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Portugal 1-0 Suécia: Golo de Ouro para Blatter ver

André Eusébio · 2 min

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“Água mole em pedra dura. Tanto bate até que fura”. Este provérbio é, talvez, o que melhor se aplica ao jogo de Portugal: insistir, insistir, insistir… até que a bola entra. Conseguindo cumprir os requisitos mínimos para satisfazer os adeptos presentes no Estádio da Luz, Portugal fez o que lhe competia: vencer a Suécia sem sofrer golos. O facto de o golo ser de Cristiano Ronaldo foi apenas um acréscimo de satisfação para todos os portugueses, que podem agora dar mais um motivo a Sepp Blatter para estar calado.

Na abordagem ao encontro, Paulo Bento foi cauteloso. Apostou no seu onze mais rodado e voltou a fiar-se na sorte e na persistência do jogo português. Era um dado quase adquirido que entrar com Postiga sozinho na frente e com três médios de contenção não daria para marcar muitos golos. Sabe-se que nenhum dos homens do meio-campo é suficientemente criativo para “inventar” jogadas pelo meio. Portanto, como expectável, o jogo de Portugal acabou por se tornar previsível e com poucas ideias. Meireles e Moutinho usaram e abusaram das bolas bombeadas para a grande área e os únicos momentos de (alguma) criatividade no jogo de Portugal vinham mesmos das alas, onde Nani e, claro, Cristiano Ronaldo procuravam desbloquear uma sólida defesa sueca.

O melhor da atualidade... Cristiano Ronaldo
O melhor da atualidade… Cristiano Ronaldo

Na frente, o móvel, mas inconsequente Postiga, tentava desgastar os dois poderosos centrais, Nilsson e Antonsson. Sempre em vão. Daí que olhe para a abordagem que Paulo Bento teve para este jogo e pense apenas que o selecionador nacional estava mais preocupado em não sofrer golos do que em marcá-los. Teve a benesse de ter no seu onze o melhor jogador do mundo da atualidade. E isso vale jogos. Portugal foi melhor e soube impor o seu jogo. Mas nunca, como vem sendo hábito, de forma eficaz nas zonas de finalização. Como já se viu, a equipa das quinas não é seleção para qualificações porque não sabe jogar ao ataque. Portugal sabe dominar, mas continua sem conseguir ter a clareza a definir jogadas de outros tempos. A tática resume-se na insistência em cruzamentos para a área. Algum haveria de entrar. Entrou o de Ronaldo, aos 83’.

Hoje Ibrahimovic não apareceu, felizmente para os portugueses
Hoje Ibrahimovic não apareceu, felizmente para os portugueses

Não quero, com este texto, tirar mérito à nossa seleção. Como já escrevi no passado, Paulo Bento é o meu treinador. Se estivermos no mundial, terá todo o meu apoio. Acredito, inclusive, que se lá formos, vamos fazer novamente boa figura. Porque o nosso esquema tático está talhado para os grandes jogos. Como foi o de hoje. Nos momentos difíceis, sabemos controlar ansiedades. Controlar jogos. E ter aquela ponta de sorte que premeia os lutadores. Aqueles que insistem mais do que os outros. E hoje, apesar da escassez de ideias, foi Portugal quem lutou mais pelo golo.

Agora vamos à Suécia. A eliminatória está longe de estar ganha. Acredito que se formos sólidos como hoje podemos ter fortes possibilidades. O pior está feito. Agora é só manter a consistência no próximo jogo. Sem deslumbrar, que não é preciso. Basta ganhar.

André Eusébio

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