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52 anos após o primeiro embate entre Venezuela e Argentina, quis o destino que o estádio que vai receber a final da competição e que viu o arquirrival de Maradona celebrar o milésimo golo fosse o palco eleito para o segundo encontro dos quartos-de-final da Copa América, onde a Argentina celebrou a passagem às meias-finais e marcou duelo com o Brasil no Mineirão, em Belo Horizonte, na madrugada da próxima quarta-feira.

A inversão da tendência vitoriosa favorável à Argentina nos últimos anos, acrescida ao fraco rendimento coletivo apresentado pela seleção das pampas desde o Mundial organizado neste mesmo país, auspiciava uma surpresa com sabor a mandioca e pimentão tão típicos da Venezuela.

No Maracanã, cenário idílico do futebol mundial, a Argentina, que há 40 jogos não repete a equipa inicial e que em relação ao jogo com o Qatar fez entrar no onze o sportinguista Acuña sacrificando Lo Celso, começou com tudo e logo aos 2’ viu Fariñez negar o golo a Agüero com uma bela estirada.

O guarda-redes da Venezuela, um dos vários vice-campeões do Mundo de Sub-20 em 2017 que acompanhou Rafael Dudamel na subida à seleção principal da Vinhotinto, desde cedo se assumiu como protagonista. À passagem dos dez minutos, no entanto, não foi capaz de deter o coice do pequeno touro Martínez.

O avançado do FC Inter de Milão foi sagaz o suficiente para, entre a defensiva venezuelana, dar asas ao calcanhar e levantá-lo em direção a uma bola rematada por Agüero, desfeiteando o guarda-redes de 21 anos da Venezuela.

Com os portistas Saravia e Osorio nos bancos de Argentina e Venezuela, respetivamente, foi a seleção albiceleste a assumir o controlo da partida, demonstrando uma organização pouco vista até aqui nesta campanha, jogando em bloco e pressionando alto, levando a retaguarda da seleção venezuelana a despejar na frente, quase sem critério, facilitando a tarefa à defensiva azul e branca.

Fonte: AF Argentina

Mais com o coração do que com a cabeça – à passagem do quarto de hora já tinha dois jogadores amarelados – a Venezuela ia tentando equilibrar através do jogo direto, procurando constantemente a referência Rondón, o Rei Salomão da equipa, na esperança de que este ganhasse as divididas para aparecerem as locomotivas transiberianas Murillo (CD Tondela) e Machís (ex-Vitória SC) fazerem da defesa argentina os seus gulags, mas sem sucesso.

Até ao intervalo, a Argentina ia pautando o seu jogo por uma toada mais equilibrada, na qual se destacava Paredes: o descendente de Redondo cujos olhos claros funcionam como um farol numa noite de nevoeiro, iluminando o futebol da equipa. O médio do Paris SG fez do perfeito posicionamento e da qualidade de passe o porta-estandarte de uma exibição grandiosa, que só não resultou numa brilhante assistência para o segundo golo de Lautaro Martínez porque o poste direito da baliza de Fariñez não quis.

A segunda parte começou simétrica à primeira, com a Argentina a criar uma oportunidade flagrante para aumentar o marcador.

Com o jogo mais partido e, consequentemente, mais perigoso para os já 14 vezes vencedores da competição sul-americana, Scaloni trocou o marcador do primeiro golo pelo cada vez mais cerebral e menos explosivo Di María e o intempestivo e já amarelado Acuña por Lo Celso.

A 20 minutos dos 90’, eis a primeira oportunidade de golo para a Venezuela: passe a rasgar a defesa argentina de Rincón e Hérnandez a aparecer bem na direita mas a falhar a trivela, permitindo a defesa a Armani.

O controlo que outrora a seleção de Messi tinha tido ia dando lugar a pequenos sustos provocados pela velocidade do ataque venezuelano. À passagem dos 60’, Dudamel apercebendo-se do recuar de linhas do adversário, lançou a estrela da MLS Josef Martínez, mas foi a Argentina a sorrir.

Remate do meio da rua de Agüero (outra vez ele!), Fariñez defende para a frente e o Lo Celso imitou o que tantas vezes fez ao serviço do Bétis esta temporada: o golo. Se até então o jovem guarda-redes vinha fazendo uma competição digna de um pintor superlativo, este momento borrou a pintura e deitou por terra a já hercúlea tarefa da seleção venezuelana (pelo menos) igualar o seu melhor registo de sempre nesta competição: o 4.º lugar, em 2011, quando foi recebida em festa por milhares de pessoas nas ruas de Caracas.

Até final, a Argentina fez jus ao título deste artigo e foi gerindo a pensar no Superclássico das Américas.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Venezuela: Fariñez, Hernández, Chancellor, Mago (Soteldo 56’), Rosales (Seijas 83’), Herrera, Moreno, Rincón, Murillo, Rondón e Machís (Martínez 71’).

Argentina: Armani, Foyth, Pezzela, Otamendi, Tagliafico, Paredes, De Paul, Acuña (Lo Celso 68’), Messi, Agüero (Dybala 85’) e Lautaro Martínez (Di María 64’).

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