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O RESCALDO

O México e a Croácia entraram esta noite em campo com a ambição de carimbar o passaporte para os oitavos-de-final do Campeonato do Mundo. Se aos centro-americanos bastava o empate para garantir o segundo lugar, os europeus necessitavam dos três pontos para seguir em frente na competição. O México, que voltou a demonstrar grande solidez defensiva, um sentido colectivo muito forte e uma interessante dinâmica atacante – com largura e profundidade –, acabou por ser um justíssimo vencedor e chega aos oitavos-de-final pela sexta vez consecutiva desde 1994.

A Croácia, num esquema ligeiramente diferente daquele que havia usado nas duas primeiras partidas, entrou mais forte no jogo. Rakitic apareceu como único pivot defensivo, cabendo a Modric e a Pranjic a tarefa de assumir o meio-campo e servir o trio de ataque composto por Mandzukic, Olic e Perisic. Ao desfazer o duplo pivot Rakitic-Modric, que jogava com um médio ofensivo à sua frente (Kovacevic ou Sammir), Kovac terá procurado libertar Modric para situações em que pudesse fazer o último passe – solução um pouco mais ofensiva -, mas essa acabaria por se revelar uma aposta perdida pelo treinador balcânico.

O México, igual a si próprio, fechou bem todos os caminhos para a baliza, compondo um bloco muito difícil de ultrapassar – os três centrais estiveram muito concentrados (e Rafa Márquez é um primor a sair a jogar; aos 35 anos continua a fazer a diferença), os três médios trabalharam intensamente em todos os momentos do jogo (todos em excelente plano – Herrera sobre a direita, Guardado sobre a esquerda e Vásquez como pivot) e os dois laterais nunca deixaram de estar atentos às movimentações nos corredores (Aguilar e Layun, competentíssimos a atacar e a defender).

Os aztecas, mesmo oferecendo o domínio à Croácia, nunca deixaram de ter o controlo sobre o jogo. Procurando transições mais rápidas e apostando num futebol mais vertical e objectivo do que o do adversário, até foi o México a beneficiar das principais ocasiões do primeiro tempo – Herrera, num remate de pé esquerdo que bateu com um estrondo nos ferros, foi o protagonista do grande lance da metade inicial.

Herrera e Guardado - os dois elos de ligação entre a defesa e o ataque do México estiveram em grande  Fonte: Getty Images
Herrera e Guardado – os elos de ligação entre a defesa e o ataque do México estiveram em grande
Fonte: Getty Images

Na segunda parte, os europeus voltaram a entrar mais fortes e pressionantes, mas rapidamente os pupilos de Miguel Herrera deram a volta ao texto. Já por cima, o México chegou à vantagem pelo capitão Márquez, que se antecipou a Corluka num canto e cabeceou para a liderança. Com três minutos volvidos, num ataque extremamente bem desenhado, Peralta assistiu Guardado para o 0-2. Pouco tempo depois, Chicharito “matou” o jogo – Guardado bateu um canto sobre a direita, Márquez desviou de cabeça e o avançado do United finalizou ao segundo poste. Em dez minutos, três golos dos guerreiros aztecas e a sentença de morte para a Croácia. O golo de honra dos Vatreni ainda chegou antes do cair do pano – Perisic correspondeu da melhor forma ao passe de calcanhar de Rakitic e bateu Ochoa pela primeira vez em mais de 200 minutos. Com este golo, o México perdeu a possibilidade de concluir a fase de grupos sem golos sofridos e a Croácia trouxe justiça ao placard e dignidade à derrota.

A Croácia despede-se deste Mundial com boas indicações, apesar das duas derrotas. Fez o que pode contra o Brasil e o senhor do apito na primeira jornada, fez o que lhe competia ao golear os Camarões na segunda ronda, e hoje, procurando sempre a baliza adversária, acabou por deixar uma imagem positiva mas revelou-se impotente perante a intensidade dos mexicanos. Os croatas têm uma equipa muito interessante, com Rakitic e Modric como principais figuras, e dá a sensação de que num grupo menos complicado poderiam ter obtido outra classificação.

Já o México voltou a provar que é uma equipa muito bem orientada. Apesar de Miguel Herrera ter chegado ao comando técnico da selecção há pouco tempo (a qualificação para o Mundial esteve em risco e houve uma dança de treinadores durante esse período negro), nota-se que a equipa tem uma ideia de jogo muito clara e raramente se descompõe. Este 3-5-2 tem dado frutos. Com um super-Ochoa na baliza, três centrais impecáveis no posicionamento (Rodriguez e Moreno secundam muito bem o capitão Rafa Márquez, que aparece como líbero e primeiro construtor), dois laterais muito enérgicos e completos (Layun e Aguilar são fortes em todos os momentos do jogo e hoje terão feito as exibições mais convincentes no torneio), um trio de meio-campo versátil e dinâmico (Vásquez, o mais baixinho, compensa todas as movimentações dos colegas e é muito eficaz na primeira zona de construção e de pressão; Herrera e Guardado actuam como médios interiores box-to-box, fundamentais na transição ofensiva e a fechar o meio-campo sem bola) e dois homens rápidos e móveis na frente, capazes de perturbar qualquer defesa adversária (Gio dos Santos, o mais genial, até esteve um pouco ausente do jogo de hoje, mas trabalha sempre muito e é um desbloqueador; Peralta, que roubou o lugar a Chicarito na dianteira, é o finalizador da equipa, mas procura constantemente espaço nas alas – é rápido, bom tecnicamente e muito batalhador), o México já é uma das boas surpresas deste Mundial 2014.

O carismático Miguel Herrera tem-se revelado um timoneiro muito competente  Fonte: Getty Images
O carismático Miguel Herrera tem-se revelado um timoneiro muito competente
Fonte: Getty Images

O choque táctico entre o 3-5-2 do México e o 3-5-2 da Holanda, agendado já para o próximo Domingo, já me está a criar “água na boca”. A Laranja Mecânica tem sido apontada pelos analistas como uma das principais favoritas à conquista do ceptro, mas terá pela frente um osso muito duro de roer. La Verde tem uma defesa coesa mas algo lenta, pelo que a chave do jogo estará em evitar que os holandeses usem a sua grande arma – a exploração dos espaços nas costas da defesa adversária, através das iniciativas de Sneijder, Van Persie e, claro, Robben. Nesse sentido, a ausência do pivot Vásquez, suspenso por acumulação de amarelos, poderá ser difícil de colmatar por Miguel Herrera. Se conseguir parar as diabruras dos homens da frente da Holanda, o México tem aqui uma hipótese de fazer história. Talento e organização parecem não faltar!

A Figura

Hector Herrera merece esta distinção. Houve mais jogadores mexicanos a assinar exibições muitíssimo positivas (Márquez, Aguilar ou Guardado estiveram fantásticos), mas o médio do FC Porto pegou na batuta e assumiu-se como o grande maestro do meio-campo azteca. Com confiança, é outro jogador! Capaz de fazer tudo e mais alguma coisa – cruza, remata, passa curto, passa longo, rouba bolas, contemporiza, ultrapassa jogadores no um para um… enfim, um box-to-box de altíssimo nível -, é um dos melhores centro-campistas deste Mundial até ao momento.

O Fora-de-Jogo

De Mario Mandzukic, soberbo no Euro 2012 e com uma estreia muito interessante no Mundial 2014 diante dos Camarões, esperava-se mais neste jogo. É certo que o esquema táctico pode não o ter favorecido – a bola praticamente não lhe chegou aos pés -, mas deveria ter procurado outros espaços. Foi uma nulidade no ataque croata.

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