Há quatro anos, houve uma atualização dos regulamentos do Andebol, com a adição de novas regras e a alteração de outras já existentes. Uma das principais mudanças efetuadas na altura, foi a possibilidade de substituir o guarda-redes por um jogador de campo, criando, assim, a possibilidade de jogar em superioridade numérica no ataque. Ao longo dos anos, várias equipas têm utilizado essa opção tática e algumas até se tornaram especialistas nesse momento do jogo, como o FC Porto e a Seleção Nacional.

A regra, no entanto, ainda não é unânime. Recentemente, o jornalista especializado da EHF e da revista alemã Handballwoch, Bjorn Pazen, realizou um questionário que colocava em causa a regra em questão. Foram 39 os treinadores inquiridos, sendo que 30 estavam a favor do fim do uso da regra. Entre os treinadores questionados estavam Filip Jicha, do Kiel, e Chema Rodriguez, novo do treinador do SL Benfica, mas, por coincidência (ou não), não estavam nem Paulo Jorge Pereira, nem Magnus Andersson, dois dos melhores utilizadores dessa vertente tática.

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O presidente do comité de instrutores e métodos da IHF, Dietrich Spaten, vai “examinar de perto esses argumentos dos treinadores”. Aos nomes acima referidos, ainda faziam parte do questionário nomes como: Ljumobir Vranjes, Xavier Pascual, Manolo Cadenas, Talant Dujshebajev, David Davis e Raúl González.

Os principais argumentos dos treinadores contra a regra são: dois minutos já não é uma penalização; o jogo tornou-se mais lento/menos dinâmico; remates a balizas vazias não são atrativos; o andebol em geral está a tornar-se menos atraente; a ideia/o estilo básico de jogar andebol mudou negativamente; as opções/variantes táticas reduziram; menor oportunidade de variantes táticas defensivas.

Quem ainda está a favor da regra, considera que esta é mais uma opção tática.

Mesmo o FC Porto e a Seleção Nacional, que são dois dos casos que mais e melhor utilizam esta vertente, utilizavam-na em certos momentos dos jogos, mas nunca na maioria deles. Ou seja, era mais uma opção tática para ser utilizada em determinados momentos do jogo diferentes, tal como é, por exemplo, a opção de jogar com um ou dois pivots.

A verdade é que esta tática aumenta o risco de sofrer golo para quem a utiliza, logo a equipa tem de ser mais eficaz no ataque, procurando sempre a melhor opção e procurando realizar os ataques com a melhor qualidade possível. No meu ponto de vista, o facto das equipas poderem utilizar esta vertente como mais uma opção tática traduz-se numa maior imprevisibilidade do jogo e, consequentemente, numa maior qualidade do jogo.

Foto de capa: FC Porto Sports

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão