A CRÓNICA: PORTUGAL NÃO É O BRASIL, MAS TAMBÉM NÃO É A SERRA DA ESTRELA

Em determinados momentos cativante, principalmente na primeira parte, noutros nem tanto. Foi desta forma que Portugal arrancou uma vitória por 3-0, no Estádio Algarve, diante do Catar com sangue novo a emergir ao serviço da equipa das quinas.

Anúncio Publicitário

Na lista de reconhecimentos meritocráticos celebrados neste jogo, Diogo Costa cumpriu a sua primeira internacionalização e Matheus Nunes, idem. Rafael Leão, a quem Fernando Santos tinha dado a garantia de que ia a jogo, teve que esperar pelo intervalo, mas também se estreou.

Não tem feito outra coisa senão destroná-los. Quantos mais caem, mais ele se ergue a um patamar de reconhecimento inexcedível. Falo de Cristiano Ronaldo e dos seus recordes. Desta feita, ao entrar em campo, tornou-se o jogador europeu com mais internacionalizações (180) de sempre, ultrapassando Sergio Ramos.

Ainda bem que, no dilema Portugal/Brasil, Matheus Nunes escolheu a seleção das quinas. Temos um clima mais frio, é verdade, mas Lisboa, onde joga, também não é propriamente a Serra da Estrela. Quero continuar a ver o médio do Sporting a fazer passes deliciosos como o que fez para isolar André Silva que atirou contra a cabeça do guarda-redes catari.

Portugal dominava a seu belo prazer um jogo de sentido único. As tentativas de inaugurar o marcador de Gonçalo Guedes e Dalot não foram suficientes para fazer o senhor à minha frente parar o scroll no Facebook que lhe indicava um evento em Oeiras. A perdida escandalosa de Cristiano Ronaldo fê-lo estar atento ao lance em que, mais tarde, o melhor marcador de sempre de seleções, marcou o golo 112 por Portugal (alguém sabe dizer o ordinal disto?).

Os portugueses, contrariando toda uma cultura implementada nas estradas do país, tiraram o pé do acelerador. Já na segunda parte, mas bem cedo, José Fonte brindou os 15087 espetadores presentes com o segundo golo.

As chegadas constantes ao ataque levaram a que André Silva tivesse nova grande ocasião para brilhar, embora sem sucesso. Depois, foi Leão que soltou as garras para atirar à barra, sendo que a recarga de Dalot, que acabou dentro da baliza, foi considerada inválida pelo VAR.

Rafael Leão voltou a fortalecer a sua relação com os ferros, antes de depois assistir com um sorriso nos lábios André Silva. O ponta-de-lança, após várias tentativas, selou o 3-0 final.

A FIGURA

Fonte: Sebastião Roxo/Bola na Rede

Matheus Nunes – em dia de estreia, assinalou uma bela exibição ao lado de João Mário. O conhecimento que ambos têm um do outro do tempo em que coexistiram no Sporting poderá ter facilitado a forma como imprimiram dinâmica entre linhas ao ataque português, mas também como se moveram para procurarem outros espaços, mas sem se sobreporem. Por não ser fácil fazer tudo isto na primeira vez que se joga pela seleção, fica com o destaque.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Sebastião Roxo/Bola na Rede

Saad Alsheebo modo como não intercetou o cruzamento que chegou a Cristiano Ronaldo no primeiro golo e como largou a bola, permitindo o remate a José Fonte no segundo, marcaram o resultado. Só a parar André Silva, por duas vezes, esteve bem.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Fernando Santos escolheu um meio-campo composto por William Carvalho como médio mais recuado e, nos vértices mais subidos, Matheus Nunes e João Mário. Assim, Portugal estruturou-se em 4-3-3. Diogo Dalot, Danilo, Fonte e Nuno Mendes compuseram a defesa. As despesas da artilharia ficaram para Gonçalo Guedes, Cristiano Ronaldo e André Silva.

Pediu-se que os médios interiores caíssem sobre a linha, Ronaldo permutou com André Silva, apostou-se no um para um no último terço, cruzaram-se bolas para a área. Foram muitas as dinâmicas apresentadas por Portugal para fazer face à organização defensiva do Qatar.

A projeção dos laterais permitiu que os três homens da frente se colocassem no interior da grande área. O espaço deixado por Dalot e Nuno Mendes nas costas não foi alvo de ameaças.

A seleção nacional revelou os níveis indicados de agressividade para recuperar rapidamente a bola. Assim, Portugal não deixou a equipa asiática transitar para o ataque.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (5)

Diogo Dalot (5)

Danilo Pereira (6)

José Fonte (5)

Nuno Mendes (7)

William Carvalho (6)

Matheus Nunes (7)

João Mário (7)

Gonçalo Guedes (6)

Cristiano Ronaldo (6)

André Silva (6)

SUBS UTILIZADOS

Rafael Leão (6)

Nélson Semedo (5)

João Palhinha (5)

Bernardo Silva (5)

Bruno Fernandes (5)

João Moutinho (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – QATAR

Eram 11 e estiveram os 11 no mesmo sítio, atrás da linha da bola. Sempre e constantemente.

Para não desfazer o alinhamento da linha de cinco, com Pedro Miguel, jogador nascido em Portugal, e Elamin a saltarem na pressão, os extremos, Alhaydos e Afif, recuaram muito na ajuda defensiva. Deste modo, os dois laterias puderam permanecer junto aos três centrais, Salman, Alrawi e Hassan.

Boudiaf e Hatim tentaram trancar o meio-campo. Estiveram em apuros em várias ocasiões dada a forte presença portuguesa nessa zona.

Afif, o jogador mais técnico do Qatar, procurou, nos raros momentos que dispôs para atacar, vir buscar a bola fora da competente estrutura portuguesa e dar ares da sua graça. Ali, o homem mais adiantado do 3-4-3, foi carne para canhão entre os defesas portugueses.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Saad Alsheeb (4)

Pedro Miguel (5)

Tarek Salman (5)

Bassam Hisham Alrawi (6)

Abdelkarim Hassan (6)

Homan Elamin (5)

Karim Boudiaf (6)

Abdelaziz Hatim (4)

Hasan Alhaydos (5)

Akram Afif (5)

Almoez Ali (5)

SUBS UTILIZADOS

Abdullah Alahrak (5)

Youssef Abdurisag (5)

Assim Madebo (5)

BNR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

 

PORTUGAL

Bola na Rede: Disse que, para este jogo, gostava de avaliar a equipa nos quatro momentos do jogo. Tendo em conta o que viu, qual é aquele em que considera que a equipa está mais afinada e aquele que tem que ser mais trabalhado?

Fernando Santos: Acho que a equipa esteve muito equilibrada em todos os momentos do jogo. Naquilo que são os dois momentos principais, o aspeto ofensivo e defensivo, a equipa esteve muito bem. É muito difícil encontrar os espaços a jogar contra um bloco baixo. Não é qualquer equipa que, a jogar contra um bloco baixo, consegue encontrar os espaços e nós criámos sete, oito, nove situações para fazer golo fruto da qualidade tática e individual. No momento defensivo, também estivemos praticamente irrepreensíveis. Nos dois momentos flash, quando se perde ou se ganha a bola, a equipa esteve sempre muito bem. Quando perdíamos a bola, rapidamente a conseguíamos recuperar, não permitindo ao adversário que nos causasse mossa. Quando recuperávamos, tínhamos os jogadores bem posicionados para podermos circular a bola e sair em ataque e até, em algumas vezes, espreitando o contra-ataque, o que foi muito interessante.

QATAR

Bola na Rede: No último jogo com Portugal, o Qatar terminou com dois jogadores expulsos. Hoje, os seus jogadores conseguiram competir de uma melhor maneira?

Félix Sánchez: Penso que ambos os jogos foram muitos difíceis. Hoje não encontrámos forma de ter posse, para manter a bola e sair em contra-ataque. Jogar a este nível foi difícil para nós, mas temos que continuar a trabalhar.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome