Os Mundiais são, sem sombra de dúvidas, a maior montra para um jogador. Todo o mundo pára durante um mês para ficar com os olhos colados aos ecrãs e, claro, há jogadores que aproveitam esta visibilidade para se darem a conhecer.

Não é bem este o nosso caso, pois Juan Quintero é um nosso velho conhecido. Chegou ao Portugal rotulado de “novo James” (de quem é amigo de infância) e a verdade é que tem qualidades mais do que suficientes para isso, porém nunca confirmou na totalidade o seu potencial. Como se costuma dizer, o sucesso é 1% de inspiração e 99% de transpiração e essa é uma das maiores razões para o rendimento inconstante de JuanFer.

Na sua passagem pelo Dragão ficaram bem vincadas as suas características: uma visão de jogo fenomenal, uma qualidade de passe muito acima da média e um pé esquerdo capaz de fazer estragos frente a qualquer adversário. No entanto, a sua falta de compromisso defensivo, recuando a passo, foi sempre um entrave à sua afirmação. Aliado a isto, o descuido com o seu físico fê-lo apresentar-se várias vezes com peso muito acima do suposto.

Depois da experiência mal sucedida no Porto e um empréstimo também não aproveitado na Europa, teve um ano áureo no seu país, onde renasceu para o futebol e marcou 15 golos em 36 jogos ao serviço do Indepediente Medellín. Seguiu-se um novo empréstimo ao River Plate que possibilitou a sua presença na seleção onde, refira-se teve sempre um rendimento muito superior ao que teve nos clubes.

James e Quintero: das ruas de Medellín ao Mundial na Rússia
Fonte: Federación Colombiana Fútbol

Pode ter causado alguma surpresa para o público geral ver que, no jogo inaugural da Colômbia neste certame, Quintero tivesse sido titular e James começasse o jogo no banco. Mas José Pekerman não podia estar mais satisfeito com esta sua opção já que o camisola 20 carregou a sua equipa às costas, mesmo com menos uma unidade em campo. Nos 60 minutos em que atuou, Quintero foi o principal desiquilibrador, somando muitos passes a rasgar linhas e a deixar os colegas em ótimas posições para finalizar. A coroar a sua exibição, um livre magistral em que fez passar a bola por baixo da barreira só terminou no fundo das redes nipónicas, fazendo o empate na altura.

Se a primeira exibição de JuanFer foi um brilharete, que dizer da segunda… Desta vez conjugado com James no onze, os dois amigos de infância estiveram ao seu melhor nível, tal como faziam nas ruas de Medellín, e combinaram na perfeição para o primeiro golo colombiano: a simulação de remate de Quintero é fabulosa e o cruzamento do 10 foi delicioso. Para além dos passes formidáveis e de um nunca antes visto compromisso defensivo intenso, Quintero esteve igualmente na jogada do segundo golo, desmarcando na perfeição Falcao, numa assistência que foi mais que meio golo. Aliás, o jogo frente à Polónia correu-lhe de feição, que até motivou José Pekerman a chama-lo ao banco para lhe dizer: Juan! Juan! Crack! Crack! Crack! Sos un crack!.

Não é para menos, afinal estamos a viver o renascer de um craque. Depois de uma enorme crise existencial que o fez deixar o futebol para segundo plano para se dedicar à música (lançou várias músicas de reggaeton), o futebol está novamente a reencontrar-se com um enorme talento.

“O futebol está a dar-me uma nova oportunidade, devolveu-me o sentimento de ter voltado a ser útil”, disse. Que seja sempre assim, com todos os talentos capazes de embelezar o futebol!

Artigo revisto por: Jorge Neves

 

 

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