A CRÓNICA: APENAS UM GOLO FEZ TODA A DIFERENÇA

O FC Porto jogou hoje um dos jogos mais importantes da sua história no Andebol, estando em causa um lugar nos Quartos de Final da melhor competição de clubes. A equipa portuguesa trouxe uma vantagem de três golos do jogo da primeira mão em Portugal.

O FC Porto abriu o marcador através de um contra-ataque concretizado por Diogo Branquinho. A equipa portuguesa aproveitou esta entrada para conseguir construir um parcial de 0-3 nos primeiros momentos da partida. No entanto, as principais figuras da partida nesta primeira parte foram os guarda-redes. Os guardiões presentearam-nos com várias defesas de qualidade que trouxeram equilíbrio à partida: aos 11 minutos Mitrevski havia defendido sete dos oito remates adversários (88% de eficácia).

Esta eficácia elevada dos guarda-redes contrastava com o “desperdício” dos ataques, sendo que, nos primeiros 20 minutos, a equipa da casa apenas tinha marcado 1/3 dos remates, enquanto o FC Porto estava nos 50% de eficácia. Este equilíbrio levou a vários empates e mudanças na frente do marcador, tendo a primeira parte terminado com um golo de vantagem para os dinamarqueses (10-9).

Anúncio Publicitário

O FC Porto iniciou a primeira parte com o 7×6 para tentar superar algumas das suas dificuldades ofensivas. No entanto, apesar de estar a encontrar melhores situações para finalizar, a equipa portuguesa continuava a desperdiçar oportunidades, sendo que ambos os guarda-redes voltaram a entrar em grande forma no recomeço da partida. Mesmo com todo este desperdício, a equipa comandada por Magnus Andersson conseguiu voltar a passar para a frente do marcador.

Esta vantagem foi breve, tendo voltado a ser o equilíbrio a determinar o ritmo do marcador. Ao contrário do que aconteceu durante a primeira parte, o Aalborg conseguiu, por vezes, ir criando vantagens de dois golos que colocavam em causa a passagem do FC Porto, até que, a três minutos do final, a equipa dinamarquesa conseguiu pela primeira vez os três golos de vantagem que eliminariam o FC Porto da competição.

Foi nessa posição que os azuis e brancos jogaram a última posse de bola da partida, estando dependentes de apenas um golo para conseguirem uma passagem histórica, mas no último remate da partida António Areia não conseguiu acertar na baliza, terminando assim o sonho da equipa portuguesa.

O FC Porto e os seus adeptos podem e devem estar orgulhosos das prestações desta equipa, no entanto ficará sempre a sensação de que existiram várias oportunidades durante estes dois jogos para fazer com que a história no final desta eliminatória fosse diferente. É esta sensação que se tem que mesmo quando os resultados são os melhores de sempre se pode fazer melhor que leva as equipas e os clubes para outros níveis e esperemos que este seja o caso.

A equipa portuguesa pode agora concentrar-se na conquista do Campeonato Nacional, sendo que esta poderá ser a última conquista de alguns jogadores que marcam esta geração, como Victor Iturriza, Miguel Martins, André Gomes, António Areia, já que se fala muito do interesse de muitos clubes estrangeiros nestas “joias da coroa”.

 

A FIGURA

Victor Iturriza – Foram duas exibições incríveis do pivot português nesta eliminatória. A sua robustez física, determinação e perseverança causaram imensas dificuldades ao Aalborg. Hoje foram seis golos (75% de eficácia) marcados e pelo menos um par de livres de sete metros conquistados, naquele que poderá ter sido o último jogo europeu pelo FC Porto, pelo menos para já, visto que está iminente a sua transferência para o colosso FC Barcelona.

O FORA DE JOGO

António Areia – Só falha nos momentos decisivos quem tem a coragem de os assumir. A verdade é que o ponta, que já tantas alegrias deu aos seus adeptos, desperdiçou hoje duas oportunidades flagrantes que poderiam ter poderiam ter colocado o FC Porto na fase seguinte da competição. Até esse momento, o experiente jogador estava a fazer uma exibição excelente, com quatro golos em quatro oportunidades.

 

ANÁLISE TÁTICA – AALBORG

Aquilo que a equipa dinamarquesa demonstrou hoje não foi muito diferente do que tinha feito em Portugal. Em termos ofensivos apostou, por vezes, no 7×6 procurando os seus pivots de grande qualidade e a primeira linha foi importante, mas menos determinante do que havia sido na primeira mão. O Aalborg encontrou também um Mitrevski inspirado, principalmente na primeira parte.

Em termos defensivos, conseguiu causar algumas dificuldades ao 7×6 adversário com a utilização de um defesa adiantado a cortar as linhas de passe para o pivot, sendo esta uma das organizações defensivas que já demonstrou causar mais dificuldades aos ataques em superioridade numérica. Destaque também para a boa exibição do guarda-redes Simon Gade.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Simon Gade (8)

Mark Marcher (6)

Felix Claar (7)

Nikolaj Christensen (5)

Lukas Sandell (6)

Magnus Jensen (9)

Sebastian Barthold (4)

SUBS UTILIZADOS E PONTUAÇÕES

Mikael Aggefors (6)

Benjamin Jakobssen (6)

Jonas Samuelsson (4)

Mads Christiansen (6)

Henrik Mollgard (7)

Buster Juul-Lassen (8)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

No FC Porto mantiveram-se as dificuldades ofensivas com que a equipa tinha terminado a primeira mão e que terão sido a principal razão para esta eliminação. A opção pelo 7×6 acabou por criar mais soluções, mas mesmo assim a equipa manteve-se muito nervosa e sem conseguir finalizar da melhor maneira possível, tendo desperdiçado várias oportunidades que poderiam ter mudado o rumo do jogo e torná-lo mais tranquilo. Defensivamente, assistimos a uma exibição brilhante de Mitrevski que, infelizmente, não conseguiu replicar na fase final da partida.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Nikola Mitrevski (7)

André Gomes (6)

Diogo Branquinho (7)

Victor Iturriza (9)

Daymaro Salina (6)

Djibril Mbengue (5)

António Areia (6)

SUBS UTILIZADOS E PONTUAÇÕES

Márton Székely (-)

Manuel Spath (-)

Miguel Martins (5)

Rui Silva (7)

Leonel Fernandes (-)

Diogo Silva (5)

Miguel Alves (-)

Fábio Magalhães (7)

Foto de Capa: EHF Handball