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A valente assobiadela com que os mais de 35 mil brasileiros brindaram os jogadores logo após o apito final de João Pinheiro é, por si só, bem ilustrativo daquilo que foram os 90 minutos. Para quem se deslocou ao Estádio do Dragão na esperança de testemunhar todos os predicados que, por norma, se aplicam à seleção canarinha, saiu certamente desiludido. Pouca velocidade no primeiro tempo e mais coração que cabeça na segunda parte. Em poucas palavras se resume este particular que, valha a verdade, teve bem mais espetáculo nas bancadas. Aí, o povo brasileiro não ficou aquém e ofereceu o espetáculo que se esperava. Muito barulho, festa e ruído ao máximo. Valeu por isso. Nas quatro linhas, Paquetá abriu as hostilidades para a canarinha, mas a resposta panamense surgiu sem demoras. Ainda que em posição duvidosa, Adolfo Machado fixou aquilo que nunca se esperava ser o resultado final.

Tudo apontava para um Brasil demolidor, pressionante e a dominar todos os momentos do jogo e, de facto, os primeiros minutos atestaram isso mesmo. A seleção do Panamá surgiu muito fechada, a jogar nos últimos 30 metros, com duas linhas de cinco defesas e quatro médios muito próximas. Por vezes, um dos médio dava dois passos em frente para se juntar ao homem mais avançado, Gabriel Torres, e assim importunar de forma um pouco mais efetiva a construção dos homens de Tite.

Por seu lado, o Brasil, armado num 4-2-3-1, com Casemiro e Arthur a formar o duplo pivô a meio campo e Paquetá como meio de ligação entre o setor intermediário e o ataque, ia basculando o seu jogo para um e outro lado, à procura de uma brecha na defensiva do Panamá. Nas alas, Alex Telles, em estreia, sentia o conforto de estar a jogar em casa, e aparecia com frequência em zonas adiantadas, ora a combinar com Coutinho, ora a cruzar para o matador que o Brasil, hoje, não teve. Do outro lado, Richarlison estava bem mais participativo e ia sendo o dínamo que municiava a maior parte dos ataques brasileiros. Tudo, sob escolta de um rapidíssimo Fágner.

Com dificuldades em penetrar na área panamense, foi sobretudo com tentativas de fora da área que os brasileiros colocaram em sentido um inspirado Meíja. Após o duplo aviso de Arthur, lá surgiu o golo, pelos pés de Paquetá – um dos melhores da formação brasileira -, depois de um cruzamento que Casemiro que teve tanto de inesperado como de eficaz.

Lucas foi o autor do golo do Brasil
Fonte: Bola na Rede

Quebrada a resistência da formação da CONCACAF, tudo parecia encaminhado, mas a resposta deixou tudo de boca aberta. Na sequência de um livre, o capitão Adolfo Machado fugiu à marcação da defensiva e, ainda que aparentemente em posição irregular, atirou para o fundo das redes de um desamparado Ederson. No Dragão, os panamenses estavam em clara desvantagem mas a festa do golo, o primeiro da história contra o Brasil, foi festejado como se da final de um Mundial se tratasse.

Visivelmente em choque pela contrariedade sofrida, a reação canarinha não mais se fez sentir até ao momento em que Tite decidiu lançar no jogo Éverton e Gabriel Jesus. Antes, porém, já Rodriguez dava conta de que o golo do Panamá não surgira do nada e, logo para início de conversa no segundo tempo, obrigou Ederson a uma estirada para evitar o escândalo.

A partir daqui sim, os alarmes soaram e Richarlison decidiu arcar a responsabilidade de levar a equipa para cima da defesa do Panamá. Foi de um cruzamento de Fágner que o avançado do Everton atirou à trave, deixando a ideia de que o Brasil voltar a estar por cima do resultado seria uma questão de minutos.

A verdade é que as coisas não foram bem assim e, se Tite mexeu na equipa de forma cirúrgica (só Felipe Anderson foi também a jogo), do lado panamense o objetivo passava também por quebrar, com sucessivas paragens para alterações, o ritmo que o Brasil teimava em aumentar.

Até ao final, nem as investidas de Richarlison, que passou por meia equipa do Panamá antes de Meíja lhe negar o golo, e Casemiro, que cabeceou à trave após um canto, foram suficientes para desmontar uma cada vez mais cerrada defesa do Panamá. Pouco, muito pouco para quem pode e deve mostrar muito mais.

Onzes e substituições:

Panamá – Luís Mejía, Michael Murillo (Cesar, 85′), Adolfo Machado, Cummings, Escobar, Eric Davis, Anibal Goody (Jan Vargas 90′), Arnaldo Cooper (Ernesto, 82′), Alberto Quintero (Omar, 84′), Gabriel Torres (Jose Faiardo, 74′) e José Luiz Rodríguez (Abdiel, 89′)

Brasil – Ederson, Fagner, Éder Militão, Miranda, Alex Telles, Casemiro, Arthur (Felipe Anderson 71′), Lucas Paquetá (Éverton, 60′), Philippe Coutinho, Roberto Firmino (Gabriel, 60′) e Richarlison.

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