Publicidade

Suécia 1-2 Ucrânia: Dovbyk, o herói improvável

Vasco Borges · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

A CRÓNICA: JOGO EQUILIBRADO RESULTOU EM PROLONGAMENTO CRUEL PARA OS SUECOS

O último jogo dos oitavos de final era também o de menor cartaz, mas, apesar de um início lento, quem escolheu ver o Suécia x Ucrânia não saiu desiludido. Num duelo muito disputado, até foram os suecos a estar por cima, mas foi a Ucrânia a seguir para os quartos de final. Artem Sovbyk nunca tinha marcado pela sua seleção, ainda não tinha jogado no Euro 2020 e parecia destinado a ficar no banco. O azar de Besedin abriu-lhe as portas do relvado e a oportunidade de se tornar o herói ucraniano.

Depois de conquistar o primeiro lugar no Grupo E, a Suécia voltou a aparecer muito organizada, mas na primeira meia hora não conseguiu criar oportunidades dignas de registo. Do outro lado, a Ucrânia levou algum tempo a adaptar-se ao esquema de três centrais, que Shevchenko recuperou dos encontros de qualificação para o Mundial 2022, em março. Forsberg de um lado e Shaparenko do outro iam sendo os elementos mais agitadores.

Apesar do ascendente inicial da Suécia, foram os ucranianos a inaugurar o marcador, ao minuto 28, com direito a uma assistência de trivela de Yarmolenko. O golo foi da autoria de Zinchenko que fuzilou, de primeira, as redes de Robin Olsen.

A resposta sueca não tardou e o empate foi carimbado aos 43, com selo do pé esquerdo de Emil Forsberg. O pontapé de fora da área, do jogador do RB Leipzig, sofreu um desvio e deixou Bushchan sem hipóteses de defesa. Uma igualdade justa para uma primeira parte dividida.

No segundo tempo, os postes assumiram o protagonismo. Primeiro foi Sydorchuk a atirar aos ferros da baliza sueca. Dois minutos depois, foi Forsberg a ter pontaria a mais. Aos 69, mais uma vez Forsberg – um autêntico pesadelo para a defesa ucraniana – e mais uma vez os ferros. Desta vez, foi a trave a negar o 2-1 aos suecos. Pelo meio, também Bushchan foi chamado a intervir, com uma boa defesa a remate de Kulusevski.

Os 90 minutos esgotaram-se sem que ninguém conseguisse desfazer a igualdade e o jogo avançou para prolongamento. Os 30 minutos de tempo extra foram de pouca ação e o jogo parecia encaminhado para os penáltis, até ao golo de Artem Dovbyk… Aos 120+1. Ironicamente, o avançado do FK Dnipro entrou para substituir o lesionado Besedin, que esteve apenas 10 minutos em campo devido a uma lesão após entrada duríssima de Danielson. Segue-se a Inglaterra, para os homens de Shevchenko, com a promessa de ser, no mínimo, um osso duro de roer.

 

A FIGURA

Emil Forsberg – Pouco servirá para apaziguar a frustração do avançado sueco, mas Forsberg não poderia sair deste Europeu sem o prémio de “Figura” deste jogo. Durante os 90 minutos, repetiu as grandes exibições da fase de grupos e foi o melhor em campo. Chegasse a Suécia mais longe e seria candidato a melhor da competição.

O FORA DE JOGO

Alexander Isak – Foi um dos destaques da Suécia na fase de grupos, apesar de não ter marcado qualquer golo. Hoje teria sido o jogo ideal para a estreia a marcar, mas apesar do bom movimento no golo de Forsberg, Isak raramente criou perigo. Passou ao lado do jogo.

 

ANÁLISE TÁTICA – SUÉCIA

A Suécia apresentou-se no habitual 4-4-2, com a única novidade, em relação ao jogo frente à Polónia, a ser a inclusão de Kulusevski no onze, no lugar de Quaison. Os suecos voltaram a apostar numa base mais fechada, com espaço para transições rápidas, a explorar a mobilidade da dupla de avançados, Kulusevski/Isak.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Robin Olsen (5)

Lustig (6)

Lindelof (6)

Danielson (5)

Augustinsson (6)

Sebastien Larsson (7)

Albin Ekdal (6)

Kristoffer Olsson (8)

Emil Forsberg (9)

Kulusevski (6)

Alexander Isak (5)

SUBS UTILIZADOS

Bengtsson (5)

Emil Krafth (6)

Robin Quaison (5)

Marcus Berg (6)

Viktor Claesson (5)

Helander (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – UCRÂNIA

Depois de ter usado um 4-3-3 tradicional na fase de grupos, Shevchenko mudou radicalmente o esquema e apostou num 3-4-3. À frente dos três centrais esteve a dupla Stepanenko/Sydorchuk, a assumir as funções mais defensivas no meio-campo, com Zinhenko e Matviienko nas alas. No ataque, a dupla Shaparenko/Yarmolenko, com mais liberdade, a atuar nas costas do ponta-de-lança Yaremchuck. Sem grande surpresa, no momento defensivo, o esquema ucraniano transformava-se num 5-3-2, de forma a povoar o último terço e encurtar os espaços na defesa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Bushchan (7)

Zabarnyi (7)

Sergey Kryvtsov (6)

Matviienko (7)

Karavaev (6)

Sydorchuk (7)

Stepanenko (6)

Zinchenko (9)

Yarmolenko (7)

Yaremchuk (4)

Shaparenko (7)

SUBS UTILIZADOS

Malinovski (7)

Besedin (-)

Makarenko (6)

Tsygankov (6)

Artem Dovbyk (8)

Roman Bezus (-)

Artigo revisto por Joana Mendes

Vasco Borges

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.