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A Seleção Nacional de Sub-20 entrou da melhor maneira no Mundial da Nova Zelândia, com uma vitória clara, por 3-0, frente ao Senegal, vice-campeão africano da categoria. Apesar dos números expressivos, é importante realçar que os comandados de Hélio Sousa só atingiram a tranquilidade em cima do minuto 90, naquele que foi um jogo marcado pelo desperdício de oportunidades lusas.

No entanto, a vantagem portuguesa começou a desenhar-se bem cedo. Ainda os adeptos se sentavam nas bancadas e já Gelson Martins correspondia da melhor maneira a um belo passe de André Silva. Primeiro minuto de jogo, 1-0 para Portugal. Na cara de Ibrahima Sy, guarda-redes senegalês, que ainda tocou na bola, o jogador do Sporting não tremeu e apontou o quarto golo mais rápido da história dos Campeonatos do Mundo de Sub-20.

A vantagem não fez a equipa das quinas baixar o ritmo de jogo, e os primeiros dez minutos da partida foram marcados por intensa pressão sobre a saída de bola do Senegal, que procurou sempre construir jogo desde o seu reduto defensivo. Mas a congénere africana acabou por se libertar e, com um estilo descomplexado, criou, aos 14 minutos, a melhor oportunidade de que dispôs em todo o jogo: Koné isolou-se e rematou para defesa apertada de André Moreira. O guarda-redes do Moreirense foi o escolhido de Hélio Sousa para a baliza portuguesa, em detrimento de Tiago Sá (Sp. Braga).

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O resto da primeira parte manteve a toada ofensiva das duas equipas, com Portugal a tentar sair para o ataque em transições rápidas através de Gonçalo Guedes, que rubricou uma boa exibição, e Rony Lopes, mais infeliz nas suas ações durante o jogo. Pelo meio, André Silva ainda falhou uma boa oportunidade, quando na ressaca de um pontapé de canto rematou frouxo para a defesa de Sy. Ao intervalo, vantagem mínima para Portugal. De destacar o acerto da dupla de centrais portuguesa, composta por João Nunes e Domingos Duarte, e os laterais Riquicho e Rafa, que souberam sempre equilibrar as ações ofensivas com as funções defensivas.

Foi, aliás, com base nesse equilíbrio que a Seleção Nacional começou a segunda parte a explanar melhor o seu jogo, do modo que lhe é mais característico. Com um futebol mais apoiado, a ideia de jogo do Senegal foi completamente “engolida”, chegando apenas esporadicamente à baliza de André Moreira, e cedo se percebeu que seria só uma questão de tempo até Portugal alargar a vantagem. Mas o que se seguiu foi um festival de oportunidades desperdiçadas. Raphael Guzzo foi o primeiro: levou a bola a bater na barra com um remate à entrada da área, após passe de Rafa. Seguiram-se Gelson Martins (por duas vezes), Rony e André Silva, tendo este último travado um duelo particularmente interessante com o guarda-redes Sy.

Face à incerteza no resultado, Hélio Sousa fez a primeira substituição aos 73 minutos de jogo. A entrada de Francisco Ramos para o lugar de Gonçalo Guedes entregou por completo o jogo a Portugal, que dominou o meio-campo a seu bel-prazer a partir desse momento. Mas seria a última substituição a traduzir o domínio luso em golos: Nuno Santos, no espaço de três minutos, cruzou para André Silva corresponder com uma cabeçada certeira (aos 90) e, de seguida, encarregou-se de picar a bola por cima de Sy, já na compensação, concretizando um golo de belo efeito para fixar o 3-0 final. O derradeiro apito surgiria segundos depois.

Gelson Martins e André Silva marcaram dois dos três golos que derrotaram o Senegal Fonte: Página do Facebook das Seleções de Portugal
Gelson Martins e André Silva marcaram dois dos três golos que derrotaram o Senegal
Fonte: Página do Facebook das Seleções de Portugal

Três pontos amealhados e o primeiro lugar do grupo assegurado. A Colômbia venceu o Qatar por 1-0, deixando Portugal em vantagem à conta dos golos marcados. As ilações a retirar deste jogo assentam na excelente segunda parte que a turma de Hélio Sousa realizou. Com um modelo de jogo bem definido, esta equipa alia a solidariedade entre os setores ao valor individual dos jogadores, uma mistura que pode dar muitas alegrias aos portugueses nas próximas três semanas. Não foi uma exibição deslumbrante.

Foi antes uma exibição segura, com os pés bem assentes na terra. Segurança essa que foi embalada por alas dinâmicas e que deixam antever um percurso promissor para a seleção portuguesa. Segue-se o Qatar, na quarta-feira. Em caso de vitória, Portugal assegura desde logo a passagem aos oitavos de final. Por agora, fica a ideia de que… temos equipa.

Figura(s) do jogo:

Laterais portugueses – Mauro Riquicho e Rafa deram a entender desde cedo que iam causar muitas dores de cabeça aos adversários. Sempre inteligentes nas decisões que tomaram, subiram no terreno sempre que puderam (principalmente Rafa), sem nunca descurar as tarefas defensivas, onde se mostraram sempre pragmáticos e autoritários. Foram as “asas” que elevaram o jogo de Portugal para um patamar mais elevado.

Fora-de-jogo:

Rony Lopes – A “estrela” da companhia desiludiu neste primeiro certame. Apesar da vontade que demonstrou de pegar na bola e conduzir os contra-ataques portugueses, nunca se conseguiu libertar verdadeiramente das marcações senegalesas e não acertou com os tempos de passe. A equipa precisa de que o médio do Man. City (emprestado ao Lille) mostre mais, de modo a ganhar imprevisibilidade e magia.

Foto de Capa: Página do Facebook das Seleções de Portugal