A CRÓNICA: MESSI REENCONTRA PALCO DO MUNDIAL DE 2014, MAS DESTA VEZ LEVA A TAÇA PARA CASA E CONQUISTA PELA PRIMEIRA VEZ UM TÍTULO PELO SEU PAÍS

A tão esperada final do torneio continental mais antigo do mundo finalmente chegou. Após uma primeira fase desmotivante, Brasil e Argentina chegaram ao estádio do Maracanã prontos para duelar no maior palco do futebol brasileiro.

O jejum era argentino – mais especificamente, desde 1993 que os portenhos não levantavam a taça da Copa América. Esta ânsia por uma conquista estava escrita no rosto dos jogadores argentinos. Isto foi transportado diretamente para dentro do relvado. Como consequência do ímpeto argentino, logo aos dois minutos, Fred fez uma falta forte e recebeu logo um cartão de boas-vindas através do primeiro cartão amarelo da partida. Este ímpeto guerreiro, de forma avassaladora, com marcação alta, ajudou a Argentina a pressionar, nos primeiros cinco minutos, a defesa brasileira.

O jogo continuou aguerrido, com muitos erros de passes e com marcação forte no meio-campo até os 21 minutos, quando De Paul, num lançamento primoroso, acha Di María, nas costas do lateral esquerdo brasileiro Renan Lodi, que até tentou dominar a bola, mas só raspou no seu pé e sobrou livre para Di María ficar cara a cara com guarda-redes brasileiros. O ponteiro argentino, que até o momento estava sumido na partida, não desperdiçou e jogou, com leveza e elegância, a bola por cima de Ederson, encobrindo o guarda-redes. A Argentina abriu o resultado em pleno Maracanã.

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Imediatamente após o golo, a equipa argentina sentiu-se mais à vontade em campo, controlando o meio-campo, através de passes e marcação forte, não dando oportunidades para os selecionados brasileiros.

E realmente a noite não estava das melhores para a equipa verde e amarela. Aos 41 minutos, Everton Cebolinha até tentou a sua característica jogada individual; no entanto, após achar espaço para o chute, a bola foi desviada e o guarda-redes Martínez defendeu com facilidade.

Foi deste modo que acabou o primeiro tempo – com poucas oportunidades em ambos os lados, num jogo muito disputado no meio-campo. O Brasil necessitava de uma resposta, o seu meio-campo não funcionava, Fred parecia perdido no campo e Cebolinha e Richarlison estavam pouco participativos.

Logo após o intervalo, o técnico brasileiro mexeu na sua equipa, adicionando Firmino no lugar de Fred. E as alterações na formação surtiram efeito, quando Richarlison foi posto como ponteiro do lado direito do ataque brasileiro e a seleção criou as suas melhores oportunidades. Logo no minuto 52, num lance de falta de atenção da defesa argentina, Lucas Paquetá lançou Richarlison entre os defensores do lado esquerdo argentino, que, ao tentarem rebater a bola para longe do golo, acabaram por bater em Richarlison e entrar direto para as redes. Mas o entusiasmo brasileiro conteve-se rapidamente. O lance foi anulado por uma posição irregular do número sete brasileiro.

Em seguida, aos 54 minutos, Neymar carrega a bola e dá um belo passe a Richarlison, livre de marcação no lado direito de ataque brasileiro, e remata com força no canto esquerdo do golo, obrigado Martínez a realizar uma bela defesa.

Depois destas claras oportunidades de golo, a equipa da casa pouco fez para ameaçar a meta do guarda-redes argentino. Contando mais com a própria vontade do que propriamente uma organização tática, o Brasil manteve-se no ataque e só conseguiu acertar o golo adversário aos 86 minutos, após um livre de Neymar em direção à área, que sobrou para Gabriel Barbosa rematar na direção do guarda-redes argentino.

A partida já tomava contorções épicas. Através de toda a história por detrás desta final, como a sonhada conquista de Messi em pleno Maracanã, seria um roteiro digno de filme e isto tudo foi devidamente posto à prova quando o craque argentino, num contra-ataque iniciado por Messi – que inverteu o jogo para a direita, achando De Paul, que, numa jogada genial, devolveu a Messi, em frente ao golo brasileiro. Mas o destino quis que o craque argentino escorregasse na pequena área e perdesse o controlo da bola, perdendo a oportunidade de selar o destino de uma vez por todas; quis a história que a nação argentina sofresse por mais alguns minutos.

Isto, afinal, pouca influência teve no resultado. Quando o juiz apitou o fim da partida já era tarde para qualquer tentativa brasileira. O jejum havia sido encerrado, o tango final de Messi teve lugar no maior palco do futebol sul-americano, e o currículo do astro argentino pode ser atualizado com mais uma inédita glória – desta vez, para a sua nação albi-celeste.

A FIGURA

Di Maria – Foi o mais desequilibrador dos argentinos. Mesmo com um começo não promissor, o ex-encarnado sempre cresce em decisões. Quando ficou frente a frente com um dos melhores guarda-redes da atualidade, não desperdiçou e consolidou o seu nome na história do futebol argentino. Criou oportunidades, sempre ofereceu perigo ao golo brasileiro e, de forma tática, formou um ataque veloz com a parceria de Messi.

O FORA DE JOGO

Renan Lodi – O defensor veio para cobrir a ausência de Alex Sandro, que estava lesionado. Mesmo com uma característica mais voltada ao ataque, Renan não conseguiu criar oportunidades de golo e a sua falha de marcação foi capital para o lance do golo argentino.

ANÁLISE TÁTICA – BRASIL

A detentora do título de 2019 da Copa América começou a partida com algumas novidades. A formação consistiu num 4-3-3, com as principais mudanças no inicial realizadas a partir dos meio-campo e ataque. Roberto Firmino, como centroavante fixo, foi sacado da equipa inicial para dar lugar a Lucas Paquetá. Com as propostas de começar a partida com maior movimentação e de ajudar na criação, o médio central aparece no lado direito do meio-campo como auxílio a Neymar, para fornecer o ataque flutuante dos ponteiros Everton Cebolinha e Richarlison.

Com a necessidade do resultado, Tite teve de retirar Fred e colocar novamente Firmino como fixo, atraindo a marcação argentina e gerando mais espaços. Além disso, foram invertidos os lados dos ponteiros. Desta maneira, Everton estava de volta à sua posição de origem e Neymar continuava a flutuar, principalmente, pelo meio do ataque brasileiro. A grande mudança durante a partida foi a grande inserção de atacantes que transformou o Brasil num 3-4-3, com Emerson e Danilo como ponteiros, Gabriel e Firmino como fixos no ataque e Neymar sempre procurando o jogo, flutuando como o homem do ataque que chega de trás dos fixos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ederson (5)

Danilo (4)

Marquinhos (5)

Thiago Silva (4)

Renan Lodi (2)

Casemiro (6)

Fred (4)

Lucas Paquetá (5)

Neymar (7)

Everton Cebolinha (3)

Richarlison (7)

SUBS UTILIZADOS

Firmino (6)

Gabriel Barbosa (6)

Emerson (6)

Vini Jr (5)

ANÁLISE TÁTICA – ARGENTINA

Também a Argentina decidiu alterar a sua formação para esta final. Com as entradas de Montiel como lateral direito e de Di Maria como médio lateral, a Argentina passou do seu usual 3-5-2 para um ofensivo e 4-4-2 – com detalhe para a utilização ofensiva de Acuña. Com a entrada de Di Maria, a Argentina utilizou a jogada de lançamento longo para o ponteiro direito, aproveitando-se da fragilidade da defesa brasileira naquele setor. Durante o segundo tempo, o técnico Scaloni percebeu a falha defensiva de Acuña e retirou o médio central Lo Celso por Tagliafico, para intensificar a marcação do lado esquerdo defensivo argentino. Ademais, as alterações foram prontamente para renovar o preparo físico e não interferiram no esquema tático imposto desde o primeiro momento.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Emiliano Martínez (8)

Montiel (7)

Romero (7)

Otamendi (7)

Acuña (5)

De Paul (9)

Paredes (7)

Di Maria (9)

Lo Celso (6)

Messi (7)

Lautaro Martínez (6)

SUBS UTILIZADOS

Tagliafico (6)

Pezzela (5)

Palacios (6)

Nicolas González (5)

Guildo Rodriguez (5)

Artigo da autoria de Kayalu da Silva

Artigo revisto por Andreia Custódio

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