parceiros no eixo (ainda há Vermaelen e Kompany). Na ala direita, Meunier vai-se aproximando de patamares competitivos altíssimos. Na esquerda reside o maior desafio – Lukaku ainda não é jogador de uma selecção campeã, faltando-lhe noção do momento defensivo e de controlo da profundidade. Martínez vai piscando olho a uma eventual adaptação de Carrasco à posição (jogou em 3x4x3, com o jogador do Atlético de Madrid numa das alas, nos jogos contra Gibraltar e Estónia), porém, contra selecções cronicamente favoritas ao título Mundial, será quase suicídio entregar tarefas defensivas a alguém com tamanho balanceamento atacante.

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Aprimorar a ligação defesa-ataque também é um desafio que se avizinha no horizonte belga, mas isso é algo facilmente solucionado com … tempo. Wistel/Fellaini, Witsel/Defour ou mesmo Witsel/Dembelé serão opções mais que válidas e competitivas para formar o duplo-pivô, desde que tenham liberdade temporal para criar entrosamento.

Quanto ao ataque, os 21 golos em quatro jogos falam por si e Martínez é um treinador que sabe potenciar, quase como ninguém, o processo ofensivo de uma equipa (e já trabalhou com Lukaku – prometeu torná-lo num dos melhores pontas-de-lança do mundo- ou Mirallas). Se sem ovos (Swansea e Wigan)  conseguiu fazer omeletes, imagine-se agora com ovos de ouro.

Esta Bélgica ainda não está no ponto, mas promete. Muito! Outra vez…

Foto de capa: Belgian Red Devils