Cabeçalho modalidades O mundo e a natureza estão em constante mudança. Nem os mais céticos duvidam disso. Para Darwin, só os mais fortes é que sobreviveriam à mudança. E a verdade é que o Andebol também evoluiu. Para jogarmos o jogo temos de o compreender, nada é mais importante do que perceber o jogo. Foi feito um estudo académico para a Faculdade no Porto que as conclusões vou demonstrar neste artigo.

No mundo do Andebol, costuma dizer-se que as defesas ganham jogos, portanto vamos começar pelas principais variações a nível defensivo: a verdade é que o jogo defensivo tem ganho cada vez mais importância no quadro do sucesso desportivo do Andebol, em detrimento do jogo ofensivo. Muitas equipas baseiam a sua estratégia numa defesa forte e coesa que possibilite uma saída rápida e eficaz para o contra-ataque; o número de recuperações de bola sem golo sofrido tem aumentado drasticamente.

As principais causas desse aumento são o inicio do processo ofensivo por defesa e reposição do guarda-redes, interceção, desarme, bloco e ressalto defensivo e por falha técnico-tática do adversário; as equipas vencedoras têm tendência para utilizar dois tipos de sistema de defesa por jogo, geralmente, do tipo zona fechado (5×1 e 6×0) e por zona aberto (3x2x1); as referidas falhas técnico-táticas a nível ofensivo têm como principal causa a forma agressiva e pressionante do jogo defensivo a nível individual e coletivo; quanto maior a eficácia do guarda-redes mais sucesso a equipa demonstra.

O Andebol está a mudar e o crescente número de fãs do Andebol feminino é uma prova dessa mudança Fonte: FAP
O Andebol está a mudar e o crescente número de fãs do Andebol feminino é uma prova dessa mudança
Fonte: FAP

O processo defensivo é um fator chave durante o jogo de Andebol, mas não podemos deixar de lado a importância do processo ofensivo no decorrer do jogo. É neste processo que encontramos as maiores variações: os processos ofensivos por jogo têm aumentado paulatinamente; o facto de o número de processos ofensivos bem-sucedidos por jogo ser superior aos processos ofensivos falhados sugere que tem ocorrido um maior número de golos por jogo; a maioria das finalizações ocorrem na zona central do campo, principalmente na zona entre os 6 e 9 metros, através de finalizações de curta distância; apesar do aumento da taxa de concretização dos processos ofensivos ainda se constata uma elevada ocorrência de processos ofensivos fracassados em virtude de perdas de bola por remates falhados e falhas técnico-táticas; este aumento é justificado, principalmente, pela excessiva utilização de meios individuais, como o remate espontâneo; diminuiu o número de tempo com diferença numérica em campo; a eficácia do lançamento de 7 metros apresenta uma correlação com o sucesso desportivo em jogos equilibrados; apesar de o número de contra-ataques não se ter alterado nas últimas duas décadas, estes apresentam um cada vez mais como fator decisivo para o resultado final da partida; a eficácia ofensiva em vantagem numérica apresenta também uma estreita correlação com o resultado final.

Para quem acompanha este desporto este estudo não apresenta grandes surpresas, demonstrando apenas o que tem sido percetível ao longo dos anos. Para quem não acompanha tanto este desporto proponho o seguinte exercício: o próximo jogo de Andebol que ver esteja atento aos pormenores aqui referidos que com certeza irão de encontro com o que está referido neste artigo.

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Ref: Lucidio Rocha Santos “Tendências Evolutivas do Jogo de Andebol Estudo centrado na análise da performance táctica de equipas finalistas em Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos”, Dissertação apresentada às provas de doutoramento no ramo de Ciências do Desporto da universidade do Porto.

Foto de capa: Federação de Andebol de Portugal

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

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