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O RESCALDO

As contas eram simples. Do lado da França, relativa tranquilidade – com 6 pontos conquistados e um impressionante goal avarage de 8 golos marcados e dois sofridos a selecção gaulesa tinha o apuramento à proxima fase practicamente garantido. A França não perdia com uma equipa sul-americana desde 1978, e com as excelentes prestações apresentadas nos dois primeiros jogos deste Mundial, era pouco provável que o recorde fosse quebrado diante o Equador. Já do lado dos sul-americanos, a tanto as contas como a situação eram mais complicadas. A Suiça, também com 3 pontos, defrontava à mesma hora a limitada selecção das Honduras. Aos equatorianos era então preciso igualar ou superar o resultado da Suiça e, em caso de igualdade de pontos, acabar com melhor diferença de golos (Equador partia com uma diferença de 3 marcados e 3 sofridos, enquanto a Suiça estava em desvantagem nesta questão com 4 marcados e 6 sofridos). O problema da equipa equatoriana era só um, e bem grande – vencer a forte selecção gaulesa, já apontada como uma das favoritas à grande final do Mundial do Brasil.

O jogo começou como se esperava – França com a iniciativa do jogo a partir para cima dos equatorianos, que defendiam concentrados e tentavam sair em velocidade. Mas logo aos 5 minutos de jogo, a janela de oportunidade já ténue que o Equador tinha para se qualificar para os oitavos-de-final fechou-se um pouco mais. Em Manaus, essa terra de má memória para todos os portugueses, a Suiça já ganhava às Honduras, com golo de Shaquiri. De volta ao Maracanã, aos 15 minutos de jogo Moussa Sissoko aplica forte remate a meia volta, que o guardião equatoriano Alenxander Domínguez agarra sem dificuldades. Passados 10 minutos Sagna cruza tenso, Dominguéz falha a intercepção, e a bola passa por Benzema que, surpreso, não aproveita. Por incrível que pareça, esta seria a primeira e única falha do guarda-redes equatoriano em toda a partida. Mas já la vamos. Aos 30 minutos, nova facada nas aspirações equatorianas – a Suiça marca o segundo às Honduras, novamente por Shaquiri, e desfaz a desvantagem de golos que tinha para o Equador. A janela fechava-se cada vez mais para Valência e companhia, que começavam a ver os oitavos-de-final por um canudo, estando obrigados a vencer a França e dependentes de mais golos suiços.

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Didier Dechamps e a armada gaulesa tinham claramente um objectivo em mente – confirmar o bom momento da selecção e dar continuidade à mortífera capacidade ofensiva que haviam demonstrado nos primeiros dois jogos do Mundial. Mesmo com um plantel que sofreu várias alterações, Matuidi e Pogba distribuiam o jogo com mestria, aproveitando o auxílio dos 4 jogadores mais laterais e inclusive do próprio Benzema,que vinha frequentemente buscar jogo atrás. A França ia impondo o controlo e criava chances repetidamente. Os últimos minutos do primeiro tempo trouxeram as duas maiores oportunidades até ali. Aos 37 minutos, Pogba testou a atenção de Dominguéz com um cabeceamento venenoso na sequência de um canto. Passados apenas 3 minutos, foi a vez de Enner Valencia subir aos céus, mas Lloris mostrou-se à altura e levou o nulo para o descanso.

Com a sua velocidade e força,Enner Valencia foi um dos jogadores que mais perigo criou à defesa francesa. Fonte: FIFA
Com a sua velocidade e força,Enner Valencia foi um dos jogadores que mais perigo criou à defesa francesa.
Fonte: FIFA 

O começo do segundo tempo foi absolutamente frenético. A França parecia renovada depois do descanço, e bastaram 2 minutos para voltar a ameaçar, desta vez com grande perigo – Sagna de novo a cruzar, o jovem extremo Griezmann no desvio e… Domínguez novamente, com uma defesa de puro instinto a enviar o esférico para o poste. Aos 50 minutos, mais um golpe para as aspirações da selecção equatoriana – Antonio Valencia, capitão e estrela da equipa, vê o vermelho directo após entrada dura sobre o lateral francês Digne. A França apertava o cerco, mas o Equador, apesar de estar a jogar com 10, mantiha-se firme, com esperança de que num rasgo de Montero ou Enner Valencia, este último que realizou uma excelente partida, conseguisse obter os 3 pontos e o golo necessário para destronar a Suiça do segundo lugar do grupo E.Mesmo sabendo da delicada situação em que se encontravam e das baixas probabilidades de seguir em frente, o Equador reagiu bem à expulsão, com Noboa a desperdiçar uma situação de contra-ataque logo aos 54 minutos. Seguiram-se quase 20 minutos de domínio e controlo francês, que apenas não foram consolidados em parte pela falta de pontaria mas principalmente devido ao suspeito do costume, o guardião equatoriano Dominguéz. O Equador manteve-se fechado e compacto, disputando todas as bolas com um afinco e uma dedicação notáveis. Na frente, Enner Valencia continuava irrequieto, e Ibarra, que havia substituido Montero aos 63 minutos, entrou muito bem no jogo, tendo obrigado Lloris a grande intervenção.

O jogo estava aberto, emocionante e atractivo, e os adeptos presentes no mítico Maracanã vibravam intensamente. A Suiça já ganhava por 3 às Honduras (Shaquiri aos 74 minutos fechou o hat-trick) e eram agora precisos não um mas dois golos à França para o Equador se apurar. À medida que o tempo passava, o improvavél tornava-se muito duvidoso, e a janela continuava a fechar – uma premonição daquilo que espera a selecção portuguesa amanhã, contra o Gana? Quem sabe. Certo é que com as adversidades a acumularem-se, a selecção do Equador nunca desistiu de procurar o golo, perante a incapacidade francesa de fazer aquilo que a evidenciou nos primeiros dois jogos do grupo E – marcar. Dominguéz voltou a negar o golo aos frances por 3 vezes, com Benzema, Remy e Giroud a serem incapazes de bater o guarda-redes que actua no LDU Quito.

Mas a raça e o querer equatoriano não chegou para a qualidade do futebol gaulês. Empate a zero no Maracanã, num jogo muito disputado e “durinho”, como reza a gíria. O resultado dita um França-Nigéria e um Argentina-Suiça para os oitavos-de-final do Mundial. Quanto ao Equador, é mais uma vez afastado do Mundial na fase de grupos, da qual nunca conseguiu passar. A expulsão de Valencia hipotecou as hióteses de uma surpresa frente à França, mas na sua ausência, Enner Valencia e Dominguéz agigantaram-se para enfrentar sem medos os gauleses. A janela acabou por se fechar inteiramente, mas a selecção equatoriana sai do Brasil pela porta da frente e de cabeça

A Figura:

Alexander Dominguéz – Quem? Uma verdadeira muralha. Muitos foram os que tentaram, mas nennhum consiguiu transpôr o guarda-redes equatoriano de 27 anos. Melhor em campo, sem qualquer tipo de dúvida. De braços longos, instintos felinos e uma firmeza heróica, o guardião foi o grande responsável pelo nulo, tendo feito uma exebição quase a roçar a perfeição.

O Fora-de-Jogo:

Antonio Valencia – À primeira vista, Valencia parece não ter tido intenção de agredir Digne, mas as imagens arrepiam a espinha de qualquer um. Com o experiente extremo do Manchester United, a missão do Equador já era difícil… sem ele complicou ainda mais. Pedia-se mais à grande estrela do futebol equatoriano, que acabou por manchar as boas exibições que havia rubricado e deixou a equipa numa situação muito complicada.

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