A CRÓNICA: 120 MINUTOS INTENSOS

Frente a frente estavam duas seleções com um percurso semelhante na fase de grupos (com o único triunfo a surgir na derradeira jornada), mas ambas sabiam que, nesta fase, só uma vitória colocaria uma das equipas nos “quartos” do Europeu. Num espetacular jogo de futebol, Croácia e Espanha encerraram os 90 minutos com um 3-3 no marcador, mas os espanhóis revelaram ser mais fortes no prolongamento e são eles que seguem em frente com um triunfo por 5-3.

A Espanha entrou melhor no encontro, dominou os primeiros 15/20 minutos e criou algum perigo junto da baliza contrária (nomeadamente num remate de Koke e num falhanço de Morata), mas acabaria por sofrer golo num lance caricato. Pedri atrasou a bola para a sua área e uma falha do guardião Unain Simón no domínio permitiu que a Croácia se adiantasse no marcador, sem ter feito um único remate até então. O conjunto espanhol sentiu o golo sofrido e os croatas até estiveram perto de ampliar a vantagem nas investidas de Vlasic e Kovacic; porém, o golo do empate acabaria por ficar reservado para o minuto 38’. Num lance de tremenda insistência coletiva, Sarabia apareceu no interior da área e no sítio certo para repor a igualdade no marcador.

Na segunda parte, o conjunto de Luis Enrique assentou o seu modelo de jogo e não tardou em operar a reviravolta no marcador. Num lance em que Pedri foi preponderante na condução de bola, Ferrán Torres cruzou para a área e apareceu Azpilicueta para cabecear e apontar o primeiro golo com a camisola da “La Roja“. A Croácia correu atrás do resultado e ainda ameaçou o empate por Gvardiol, mas Unain Simón redimiu-se e travou as aspirações croatas, que ficaram ainda curtas com o terceiro golo espanhol. Minutos depois do golo invalidado a Morata por fora de jogo, seria Ferrán Torres a aparecer sozinho na ala direita e a ampliar para uma vantagem de dois golos grandes dificuldades.

O ritmo da partida parecia ter quebrado após o terceiro golo da Espanha. Porém, num lance muito confuso na área espanhola ao minuto 85’, a Croácia conseguiu colocar a bola dentro da baliza, num remate do recém-entrado Mislav Orsic. Um golo que deixou as emoções ao rubro para os minutos finais e os croatas a sonhar cada vez mais com o empate. E assim foi… As aspirações pareciam curtas (quase nulas!), mas isso não impediu a equipa de Zlatko Dalic de chegar ao 3-3 nos descontos, num cabeceamento de um outro recém-entrado: Mario Pasalic. Dois golos vindos do banco que justiçavam as boas escolhas do selecionador croata.

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Seguiu-se o prolongamento com a expectativa de mais trinta minutos de espetáculo. Expectativas deterioradas? Nada disso. A Croácia até entrou melhor no prolongamento com os remates perigosos de Orsic e Kramaric e a resposta do adversário acabou por surgir…de forma eficaz. Olmo assustou recolocar a Espanha na frente do marcador. Não conseguiu, mas tratou de assistir para os dois golos que decidiram o encontro: o primeiro, marcado por Morata após uma boa receção, e o segundo através de Oyarzabal – tudo isto entre os minutos 100’ e 103’. O resultado não mais se alterou e a Espanha segue para os “quartos” do Europeu, onde já não chegava desde 2012 (altura em que se sagrou bicampeã europeia). Já a Croácia cai, mas pode-se dizer que cai de pé.

 

A FIGURA

Ferrán Torres – Um golo e uma assistência. O avançado do Manchester City FC realizou uma exibição consistente e revelou ser crucial para a reviravolta espanhola no segundo tempo – primeiro com a assistência para Azpilicueta no lance do segundo golo e depois na leitura do lance que originou o terceiro tento da Espanha. Apontou aquele que teria sido o golo sentenciador da partida, não fosse a incrível reação da Croácia já quando o camisola 11 se encontrava no banco de suplentes (substituído por Oyarzabal, que fez o 5-3 final).

O FORA DE JOGO

Marcelo Brozovic – Um jogo abaixo de expectativas por parte do médio croata. Brozovic perdeu quase todos os duelos e falhou vários passes que acabaram por ser cruciais para as transições do adversário. Num jogo desta dimensão, exigia-se mais concentração, sabendo-se que qualquer erro pode ser fatal nas contas finais (como podia ter sido o do guardião espanhol Unain Simón, no primeiro golo do encontro). O cansaço do médio do FC Internazionale foi ainda mais notório no prolongamento, deixando debilidades evidentes na ligação entre setores.

 

ANÁLISE TÁTICA – CROÁCIA

Costuma-se dizer que “em equipa que ganha não se mexe”. No entanto, Zlatko Dalic ficou impedido de repetir o mesmo “onze” que derrotou a Escócia por 3-1, devido a duas alterações forçadas – Duje Caleta-Car e Ante Rebic renderam os ausentes Dejan Lovren (castigado) e Ivan Perisic (acusou positivo num teste de Covid-19), respetivamente.

A seleção croata variou entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1 ao longo do jogo, sendo que foi precisamente essa versatilidade a criar dificuldades ao adversário nos processos de transição ofensiva, sobretudo por via da cooperação entre Modric e Kovacic no meio-campo. Enquanto não esteve em desvantagem no marcador, a Croácia apresentou-se com as linhas mais baixas e reduzidos momentos de pressing, algo que teve necessariamente de mudar após a reviravolta espanhola. A chave da recuperação não só esteve aí, como também na crença de que era possível levar o jogo para prolongamento – altura em as desconcentrações foram fatais para o desfecho do encontro.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Dominik Livakovic (5)

Josko Gvardiol (5)

Domagoj Vida (6)

Duje Caleta-Car (6)

Josip Juranovic (5)

Mateo Kovacic (7)

Marcelo Brozovic (4)

Luka Modric (6)

Ante Rebic (5)

Bruno Petkovic (5)

Nikola Vlasic (6)

SUBS UTILIZADOS

Andrej Kramaric (6)

Mislav Orsic (7)

Josip Brekalo (5)

Mario Pasalic (7)

Ante Budimir (6)

Luka Ivanusec (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – ESPANHA

Luis Enrique trocou também duas peças em relação ao “onze” que goleou a Eslováquia por 5-0, colocando o estreante José Luis Gayà no lugar de Jordi Alba e substituindo ainda Gerard Moreno por Ferrán Torres. Ainda assim, a Espanha manteve o 4-3-3 clássico que tem vindo a apresentar desde a fase de grupos.

Com um futebol extremamente possante, o conjunto espanhol teve pela frente uma seleção com qualidade de jogo nos períodos de posse de bola e, por isso, não teve outra alternativa senão a de se adaptar ao estilo de jogo do adversário. Ainda assim, manteve os índices a rondar os 60/70%, tal como em jogos anteriores. Tendo em conta as maiores dificuldades em furar pelo corredor central, a Espanha fez valer o seu jogo lateral e aproveitou a maior profundidade dada por Gayà à ala esquerda, para chegar com critério à baliza de Livakovic. Em qualquer um dos momentos de construção, Pedri assumiu-se sempre como a principal unidade criativa e fonte de desequilíbrio, com uma visão de jogo de grande qualidade. Defensivamente, as descoordenações entre setores acabaram por conduzir a um prolongamento que podia ter sido evitado pelos espanhóis; porém, esse problema foi subtilmente corrigido nos trinta minutos adicionais

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Unai Simón (5)

José Luis Gayà (6)

Aymeric Laporte (6)

Eric Garcia (6)

César Azpilicueta (7)

Sergio Busquets (6)

Pedri (7)

Koke (7)

Ferrán Torres (8)

Pablo Sarabia (7)

Álvaro Morata (6)

SUBS UTILIZADOS

Dani Olmo (7)

Pau Torres (5)

Jordi Alba (5)

Fabián Ruiz (6)

Mikel Oyazabal (7)

Rodri (5)

 

Artigo revisto por Andreia Custódio

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