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A juventude supersónica alemã, o craque luso e outras coisas que ficaram da Taça das Confederações

Tomás Gomes · 7 min

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Cabeçalho Futebol InternacionalA Taça das Confederações acabou este domingo com uma vitória mais ou menos esperada. Mais, porque era a Alemanha. Menos, porque a seleção germânica tinha levado para a Rússia uma equipa de segunda linha que não incluía nomes tão proeminentes como Neuer, Kroos, Mesut Ozil, Thomas Muller ou Hummels.

Ainda assim, a competição que vence junta os vencedores das competições organizadas pelas confederações de cada continente, mais o vencedor do Mundial e o país organizador do Mundial do ano seguinte, acabou por ser conquistada pela seleção mais jovem, perante outras repletas de craques e com um passado recente de glória, como é o caso do Chile ou de Portugal.

Foram duas semanas que mataram as saudades do futebol aos fãs do desporto rei, e no final, tudo espremido, é isto que podemos retirar:

– A juventude supersónica alemã ‘enfiou’ a geração de ouro do Chile no bolso

– A Rússia, o país, parece estar preparado para receber o Mundial

– A Rússia, a seleção, não demonstrou qualidade suficiente para prever que faça um bom Campeonato do Mundo em sua casa

– O futebol africano continua distante do europeu e do americano

– O bronze de Portugal não sabe, definitivamente, a ouro

– A seleção portuguesa ganhou um craque

– A seleção alemã mostrou que o futuro é deles

– A Alemanha não vai ganhar o Mundial

Agora vamos lá, ponto por ponto, colocar tudo isto em pratos limpos.

A juventude supersónica alemã ‘enfiou’ a geração de ouro do Chile no bolso

Sem estrelas maiores, todos os olhos estavam postos nesta Alemanha. Até onde poderia ir a campeã mundial com uma seleção tão jovem? É certo que as jovens promessas estavam lá todas, mas numa competição deste gabarito a experiência tende a ser um fator importante.

A pouco e pouco os germânicos foram mostrando aquilo de que eram capazes. A Austrália e os Camarões foram vítimas da explosão desta juventude supersónica, rápida, inteligente, coesa na defesa e eficaz no ataque, na fase de grupos. Só o Chile, nesta altura, é que mostrou que com a experiência, qualidade de alguns jogadores de topo, como Alexis Sanchéz e Artur Vida, e a raça sul-americana que tanto os caracteriza, conseguiu travar, com um empate a um golo, a campeã mundial em título.

Fonte: Facebook Oficial de Timo Werner
Fonte: Facebook Oficial de Timo Werner

No entanto, mesmo para uma seleção sem nomes maiores, passar a fase de grupos era o mínimo exigido a esta Alemanha. E, curiosamente, foi, depois deste mínimo olímpico que os germânicos se deram a conhecer, verdadeiramente.

Nas meias-finais, com o México como adversário, a Alemanha não só neutralizou o poderoso e raçudo caudal ofensivo mexicano, como não falhou diante da baliza. Firmes na defesa, com cabeça nos momentos decisivos e eficácia no último terço, os germânicos golearam a seleção da CONCACAF e carimbaram a passagem à final.

Na final assistimos a um Chile avassalador, ofensivamente, e a uma Alemanha que não se ‘descoseu’ defensivamente. A um Chile que falhou várias vezes e a uma Alemanha que jogou no erro do adversário e que não falhou. A uma juventude que, na noite de domingo, se fez adulta, e que impediu, muito provavelmente o Chile de, com a sua geração de ouro, conquistar um grande título da FIFA, mostrou como a diferença entre fazer muito e fazer bem pode ser decisiva.

A Rússia, o país, parece estar preparado para receber o Mundial

A Taça das Confederações é uma competição que, supostamente, elege os campeões dos campeões. Deveria, portanto, assumir um grau de importância enorme, mas tal não acontece – e a Alemanha, com a equipa que levou, é a prova maior disso.

Porquê? Porque se joga antes do Mundial, e é, muitas vezes, precedida de outras competições de clubes. Ou seja, é uma sobrecarga no calendário futebolístico que pode acabar por ter consequências nos rendimentos nos clubes.

Depois, a origem. A Taça das Confederações nasceu de um desejo antigo da Arábia Saudita em conseguir organizar um grande torneio internacional com a participação das melhores seleções de todo o mundo, numa homenagem ao rei Fahd. Ou seja, não foi sempre organizada pela FIFA.

Tudo isto desvaloriza o torneio que, com tempo, acabou por ganhar um objetivo intrínseco: testar a capacidade de um país que vai receber o Mundial no ano seguinte.

E foi isso que aconteceu, essencialmente, durante estas duas semanas na Rússia: um teste.

Segundo o que se sabe, e apesar de todos os medos, sobretudo em matéria de segurança, a organização do torneio acabou por ser um sucesso.

Fonte: Federação Russa de Futebol
Fonte: Federação Russa de Futebol

A Rússia, a seleção, não demonstrou qualidade suficiente para prever que faça um bom Campeonato do Mundo em sua casa

No grupo A e na posição de anfitrião, a seleção russa não conseguiu somar mais do que três pontos em três partidas (1V2D0E) na Taça das Confederações.

A incapacidade em prosseguir para além da fase de grupos terá sido uma desilusão para os adeptos da casa que sonhavam, certamente, em ver a sua Rússia a dar ao mundo uma pequena demonstração daquilo que poderá vir a fazer em 2018. Infelizmente, assistiu-se a uma equipa fraca, sem grandes talentos e sem ideias, que se fez difícil (quando fez) só e unicamente pelo sangue quente que corre nas veias dos seus atletas.

Para estar ao melhor nível no próximo ano e fazer um ‘brilharete’ caseiro, a Rússia terá de trabalhar muito mais, ou pode-se habilitar a sofrer uma vergonha diante do seu povo.

O futebol africano continua distante do europeu e do americano

África produziu, produz e, certamente, continuará a produzir alguns dos maiores talentos do futebol Mundial. Atualmente basta fecharmos os olhos dois segundos para nos lembrarmos de nomes como Yaya Touré, Pierre-Emerick Aubameyang ou Mahrez; enquanto no passado vivem nomes como Didier Drogba ou Samuel Eto.

No entanto, tal qualidade não se tem espelhado ao nível de seleções quando os emblemas africanos se defrontam com os do restante mundo. E nesta edição da Taça das Confederações isso ficou latente. Os Camarões tinham uma seleção capaz de discutir a passagem às meias finais e o único ponto conquistado foi num empate frente à Austrália.

Fonte: FIFA
Fonte: FIFA

Frente ao Chile, jogo em que a seleção africana se apresentou a bom nível, o desempenho caiu a pico nos momentos decisivos do final do jogo, que acabaram por perder, e frente à Alemanha, num encontro que servia só para cumprir calendário, não se viu vontade de deixar tudo em campo, honrar a camisola e fechar a participação no torneio com uma vitória.

A seleção portuguesa ganhou um craque

O desempenho da seleção neste torneio foi bom. Não foi ótimo, nem excelente. Foi bom.

Excelente foi aquilo que conseguimos ganhar e comprovar.

Ganhámos Bernardo Silva, que mostrou ser um craque do mais alto nível. A desequilibrar, a pensar e a passar, o novo pupilo de Pep Guardiola, provavelmente o melhor jogador português na prova, foi sangue novo na forma de jogar do campeão europeu.

Fonte: FPF
Fonte: FPF

Comprovámos que André Silva funciona lindamente ao lado de Cristiano Ronaldo. A capacidade de pressão, o trabalho de desgates da defesa adversária, a ligação que faz entre os dois médios e o último terço do campo, assim como o movimento para o centro da área que arrasta sempre consigo jogadores contrários, abrem o espaço necessário para que CR7 possa ser mais decisivo.

E melhor do que isto para o Mundial de 2018, só mesmo Fernando Santos tirar um defesa central fora da cartola.

A seleção alemã mostrou que o futuro é deles

Se digo que o futuro de Portugal está bem entregue, com Bernardo Silva, André Silva e Gelson Martins à cabeça, então o que dizer do futuro da Alemanha?

Sublinhe-se que os germânicos não só venceram a Taça das Confederações com uma seleção jovem, como aliaram isso à conquista do Campeonato da Europa da seleção de sub-21.

E depois de todos assistirmos à qualidade ofensiva de Timo Werner (a marcar e a servir), à capacidade de pensar o jogo de Leon Goretzka e ao comprovar da qualidade de Julian Draxler, é impossível não dizer que o futuro lhes pertence e que Joachim Löw terá todas as ferramentas de futuro para continuar a lutar pelos grandes títulos.

Alemanha
Fonte: FIFA

A Alemanha não vai ganhar o Mundial

No fim, e apesar do talento e incentivo para o futuro, sabe-se, de antemão, que a Alemanha não vai vencer o Mundial no próximo ano. Porquê? Por nada. Na realidade tudo isto se baseia numa ‘maldição’ de que o vencedor da Taça das Confederações nunca conseguiu vencer o Campeonato do Mundo de futebol no ano seguinte. Mas quem sabe? Não parece haver protagonista melhor para este desafio que a Alemanha de Joachim Löw.

Foto de Capa: Federação Alemã de Futebol

artigo revisto por: Ana Ferreira

Tomás Gomes

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