

O arranque da fase de apuramento de campeão do Andebol 1 não podia ter sido mais quente, dentro e fora da quadra. No Dragão Arena, o Sporting CP superou o FC Porto por 30-33, consolidando a liderança na prova rumo ao tricampeonato. Contudo, o encontro ficou irremediavelmente marcado por um episódio insólito e muito grave antes mesmo do apito inicial. A comitiva leonina queixou-se de um forte “cheiro adormecedor” no balneário visitante, que obrigou à hospitalização do treinador Ricardo Costa e do jogador Christian Moga, impedindo-os de participar no jogo. O FC Porto apressou-se a desmentir os incidentes “de forma absoluta” e acionou a PSP para inspecionar as instalações de imediato.
Apesar do clima de enorme tensão e da falta do seu treinador principal no banco, o Sporting entrou a todo o gás. A equipa verde e branca assumiu o controlo das operações e dominou a primeira parte, cavando vantagens consecutivas de três e quatro golos para recolher aos balneários a vencer por confortáveis 16-19.
Na segunda metade, o FC Porto, empurrado pelos 1.520 espetadores nas bancadas, reagiu com coração e conseguiu chegar ao empate (24-24) através de Antonio Martínez aos 40 minutos. O momento de maior delírio azul e branco surgiu aos 44 minutos, quando Jesús Hurtado consumou a tão aguardada reviravolta para os dragões (26-25). O clássico entrou aí numa verdadeira fase de parada e resposta, mas nos derradeiros dez minutos, a eficácia do ataque leonino e o desgaste portista decidiram a batalha. Com Edy Silva, Jan Gurri e Martim Costa a faturarem tentos cruciais, o Sporting construiu um parcial final demolidor que abriu o marcador para uns irrecuperáveis 28-33, antes do jogo encerrar nos 30-33.
O “caldo” voltou, no entanto, a entornar após a buzina final. Mário Santos, diretor das modalidades do FC Porto, acusou veementemente o sportinguista Martim Costa de ter agredido um adepto portista. A Federação de Andebol também não deixou a situação passar em branco e já pediu ao Conselho de Disciplina para intervir e apurar todas as responsabilidades do que se passou no pavilhão.
A Figura
Orri Thorkelsson – O ponta islandês foi um autêntico quebra-cabeças e um pesadelo constante para a defesa azul e branca. Num clássico recheado de ausências e sob um clima extradesportivo denso, Thorkelsson não tremeu e chamou a si a responsabilidade. Assinou incríveis 11 golos – com destaque para sete tentos marcados logo na primeira parte – sendo absolutamente letal nos contra-ataques velozes e na marcação cirúrgica de livres de 7 metros. Foi o motor ofensivo de que o Sporting necessitava para manter o barco estável nos momentos mais difíceis.
Análise equipa FC Porto
A turma orientada por Magnus Andersson sentiu imensas dificuldades defensivas nos primeiros 30 minutos, permitindo que a velocidade de execução e o ataque rápido do Sporting fizessem uns pesados 19 golos num ápice. Na etapa complementar, com um acréscimo de agressividade positiva e apoiados pelo calor das bancadas, os dragões revelaram tremenda resiliência para recuperar da desvantagem e passar para a frente (26-25). Contudo, a equipa não soube gerir as emoções nem a tática na reta final. A defesa colapsou perante as investidas finais e a precipitação no ataque castigou duramente o esforço de recuperação dos dragões, que veem os leões fugir a passos largos na tabela classificativa.
Equipa convocada FC Porto: Para este embate, a equipa azul e branca contou na sua ficha de jogo com Ante Grbavac, Bernardo Sousa, Rui Silva, Pol Valera, Leonel Fernandes, Antonio Martínez, Pedro Oliveira, Daymaro Salina, Jesús Hurtado, Ricardo Brandão, Marcus Dahlin, Vasco Costa, Mamadou Diocou, João Gomes, Thorsteinn Gunnarsson e Gilberto Duarte.
Análise equipa Sporting CP
A exibição sportinguista escreve-se com letras de resiliência e foco mental. Privados da importante liderança técnica de Ricardo Costa no banco e diretamente afetados pela indisposição instalada no balneário, os leões cerraram fileiras e nunca perderam a identidade do seu jogo. Mandaram na primeira parte com enorme personalidade e fluidez coletiva. O verdadeiro teste de fogo à sua maturidade deu-se no decurso da segunda parte, quando o FC Porto inflamou o Dragão e virou o jogo a seu favor. Recusando-se a baixar os braços, a turma leonina exibiu frieza, tirou proveito de um Martim Costa desequilibrador e contou com a lucidez fulcral de Francisco Costa e Jan Gurri para recuperar e selar o seu quinto triunfo consecutivo no Dragão Arena. Um passo de autêntico campeão a caminho do tricampeonato.
Equipa convocada Sporting CP: A comitiva leonina que se deslocou ao Dragão Arena foi composta por André Kristensen, Mohamed Aly, Filipe Monteiro, Pedro Martínez, Diogo Branquinho, Orri Þorkelsson, Mamadou Gassama, Carlos Álvarez, Edy Silva, Víctor Romero, Emil Berlin, Francisco Costa, Salvador Salvador, Martim Costa e Jan Gurri.

