A CRÓNICA: 90 MINUTOS ONDE A IRREGULARIDADE SE PAGOU CARO

No plano teórico, este era talvez um dos jogos mais desequilibrados dos oitavos de final deste Campeonato da Europa. De um lado, uma super França, proclamada por muitos como a melhor seleção do mundo a nível individual; e, do outro, uma Suíça que, embora com algumas figuras de relevo em boas equipas europeias, se tem mostrado muito humilde e capaz tanto de coisas boas como de outras menos surpreendentes. Ainda assim, um jogo a uma só mão pode sempre cair para qualquer lado e, por isso, seria uma partida com todos os motivos de interesse e mais alguns.

A bola começou a rolar na Arena Nacional de Bucareste e rapidamente se percebeu o respeito que as equipas tinham uma pela outra. Jogo algo amarrado, sem grandes oportunidades, e com a Suíça a conseguir ser mais forte do que se pensava. Foram eles os mais perigosos durante os primeiros 45 minutos e, por isso, conseguiram marcar um golo que se pode dizer justo. Zuber cruzou a bola, Seferovic apareceu, superiorizou-se a Lenglet  e colocou a bola no canto da baliza. Estava feita a surpresa e, talvez, o mais difícil para a seleção orientada por Vladimir Petkovic.

Para a segunda parte, Didier Dechamps percebeu que a sua equipa em nada beneficiava com a utilização de três centrais e acabou por mudar a tática. Dispôs a equipa num 4-4-2 e, certamente, terá alertado para a questão de as individualidades raramente resolverem jogos. A verdade é que os primeiros dez minutos foram iguais, até à Suíça ter uma grande penalidade para fazer o 2-0. Ricardo Rodríguez falhou e, a partir daí, o jogo mudou. No minuto seguinte, Benzema restabeleceu a igualdade e, passados dois minutos, o jogador do Real Madrid CF deu a volta ao marcador.

A França parecia dona e senhora do jogo e a Suíça enterrada. Esta ideia mais se acentuou quando Pogba fez o 3-1 com um grande golo, mas os helvéticos ainda reduziram para o 3-2, deixando para os últimos minutos reservadas todas as emoções. Pois bem, se o primeiro jogo do dia ditou um resultado de 3-3, este não lhe iria ficar atrás e uma nova surpresa viria a acontecer. Em cima do minuto 90, Gavranovic, com um remate de belo efeito, restabelecia a igualdade e empurrava a partida para prolongamento.

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Mais 30 minutos de futebol que, muito devido ao cansaço, acabaram por não oferecer golos. Tudo seria escrito nas grandes penalidades. E foi através da sua marcação que a Suíça acabou por se qualificar para uma fase onde nunca tinha chegado. Que dia histórico para o país, que tem agora a Espanha pela frente nos quartos de final.

 

A FIGURA

Haris Seferovic – Poderíamos falar de Benzema ou de Pogba, mas o avançado do SL Benfica acabou por começar o sonho e foi ele que, quando a equipa parecia morta, voltou a dar esperança aos companheiros. Dois dos golos mais importantes da sua carreira que certamente não esquecerá. Para além dos golos, foi sempre muito certo nas suas ações, muito capaz de enfrentar os adversários, muito daquilo que se espera dele. Que jogo do avançado; mais um que servirá para calar as críticas de que tem sido alvo.

O FORA DE JOGO

Defesa da França – Num jogo em que eram claramente superiores e em que as oportunidades no ataque surgiriam com alguma naturalidade, pedia-se à defesa que soubesse controlar os momentos em que o adversário se aproximasse da baliza. Assim não aconteceu, e a equipa da Suíça conseguiu criar muitas oportunidades de golo, de onde acabaram mesmo por surgir os três tentos que serviram, no fim, para ir às grandes penalidades e para a seleção se apurar para a próxima fase.

 

ANÁLISE TÁTICA – FRANÇA

Didier Deschamps optou por um 3-4-1-2, proporcionando um cenário algo surpreendente. Varane, Kimpembe e Lenglet apareceram como centrais, com Pavard a fazer toda a lateral direita e Rabiot a lateral esquerda. Kante e Pogba, os donos do meio campo, com Griezmann à sua frente, no apoio a Mbappé e Benzema. No entanto, os primeiros 45 minutos foram manifestamente fracos e o selecionador francês percebeu que a solução não passaria pelos três centrais.

Ao intervalo, tirou Lenglet e colocou Coman, mudando para um 4-4-2, que deu outro conforto aos atuais campeões do mundo. Melhoraram significativamente e isso é evidente pelos três golos marcados. Ainda assim, a nível defensivo, a equipa acabou por se mostrar bastante incapaz, dando alguns sinais de que algo tem de mudar no futuro.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES 

Hugo Lloris (6)

Pavard (5)

Varane (5)

Lenglet (4)

Kimpembe (5)

Rabiot (5)

Kanté (7)

Pogba (9)

Griezmann (6)

Benzema (8)

Mbappé (6)

SUBS UTILIZADOS

Coman (5)

Sissoko (5)

Giroud (5)

Thuram (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – SUÍÇA

Só uma tática muito bem definida poderia fazer frente a uma poderosíssima seleção como a francesa. Assim, Vladimir Petkovic optou por um 5-3-2 que lhe garantisse muitos homens no momento defensivo, mas também nos momentos em que se conseguisse expandir para o ataque, algo feito essencialmente através dos laterais, Widmer e Zuber.

Na linha defensiva, atuaram Elvedi, Akanji e Rodríguez, com Xhaka e Freuler à sua frente. Shaqiri é o organizador da equipa e apareceu no apoio a Embolo e a Seferovic, dois pontas de lança muito diferentes, que se complementam muito bem. Apesar das substituições, a seleção helvética não perdeu a sua qualidade coletiva e muito do seu percurso se deve à força da união que todos fazem por exercer.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Sommer (9)

Widmer (7)

Elvedi (8)

Akanji (7)

Ricardo Rodríguez (7)

Zuber (7)

Freuler (6)

Xhaka (7)

Embolo (8)

Seferovic (9)

SUBS UTILIZADOS

Gavranovic (8)

Mbabu (6)

Fassnacht (6)

Vargas (6)

Mehmedi (6)

Schar (6)

 

Artigo revisto por Andreia Custódio

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