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Em duelo a contar para a última jornada do Grupo C da Copa América, a Colômbia e o Peru empataram sem golos, num resultado que deixará muito mais satisfeitos os “incas”, que garantiram imediatamente a qualificação para os quartos de final da prova, ao invés dos “cafeteros”, que ficarão a torcer para que Brasil e Venezuela não empatem no outro jogo do agrupamento, uma vez que uma igualdade com golos entre o “escrete” e o “vino tinto” deixará os colombianos fora da Copa América.

Tratou-se de um resultado que foi totalmente justo, isto num duelo com muito poucas oportunidades de golo e em que o Peru conseguiu sempre controlar facilmente uma Colômbia cheia de fortes individualidades, mas que jamais se apresentou com um colectivo forte, parecendo que o seleccionador José Pekerman estava com muita dificuldade em impor uma ideia de jogo na sua equipa.

Gás colombiano foi fugaz

O Peru sabia de antemão que um empate diante da Colômbia era suficiente para atingir os quartos de final da Copa América, dado que isso lhe garantia no mínimo o terceiro lugar neste Grupo C e com mais pontos que o terceiro classificado do Grupo A (Equador).

Nesse seguimento, foi até natural que a selecção peruana tenha entrado na partida com os “cafeteros” na expectativa, sendo que a Colômbia, cujo empate nesta partida até poderá valer-lhe o último lugar no agrupamento, assumiu imediatamente o controlo do encontro.

Os primeiros dez minutos, aliás, mostraram uma Colômbia a pressionar alto e a jogar em velocidade, conseguindo então criar duas oportunidades claras de golo: primeiro, aos três minutos, foi Falcao, no coração da área, a obrigar Gallese a excelente defesa; e depois, aos seis minutos, foi Pablo Armero a subir pelo flanco esquerdo e a atirar às malhas da baliza peruana.

Ainda assim, com o passar do tempo, esse gás inicial foi-se perdendo, sendo que a desinspiração de alguns dos mais emblemáticos jogadores colombianos, como James Rodríguez ou Juan Cuadrado, também não ajudou minimamente os esforços “cafeteros”.

Aproveitou então o Peru para equilibrar as operações e, se não conseguiu criar nenhumas situações claras de golo (apenas a registar um remate cruzado de Paolo Guerrero a três minutos dos 45), a verdade é que conseguiu afastar os colombianos da sua baliza. E isso era o mais importante, até porque o empate era um resultado que servia aos intentos do conjunto de Ricardo Gareca.

James Rodríguez é uma das figuras da Colômbia Fonte: Site Oficial da Copa América
James Rodríguez é uma das figuras da Colômbia
Fonte: Site Oficial da Copa América

Peru soube meter o jogo no congelador

Se em grande parte da primeira parte o Peru já havia conseguido equilibrar as operações, a verdade é que os “incas” entraram ainda mais fortes no segundo tempo, sendo que o primeiro quarto de hora da etapa complementar foi mesmo a sua melhor fase, com o extremo Christian Cueva em excelente plano.

Aí, aliás, apareceram inclusivamente algumas oportunidades de golo, nomeadamente através de um remate de Joel Sánchez (48′), ligeiramente ao lado da baliza colombiana, e de Claudio Pizarro (50′), que obrigou Ospina a boa intervenção.

Já a Colômbia demorou imenso tempo a reentrar no jogo, apenas conseguindo voltar a assumir as rédeas do encontro a partir do meio da segunda metade, e isto numa fase em que o desinspiradíssimo Falcao havia sido substituído por Jackson Martínez.

Aliás, foi precisamente o ainda ponta de lança do FC Porto que esteve envolvido nas duas únicas oportunidades que a Colômbia teve no segundo tempo, mais concretamente aos 67 minutos, quando não acertou na baliza na recarga a um primeiro remate de James Rodríguez, e ao primeiro minuto de descontos, quando foi colocado na cara de Gallese, mas acabou por quase oferecer a bola ao guarda-redes peruano.

Para a escassez de oportunidades da Colômbia, contudo, não há que criticar apenas a falta de qualidade colectiva dos “cafeteros”, mas também elogiar o unido conjunto peruano, que foi sempre muito solidário e soube colocar o jogo no congelador, contrariando os intentos de uma selecção que, há que reconhecer, tem muito melhores valores individuais.

A Figura

Carlos Zambrano: É certo que Radamel Falcao está a anos luz do grande goleador do FC Porto e Atlético de Madrid, e que Jackson Martínez ou Teo Gutiérrez também não estiveram propriamente no seu melhor dia, mas há que dar o devido valor ao defesa-central do Eintracht Frankfurt, que, ao lado do também muito competente Carlos Ascues, esteve imperial no eixo defensivo, raramente permitindo veleidades aos atacantes colombianos.

O Fora-de-Jogo

Radamel Falcao: É confrangedor ver o estado em que se encontra um ponta de lança que, há um par de anos, era visto como um dos melhores do Mundo. Afinal, Radamel Falcao foi apenas uma sombra errante em campo, sem confiança e sem qualquer inspiração, facilitando, e muito, a vida aos seus adversários e levando certamente ao desespero os adeptos colombianos.

Foto de Capa: Site Oficial da Copa América’2015

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Sportinguista sofredor desde que se conhece, a verdade é que isso nunca garantiu grande facciosismo, sendo que não tem qualquer problema em criticar o seu clube quando é caso disso, às vezes até com maior afinco do que com os rivais. A principal paixão, aliás, sempre foi o futebol no seu contexto mais generalizado, acabando por ser sintomático que tenha começado a ler jornais desportivos logo que aprendeu a ler. Quanto ao ídolo de infância, esse será e corre o risco o de ser sempre o Krassimir Balakov, internacional búlgaro que lhe ofereceu a alcunha de “Bala” até hoje. Ricardo admite que ser jornalista desportivo foi um sonho de miúdo que conseguiu concretizar e o que mais o estimula na área passa pela análise de jogos e jogadores, nomeadamente os que ainda estão no futebol de formação ou naqueles campeonatos menos mediáticos e que pensa sempre que ninguém vê como o japonês, sul-coreano ou israelita..                                                                                                                                                 O Ricardo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.