A CRÓNICA: RECITAL DO MAESTRO PHILLIPS

O palco da final do Euro 2020, o Estádio de Wembley, acolheu a primeira partida do Grupo D. A Inglaterra, uma das seleções que joga em casa, recebeu a Croácia, finalista vencida do Mundial de 2018, num dos jogos mais esperados da primeira fase da competição.

Os ingleses entraram com todo o gás nos primeiros minutos do encontro. Ao passar do quinto minuto, Phil Foden teve nos pés o golo inaugural, mas o poste não foi amigo do número 20 da seleção dos três leões. Quando o golo dos anfitriões parecia uma questão de minutos, a corrente de investidas atacantes terminou e o espetáculo do início do jogo não teve continuação.

O 0-0 foi o resultado levado para os balneários no final da primeira parte, mas, ao contrário do esperado, no regresso não houve mexidas para tentar mudar o cenário de nulo. No entanto, foi com as peças iniciais que a Inglaterra conseguiu marcar o único golo do jogo.

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Numa fase de clara apatia de ambas as seleções, Kalvin Phillips encontrou o caminho para a glória numa jogada que parecia inofensiva. Depois de um slalom onde deixou dois defesas croatas pregados ao chão, os pés do médio encontraram Raheem Sterling. O jogador pareceu ler os pensamentos do colega e, com tempo e espaço, rematou sem hipóteses de defesa de Livakovic.

Até ao final, a Croácia pouco ou nada fez para tentar levar pontos de Wembley. No momento do apito final do árbitro Daniele Orsato, o 1-0 fixou-se no placard. Se de um lado reinou a desilusão, a Inglaterra aproveitou para conseguir vencer o seu jogo de abertura de um Europeu pela primeira vez em 16 participações.

Na segunda jornada do Euro 2020, a Inglaterra recebe a Escócia, no dia 18 de junho, às 20h. A Croácia, por sua vez, vai tentar angariar os primeiros pontos no torneio frente à República Checa, no mesmo dia, mas mais cedo, às 17h.

 

A FIGURA

Kalvin Phillips Para quem ainda desconhecia o talento do “Yorkshire Pirlo”, é normal estar impressionado com o que fez durante os 90 minutos. Encheu o campo e demonstrou que se deve tratar muito mais do que um simples “médio-defensivo”, visto que pode aparecer nas zonas mais avançadas do terreno.

Coroou a exibição com a assistência para Raheem Sterling, mas, além da importância ofensiva, também foi importante na coesão defensiva. No final, terminou com 94% no capítulo do acerto dos passes e deve ter garantido um lugar no 11 inicial de Southgate para as próximas partidas.

O FORA DE JOGO

Ataque da Croácia – Apesar de terminar o jogo com os mesmos remates de Inglaterra, nenhum foi realmente perigoso. A tarde calma de Jordan Pickford foi fruto do desacerto e pouca inspiração da frente de ataque croata, com a falta de uma referência matadora. Continuando assim, vai ser difícil marcar golos.

 

ANÁLISE TÁTICA – INGLATERRA

O selecionador inglês, Gareth Southgate, optou pelo sistema tático de 4-2-3-1 para o embate frente à Croácia. Tendo em conta o talento que o adversário apresenta no miolo, a dupla de pivôs composta por Declan Rice e Kalvin Phillips foi fundamental para conter o ataque à profundidade. Pelo contrário, os alas (principalmente Kyle Walker) foram muitas vezes expostos às investidas dos croatas.

Quando a seleção dos três leões partia para o contra-ataque, Raheem Sterling e Phil Foden foram muitas vezes as armas apontadas à baliza de Livakovic. Mason Mount foi a peça que, durante o encontro, deu mais balanço aos homens da frente, com bastantes iniciativas de associação com as duas faixas laterais.

Contudo, era notório o pouco atrevimento dos ingleses, porque mantinham muitos homens na defesa para prevenir um contra-ataque croata. Na frente, a defesa croata rapidamente engolia os atacantes com uma cortina de ferro.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Jordan Pickford (6)

Kyle Walker (5)

John Stones (6)

Tyrone Mings (6)

Kieran Trippier (6)

Declan Rice (5)

Kalvin Phillips (9)

Phil Foden (7)

Mason Mount (7)

Raheem Sterling (8)

Harry Kane (5)

SUBS UTILIZADOS

Marcus Rashford (6)

Jude Bellingham (-)

Calvert-Lewin (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CROÁCIA

Os croatas, liderados por Zlatko Dalic, foram a jogo num sistema tático ordenado num clássico 4-3-3. O desnorte ofensivo marcou todo o encontro do conjunto Kockasti que, apesar da qualidade individual, nunca se conseguiu reinventar, tendo em conta a estratégia inglesa.

As características de Kramaric, Rebic e Perisic acabam por embater umas nas outras. De certeza que a Croácia, desde a “reforma” de Mandzukic, anda a pedir um matador para colmatar esse problema sistémico. No entanto, apesar da pouca capacidade de garantir ataques à profundidade, ainda conseguiu causar perigo pelas faixas laterais, aproveitando algumas frechas dos alas da Inglaterra.

Para tentar sair da teia inglesa, não foram poucas as vezes em que vimos os avançados croatas a procurar a bola no primeiro terço do terreno. A Croácia tem muita qualidade com a bola nos pés, mas necessita de algo mais para marcar golos e ser candidata a chegar longe na competição.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES 

Dominik Livakovic (6)

Sime Vrsaljko (6)

Domagoj Vida (5)

Caleta-Car (5)

Josko Gvardiol (6)

Marcelo Brozovic (5)

Mateo Kovacic (6)

Luka Modric (6)

Ivan Perisic (5)

Andrej Kramaric (5)

Ante Rebic (4)

SUBS UTILIZADOS

Josip Brekalo (5)

Nikola Vlasic (5)

Bruno Petkovic (5)

Mario Pasalic (-)

Artigo revisto por Joana Mendes

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