A receita para ganhar a Liga das Nações? Fácil! Joguem sem medo e com o quinteto ofensivo composto por Bernardo, Bruno Fernandes, Rafa, João Félix e Cristiano Ronaldo. Dúvidas? Vamos por partes.

Com o fim da nossa Primeira Liga, as atenções dos amantes do desporto rei viram-se agora para as nossas selecções. Com o Campeonato do Mundo de Sub-20 a decorrer e a poucos dias da Liga das Nações, digamos que ainda dá para ir tendo o gostinho da redondinha a correr pelos televisores dos que, como eu, adoram este desporto.

Somos mais de 10 milhões de treinadores de bancada e como tal cada um tem as suas escolhas. Também eu me incluo neste lote. Não que pretenda ocupar o lugar do mister Fernando Santos, até porque esse me parece assegurado por ele até ao dia em que achar por bem sair do comando da selecção das quinas. Fernando Santos teve o mérito de nos ‘oferecer’ algo que ninguém havia feito antes, e portanto o crédito nos bastidores do futebol português, acredito eu, é imenso.

No entanto as suas escolhas e a forma de Portugal jogar são, claro, alvo de discussão e também de crítica. E a verdade é que, apesar de sermos Campeões Europeus, encontro um mal nesta selecção que já vem de longe, e que me parece justificar, muitas vezes, o fraco pecúlio do nosso ataque. E esse mal chama-se dependência da nossa dupla atacante.

A nossa selecção viveu dos golos de Ronaldo e de Nani (até há bem pouco tempo), e, posteriormente, de Ronaldo e André Silva. Vejamos:

  • Quem marcou os nove golos no Europeu do nosso contentamento? Ronaldo marcou três, Nani outros três, Renato Sanches, Quaresma e Éder um.
  • E no apuramento para o Mundial 2018? Dos 32 (!) golos, Ronaldo marcou 15, André Silva nove, João Cancelo e William dois, Bernardo, Nélson Oliveira, Bruno Alves e João Moutinho um. Ou seja: a dupla Ronaldo/André Silva marcou 75% dos nossos golos. Isto não é dependência?
  • Já no último Mundial fizemos seis golos: quatro de Ronaldo, um de Quaresma e um de Pepe.
Bruno Fernandes poderá mostrar na selecção a sua tremenda capacidade goleadora
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Tudo isto para voltar ao início do texto. Assim queira Fernando Santos ‘arriscar’ um pouco mais e poderá contar no seu ataque com um quinteto que garantiu, esta época, mais de 100 golos. Repito: 100 golos! Não encontro sequer, assim ao primeiro pensamento, outra selecção no mundo onde haja este pecúlio. Parece-me que a dependência de golos nos dois homens da frente estará mais que ultrapassada se, sem medo, jogarmos com este ataque demolidor.

Duvido infelizmente, que o mister Fernando confie o nosso ataque a estes jogadores em simultâneo. Mas estou esperançado que pelo menos quatro deles joguem de início. E se assim for, se o mister achar demasiado ofensivo, ou que deixamos a defesa desguarnecida, então pode quiçá colocar Pizzi no lugar do Rafa ou do João Félix que, no final das contas, a quantidade exorbitante de golos do quinteto não mudará assim tanto.

Que a bola volte a rolar e que alguns dos médios mais concretizadores do futebol europeu possam demonstrar que a dupla de ataque tem agora mais três goleadores natos.

 

Foto de Capa: Seleções de Portugal

Comentários