Portugal 2–1 Gana: nem com ganas lá fomos

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O RESCALDO

“O sonho era possível”. Acredito que este seja um dos títulos usados nas capais dos jornais desportivos de amanhã. O cliché é grande, é certo, mas verdadeiro. Portugal teve inúmeras ocasiões de golo para tornar realidade o tal sonho impossível. Numa tarde que pedia duplo ecrã, os portugueses viram a Alemanha, que bateu os Estados Unidos por 1-0, dar esperança à permanência de Ronaldo e companhia no Brasil, mas Portugal não cumpriu a sua parte da missão e deixa, de forma justa, o Brasil.

Rapidamente se percebeu que Portugal entrou para dominar e controlar o jogo. O início forte da seleção traduziu-se em duas ou três ocasiões de golo de iminente, com Cristiano Ronaldo em grande evidência. O capitão das quinas, porém, viu a trave (6’) e Dauda (19’) negarem-lhe o tão desejado golo. O 4-3-3 de Portugal sobrepôs-se ao 4-4-2 do Gana muito pelas entradas de William Carvalho e Rúben Amorim para o meio-campo. Portugal não só ganhou equilíbrio e força (William), como também adquiriu uma maior eficácia no jogo vertical e qualidade no transporte de bola (Amorim).

Do outro lado, o Gana, à exceção de dois lances de contra-ataque, pouco incomodou a baliza de Beto na primeira metade da partida. Portugal jogava mais e melhor. A supremacia portuguesa finalmente deu frutos ao minuto 31: Miguel Veloso, após receber a bola de João Moutinho (excelente trabalho individual), cruza para a grande área adversária e é o defesa ganes Boye que desvia, inadvertidamente, a bola para o fundo da baliza do Gana.

O primeiro golo português foi um bom tónico para a motivação da equipa. Com os índices de confiança altos, Portugal tentou, ainda que sem êxito, dilatar o marcador e facilitar a tarefa para a segunda parte. Ao intervalo, as notícias de Recife não eram as melhores: mantinha-se o empate entre alemães e americanos.

O início da segunda parte trouxe uma seleção das quinas diferente, para pior. Portugal continuava à procura de golos, é certo, mas perdeu fluidez e dinâmica. A equipa desuniu-se e os índices de concentração caíram a pique. O Gana ganhou alento e ameaçava a baliza de Beto com alguma regularidade.

Portugal pagou caro a ineficácia frente ao Gana  Fonte: FIFA
Portugal pagou caro a ineficácia frente ao Gana
Fonte: FIFA

Faltava um “clique” que catapultasse Portugal para uma exibição, no mínimo, semelhante à da primeira parte. Esse “clique” bem podia ter-se dado com a notícia de que Alemanha se adiantava no marcador frente aos Estados Unidos da América. Ironicamente, no mesmo momento em que, no Recife, Muller faturou o seu quarto golo no Mundial, Asamoah Gyan fez o empate frente a Portugal. Que enorme golpe nas aspirações lusitanas.

Portugal, no entanto, não baixou os braços e foi atrás dos golos. Paulo Bento tirou João Pereira e Éder, por Varela e Vieirinha, numa desesperada tentativa de oferecer maior volume ofensivo. A verdade é que a seleção portuguesa ganhou outra vida e chegou ao golo por Cristiano Ronaldo, o seu primeiro na competição. O capitão das quinas trouxe alguma justiça ao marcador, mas Portugal continuava longe, bem longe, dos oitavos de final – necessitava ainda de recuperar de uma desvantagem de três golos.

De forma incrível, a reta final do jogo ficou marcada por várias ocasiões de golo. Mas, mais uma vez, Portugal não se conseguiu transcender. Além da habitual impaciência, os jogadores portugueses falharam estrondosamente na eficácia, logo num jogo destes, onde se pedia, acima de tudo, um grande acerto nas oportunidades de golo.Portugal deixa o Brasil com uma vitória (e uma boa exibição) por 2-1 sobre o Gana, mas com a certeza de que podia – e devia – ter feito muito mais. Os dois primeiros jogos da fase de grupos não demonstraram, de todo, o potencial da seleção lusa. Portugal acordou tarde para o Mundial, e, por isso mesmo, abandona o Brasil mais cedo do que o esperado.

A Figura:

João Moutinho – excelente exibição do médio português. Para além da criatividade, trabalhou imenso para a equipa. Foi o motor de um meio-campo (com William Carvalho e Ruben Amorim) que devia ter jogado desde a primeira partida, frente à Alemanha.

O Fora-de-jogo:

Nani – completamente desinspirado. Trapalhão, péssimo na receção e inconsequente, Nani foi um elemento a menos durante toda a partida.

Pedro Beleza
Pedro Beleza
Benfiquista até ao último osso, mudou-se do Norte para Lisboa para poder ver o seu Benfica e só depois estudar Jornalismo. O Pedro é, acima de tudo, apaixonado pelo desporto rei e não perde uma oportunidade de ver um bom jogo de futebol.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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